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Porque todos os caminhos vão dar a Roma…

 

Depois de, desde bem cedo, ainda a manhã estava uma jovenzinha, termos explorado o Monte Esquilino ( outra das sete colinas de Roma ), e depois de termos visitado aquela que é a maior igreja dedicada à Mãe de Cristo -a belíssima Santa Maria Maggiore -, aí nos encontrámos com outros hóspedes do hotel, com os quais planeáramos uma visita às catacumbas de S. Calisto, das maiores das sessenta existentes nos arredores da cidade.

Seguimos pela Via Ápia     alguns quilómetros, até encontrarmos um  pequeno casario, onde se encontrava já, à nossa espera, pois que fora previamente contactado, um padre que ia ser o nosso guia num enorme labirinto de corredores estreitos e muito escuros. Depois de nos recomendar que déssemos a mão uns aos outros, como única forma de não nos perdermos, acendeu uma candeia e, sempre em fila indiana, descemos várias escadas.

Bem abaixo do nível do solo, o ambiente, húmido, era quase irrespirável, e só à luz daquela podíamos ver os túmulos escavados nas paredes.

Só quando chegámos a um recinto com um altar, um raio de luz nos permitiu ver as pinturas alusivas aos primeiros tempos do Cristianismo: era a Capela onde se rezava a Missa.

Uma vez no exterior, o padre – um alemão que falava perfeitamente o inglês – contou-nos dos riscos que os cristãos primitivos corriam quando, no fim dos " espectáculos " no Coliseu, iam, ao coberto da noite, recolher os cadáveres das vítimas das perseguições religiosas.

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Porque todos os caminhos vâo dar a Roma…

 

 

Cansadas, mas não deixámos ainda aquele que, além de centro de comércio, foi o centro cultural, político e judicial da Roma antiga.

Ruínas da Casa de Lívia, mulher do imperador Augusto, onde se podem admirar ainda pinturas murais, não muito longe das do Palácio de Séptímio Severo ( sendo que o monumento mais bem conservado deste fórum é o Arco erigido em sua honra ), tendo no meio as ruínas da que foi a residência privada dos imperadores – a Domus Augustana -, o belo pátio da Casa das Virgens Vestais, ajardinado e rodeado de formosas estátuas…

Aí terá funcionado também o Senado e os diversos tribunais.

 

Do outro lado, entre as Colinas Palatina e Aventina, vemos o que resta do que foi o Circo Máximo, a grande arena onde se realizavam jogos e entretenimentos vários, como as corridas de quadrigas, celebrizadas no cinema por «  Ben- Hur ».

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Porque todos os caminhos vâo dar a Roma…

 

Não foi a primeira cidade que visitei em Itália, mas de tão impressiva que foi essa visita, na melhor das alturas, talvez, – princípio de Junho: tempo quente, mas não muito, bom para, durante oito dias calcorrear aquelas ruas, cada uma mais íngreme do que a outra, não deixando esquecer que, à semelhança de Lisboa estávamos na cidade das sete colinas, todas elas percorridas até me sangrarem os pés.

Comecei pelo Monte Palatino, onde a vista, primeiro diurna, depois nocturna, do fórum romano me deixou boquiaberta, pois se sabia que ia encontrar algo de grandioso, as expectativas foram superadas de forma a deixar-me sem palavras. Ia  munida de um guia, mas deixava a leitura sobre o que tinha visto para quando chegasse ao hotel: tive a consciência de que um simples minuto que parasse para o ler era uma perda de tempo. Apenas o tempo necessário para consultar o mapa, com legendas.

 

 

" O Fórum Romano (em latim Forum Romanum) era o principal centro comercial da Roma Imperial. Ali havia lojas, praças de mercado e de reunião " ( fonte: wikipédia )

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Viajo duas vezes, quando leio, de João Carlos Espada,

 

este artigo, sobre as antigas universidades de espírito medieval

 

A primeira dessas viagens leva-me de volta aos meus dezasseis anos, quando, em Valença do Minho, não perdi, no mês de Agosto, um episódio de uma série que todas as tardes passava na TVE, retratando a vida de um grupo de estudantes de Direito numa dessas Universidades americanas que menciona, não lembro já se Harvard ou Yale: era tudo tão empolgante que, quando dois anos mais tarde fui para a Clássica de Lisboa, a decepção não poderia ser maior.

A segunda, até Cambridge, já depois de ter visto « Momentos de Glória », quando uma libra me deu direito a visita guiada a alguns dos colégios da Universidade, em tempo de férias escolares. Ver Trinity, e o grande pátio, que Harold Abraham percorre, antes que o relógio da torre dê as doze badaladas, começando aí o sonho da aventura Olimpíada, nos Jogos de 1924.

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Numa altura em que o espírito do antigo reino da Prússia é, mais do que nunca, evocado,

 

revisitar Potsdam, a poucos quilómetros de Berlim, refúgio preferido de Frederico II, O Grande.

É no Neues Palais que mais se sente a presença do grande militar que , ao triunfar na Guerra dos Sete Anos, torna possível o Império Alemão, que irá fazer frente à Áustria dos Habsburgos, ou não fora a construção deste Novo Palácio a forma de celebrar a vitória, o que ficou bem patente na grandiosidade barroca do conjunto de edifícios.

 

Mas a outra faceta deste rei vêmo-la nós no mais modesto e mais antigo Palácio de Sanssouci, onde dava largas ao seu amor pelos livros, pela música, e pelas artes em geral. Compositor com algum mérito – que comprovei no CD que lá adquiri -, não se fazia de rogado para tocar para os seus muitos hóspedes ilustres, como Voltaire, a quem convidava amiúde, na ânsia de deles receber o alimento espiritual que calaria a curiosidade de um génio aberto ao conhecimento e à novidade.

 

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Saudades de Londres ( 5 )

 

Era  o meu primeiro aniversário que ele passava longe; e ele era o meu irmão mais velho, que, no início desse ano, tinha ido estudar para Lisboa. Nesse dia recebi das mãos do senhor Hernani, o carteiro, um envelope amarelo, que ainda hoje guardo, e, dentro dele um postal com umas bailarinas vestidas de azul, retratadas num momento de descanso. No verso da imagem um nome, de que nunca ouvira falar: Degas. Fora ele que mo enviara.

Anos mais tarde, numa ida a Londres, na fila para entrar na National Gallery, vi que, além da exposição permanente, tinha, a troco de umas poucas libras, a possibilidade de visitar uma mostra da obra toda do pintor – claro que não desperdicei a oportunidade, pelo que, dessa vez, muito do tempo passado no museu foi a admirar as suas pinturas, mas também as esculturas que, li no catálogo que acompanhava o bilhete, vinham de vários outros museus, para, no que seria talvez um momento raro, reunir todo o trabalho de uma vida.

No fim, depois de ver a exposição a ele dedicada, pouco tempo sobejou para ver alguma coisa da exposição residente, pelo que pensei ter encontrado um bom pretexto para voltar a Londres.

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O último postal que dele recebi

 

vinha endereçado de lugar mais próximo do que aqueles a que me habituou. Disse-me depois que tinha escolhido outro destino, mas que questões quase de última hora o tinham levado à Andaluzia. Como sempre, muito expressivo o postal, a fazer o roteiro visual dos sítios por onde andara. E eu, que daquela região o mais longe que fui foi a Córdoba, com ele viajei até Granada, Cádis, ou Ronda.

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” O Som do Silêncio” que ” vi ” nesta fotografia

                                  ( esta não fui eu que a tirei, com pena minha )

 

 

de JAA, não o vi eu por paragens escocesas, muito provavelmente porque lá estive no Verão, Estação que, naturalmente, é barulhenta.

Vi-o mais tarde, num fim de Primavera, em Lake District, bem junto dessa mesma Escócia, entre lagos e montanhas, pejadas de florinhas amarelas, a que chamamos campainhas; e como me foi fácil imaginar o encanto que, ao percorrê-las, sentiram  aquelas " três pessoas com uma só alma " – nas palavras de uma delas – , Wordsworth, Cooleridge e Dorothy.

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Eu estive em « Elsinore »,

 

mas não senti a presença de fantasmas a clamar por vinganças, enquanto sussurravam que " algo está podre no reino da Dinamarca ".

O ambiente Shakespeareano, vim encontrá-lo, antes, em « Elsenor », onde, numa casa igualmente grande e fria, num monólogo feito de lágrimas e poesia, um homem vai chorando a podridão do que o rodeia.

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Que há muitas cidades bonitas na Europa,

 

diz a Gi.

Lindas, cheias de História – e como gosto de saber um bocado dessa História quando viajo -, com culturas diferentes, mas que de comum têm sempre a matriz civilizacional, que faz de todas lugares distintos mas de fácil identificação. De nações únicas, num só continente, que riqueza advém dessa diversidade. Uma diversidade que se quer cultural, mas política também. Sem ambições invasivas por parte daquelas que circunstâncias várias tornaram economicamente mais fortes.

Porque as pequenas prezam a sua individualidade, e vemos que muitas delas só abdicam da sua soberania por inteiro à força de chantagens económicas. Triste condição a destas pequenas nações…

É isto que os federalistas não entendem.

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