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Venezuela and the power politics regime

 

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The removal of Nicolás Maduro should be understood less as a dramatic intervention in Venezuela’s internal politics than as a calculated move within a wider contest between great powers. Stripped of its rhetorical framing, the action fits squarely into the logic of geopolitical competition at a time when relations between the United States, Russia, and China are increasingly defined by spheres of influence rather than universal norms. 
 
For years, Venezuela has occupied an anomalous position in the Western Hemisphere. Economically collapsed, diplomatically isolated, and heavily sanctioned, it nonetheless served as a useful foothold for U.S. rivals. Russia leveraged Caracas to project influence close to American territory, combining arms sales, energy cooperation, and intelligence ties to signal that U.S. dominance in its own region could be challenged. China, meanwhile, treated Venezuela as a long-term strategic investment, extending large loans backed by oil exports and embedding itself in the country’s infrastructure in exchange for political alignment. The result was a state of limited internal capacity but outsized geopolitical significance.
 
From Washington’s perspective, this situation was inherently unstable. Great powers may tolerate unfriendly governments abroad, but they rarely accept sustained rival penetration in areas they consider strategically proximate. The move against Maduro therefore resembles a contemporary assertion of hemispheric primacy—less an explicit revival of the Monroe Doctrine than its quiet enforcement under modern conditions. The message is not ideological, but positional: external powers are free to compete globally, but not without consequence in regions where U.S. military and logistical superiority remains overwhelming.
 
The implications for Russia are relatively straightforward. Venezuela offered Moscow a low-cost means of exerting pressure on the United States far from Europe, allowing it to signal global reach while avoiding direct confrontation. Removing that platform narrows Russia’s strategic options and reinforces an implicit boundary in the emerging international order. Ukraine may remain contested terrain, but Latin America does not. This does not decisively shift the global balance, but it forces Russia to concentrate its resources closer to home, where the costs of influence are higher.
 
For China, the episode carries a different lesson. Beijing’s approach to Venezuela was grounded in economic statecraft: capital, infrastructure, and long-term commodity access in exchange for political reliability. The sudden collapse of that arrangement underscores a persistent vulnerability in China’s overseas strategy. Economic leverage, absent security guarantees or decisive local legitimacy, remains exposed to regime change—particularly in regions where the United States retains unmatched coercive capacity. In practical terms, the event reinforces a reality Chinese policymakers already recognize: outside East Asia, political risk remains tightly bound to American power.
 
Donald Trump’s role in this episode is not incidental. His willingness to disregard diplomatic conventions and absorb international criticism lowered the political barriers to decisive action. Where a more traditional administration might have prioritized multilateral consensus or feared precedent-setting consequences, Trump’s approach emphasizes immediate leverage and demonstrable outcomes. Whether this style produces long-term stability is debatable, but it aligns with the prevailing logic of competitive explain the move.
 
None of this suggests the absence of risk. Venezuela’s political disruption carries consequences for regional stability, migration flows, and energy markets, and it invites asymmetric responses elsewhere. More broadly, such actions contribute to the erosion of constraints that once limited overt power projection. Yet these risks are increasingly treated as manageable costs rather than prohibitive barriers in a system where deterrence, signaling, and geographic advantage have regained prominence.
 
Seen in context, the removal of Maduro is less an outlier than part of a broader pattern. Russia asserts itself in its near abroad, China tests the limits of U.S. resolve in maritime Asia, and the United States reinforces its position in the Western Hemisphere. The language of a rules-based order remains, but practice is increasingly shaped by hierarchy and proximity. Influence is defended where it matters most, not where principles are easiest to articulate.
 
In that sense, the episode reflects a reversion rather than a rupture. It illustrates how major powers now act in a world where competition is no longer constrained by post–Cold War optimism. Whether this trend leads to greater stability or deeper fragmentation remains uncertain. What is clear is that power politics, long declared dormant, is once again setting the terms of international behavior.
 
John Wolf, January 4th 2026
 
Ph.D. Law and Security
Nova School of Law, Lisbon

Hemiplegia moral aplicada

Aprecio imenso ver revolucionários esquerdistas tornarem-se assaz legalistas quando está em causa defender uma das suas damas, no caso, Maduro. Não explorando sequer a sempiterna luta entre o poder e o direito, deixem-me relembrar-vos algo que certamente sabem mas que o vosso viés ideológico, para não falar em má-fé, aparentemente olvida: os golpes de Estado e as revoluções criam as suas próprias legitimidade e legalidade. A 24 de Abril de 1974, o Estado Novo era o regime político legalmente em vigor em Portugal. A 25 de Abril, era o regime deposto, ilegítimo e ilegal à luz do novo regime político, cuja legitimidade foi gerada pelo golpe de Estado e cuja legalidade constitucional foi posteriormente consagrada. Isto para dizer que não nascemos ontem e que já está na altura de se esforçarem para apresentar argumentos minimamente válidos, ainda que seja particularmente complicado defender o indefensável – o que não vos tem impedido de defender afincadamente facínoras responsáveis pela morte de milhões de pessoas. De resto, vale sempre a pena recordar estas palavras de Ortega y Gasset: “Ser de esquerda é, como ser de direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, em efeito, são formas da hemiplegia moral.” 

Sobre a violação portuguesa da banana venezuelana

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O ministro dos negócios estrangeiros de Portugal teve uma “conversa dura” com o seu homólogo venezuelano à margem do festival da ONU – ameaçou o acervo jurídico de uma nação inteira. Santos Silva parece ter sido mais aluno de Sócrates e muitos menos de Joana Marques Vidal. Invadindo o domínio jurisdicional da Venezuela, transgredindo territórios de soberania, o menê português demonstra a sua falta de fé no sistema policial e de justiça daquele país, aclamado glorioso e triunfante pelos camaradas revolucionários do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Se os Pingaderos Doceros portugueses daquele país praticaram dumping ou outra modalidade de concorrência desleal, cabe à Venezuela inicar su processo Marquez. Santos Silva parece esquecer que deve proteger os interesses de 250.000 portugueses que pernoitam naquele país em demolição acelerada, e não criar um efeito de bola de neve a partir da deliquência de meia-dúzia de batatas podres. Ou seja, ao querer mostrar serviço e que é patrioso, para consumo doméstico e quiçá para fazer boa figura em Nova Iorque, Santos Silva arrisca ser esmagado por medidas mais drásticas de securitização daquele país. Se Maduro é uma espécie de Putin dos pobres, Santos Silva é o gerente de uma cadeia de supermercados especializada na distribuição de bananas. Por vezes se torna difícil distinguir as repúblicas dos bananas.

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Duas incógnitas.

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1. Naturalmente acossado, o primeiro-ministro tem andado ocupado a apagar os incêndios de imagem que o laxismo e uma certa sobranceira auto-suficiência do seu próprio executivo terá permitido. É uma realidade que não escapa nem aos próprios socialistas que muito mais terão para fazer do que embrenhar-se em desculpas cujos farrapos não cobrirão um só dedo de quem está ao leme da governação. Seria mais simples, digno e credível assumirem os erros que todo o país já compreendeu. Isto é tão válido para os actuais governantes, como para todos os outros do passado e do futuro, pouco interessando o nome do partido.

Dizia António Costa que a reconstrução das segundas casas, ou seja, aquelas que um dia terão dado tecto à infância de portugueses que da terrinha saíram em direcção a paragens mais auspiciosas, têm o seu vital quinhão de importância na manutenção de uma certa identidade de cada um dentro deste exíguo território que é o nacional. Tem ele toda a razão e embora seja evidentemente um escasso pecúlio a apresentação de uma verba de 5.000 Euros para fazer face a despesas que inevitavelmente envolverão as infra-estruturas de cada um das casas, o erguer de muros, o forro de chão, telhados e uma infinidade de detalhes nada  e essenciais à criação de condições de habitabilidade. É a verba possível, é verdade.
Pelo que se vê, habituados a transferências directas através do computador caseiro, uma vez mais não fazem a menor ideia do que são obras em casa. Convenhamos que 5.000 Euros são pouca coisa e deveremos então ficar naquela posição incómoda de nos apercebermos o quão distante estarão os decisores acerca da realidade do dia a dia, dos orçamentos, preços de materiais e da mão de obra nacional que deveria ser bem paga, garantindo a própria sobrevivência da mesma. O que mais impressão causa, é um certo alheamento que não poderá ser desligado de um infinito  conjunto de actividades que facilmente deveria, num Estado interessado e competente, ser politicamente entendido como convém. Neste momento deveria estar o país a ser mobilizado para uma campanha mais vasta, onde os fundos são o ponto essencial de encontro para muitas, senão a maioria, das soluções. É esta a função de um governo, seja ele qual for. Infelizmente tal não tem acontecido ao longo de muitas décadas, vive-se semanalmente, esperando pela sondagem da sexta-feira.

Muita sorte têm aqueles que por cá ou vindos de França, da Alemanha, Bélgica ou Luxemburgo, poderão quando puderem ou quiserem, visitar a terra e com a passagem dos anos, a cada vez mais idealizada casa que os viu nascer. Fica longe? Nem por isso, está apenas a uma distância de poucas horas, pois o sempre sonhado regresso, o retorno, é um mero componente da vontade.

É fácil perceberem o que aqui se escreve.

Exige-se competência e abnegação, não havendo lugar para o tradicional improvisar.

2. Também como conviria, o MNE tem actuado de forma discreta quanto aos portugueses da Venezuela. O correspondente secretário de Estado tem visitado o país com a regularidade possível e finalmente ouvimo-lo declarar diante das televisões, estarem dispostos a incluir no serviço de assistência pública todos os necessitados que a ele acorram. Esperemos então pelos actos que confirmem palavras que não poderão ser vãs devido à reconhecida inércia que caracteriza muitas das políticas públicas que não envolvam a recolecta de dinheiro. Fica no entanto aquela nebulosa situação da presença física dos futuros beneficiários, se permanecem na Venezuela ou serão para alguns desagradável e inevitavelmente transportados para Portugal e não apenas para a Região Autónoma da Madeira. Dourando a pílula, vejam-nos como números que ajudarão a  repovoar algumas zonas do país, assim talvez entendam. 

Dir-se-ia existir a maior relutância quanto à palavra evacuação e mais ainda, refugiados. São mesmo refugiados, a maioria deles em condições deploráveis. Dado o que se sabe acerca da imparável deterioração da situação geral naquele país, aconselhar-se-ia o estabelecimento de um plano sólido que acorra às eventualidades que talvez se precipitem sem anúncio prévio.

Neste caso, também não há lugar para o improviso.

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Os Bisontes

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Confirma-se o dito popular …”querer é poder”. O Estado quis e facilmente pôde.

 

Um Bisonte aterrou em Figo Maduro, segundo se diz. Com ele traz perto de setenta portugueses resgatados da destruição provocada pelo furacão Irma. O Estado fez o que lhe competia e ainda por cima aproveita a oportunidade e martela-nos hora a hora com a gesta salvadora. Debulhados em lágrimas, os familiares esperam-nos e o caso fica resolvido e sem memória futura.

 

Ficámos a saber que é possível proceder a um resgate, dependendo da vontade política. Quantos C-130 tem a Força Aérea Portuguesa para organizar uma ponte aérea que comece desde já a evacuar os milhares de portugueses e luso-descendentes desesperados que definham na Venezuela? 

 

A Força Aérea que dê o exemplo e envie alguém a S. Bento para exigir este serviço. Comecem pelos doentes, idosos, mulheres e crianças. Os homens mais jovens e escorreitos ficarão no fim da bicha.

Ou neste caso o Estado pode mas não quer?

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Sócios-gerentes da Geringonça aumentam pensões

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Dirão eles, sócios-gerentes da Geringonça, que é melhor que nada. Mas em abono da verdade é mais que nada. É mais que zero. É mais que nulo. É mais que inexistente. Mas mais valiam ficarem quietos. Vieira da Silva congratula-se pelo assinalável aumento de pensões de mais de 2 milhões de contribuintes. Incrementos que oscilam entre a unidade de euro e um pouco mais de um trio da divisa. Mas se quer fazer o gosto ao dente, se é bom garfo, fique a saber que também estão consignados 25 cêntimos no que diz respeito ao subsídio de refeição para funcionários públicos. É obra, é uma maravilha. Com tanta folga orçamental, com tanto sucesso fiscal, seria expectável que as subvenções fossem efectivamente palpáveis, melhores. A culpa do desequilíbrio está na encomenda sucessiva de pareceres, estudos prévios e festivais da canção. Os 25 cêntimos rimam com o tecto falso dos 25 mil euros da fasquia automóvel – poesia. O subsídio de refeição, conferem eles, estava congelado há mais de 9 anos. Mais valia que assim ficasse. No frio, fossilizado. Agora podeis ir de férias descansados. A segurança financeira está assegurada. A Geringonça é um mãos largas.

De Magalhães a Maduro

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O Governo da República de Portugal está de consciência tranquila em relação à Venezuela. Aliás, não convém nada uma mudança de regime. Não seria nada conveniente instigar um processo democrático que resultasse no afastamento de Maduro. Os socialistas portugueses, independentemente de pareceres da União Europeia (UE), não vêem com bons olhos uma crise profunda que abane o “status quo” daquela realidade. Referem um regresso à normalidade constitucional quando o que aquele país precisa é de um levantamento popular que afaste o ditador socialista Maduro e que o julgue por crimes cometidos contra o seu povo e opositores políticos. E este estado de arte política coloca Portugal numa situação particularmente difícil. São mais de 400 mil portugueses com residência na Venezuela, ao que se somam mais de um milhão e meio de luso-descendentes. A haver um processo de “descolonização” resultante de uma revolução democrática na Venezuela, Portugal terá de ter um programa de repatriamento de nacionais, um conceito operativo para lidar com os “retornados”. Para já sacodem a água do capote afirmando que os que têm saído da Venezuela preferem Espanha devido às afinidades linguísticas, mas sabemos que quando a crise ganhar contornos mais intensos, outras valias, de índole jurídica, far-se-ão valer. Quando Santos Silva diz que não aceita os resultados das eleições, está de facto a fazer ouvidos de mercador, a fingir, a ser politicamente correcto, mas a mentir com os dentes todos. A geringonça é adepta de Maduro, como outros foram de Chavéz e dos Magalhães – aqueles PC – a verdadeira maravilha do engenheiro das amizades duvidosas.

Finalmente, alguma acção visível

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 O governo, bem, há que dizê-lo, resolveu tornar mais visível o programa de acolhimento de refugiados da Venezuela. Mais vale tarde do que nunca, é o que se diz nestes casos.

Nem teria sequer outra opção, apenas cumpre aquilo a que se comprometeu constitucionalmente. Basta agora convencerem quem para Portugal queira vir, a estabelecer-se no continente onde existem mais capacidades de integração, mais oferta e espaço.

Criem-se então as condições, as linhas de crédito, os alojamentos a obrigatoriamente serem cedidos pela banca intervencionada pelo Estado – possui milhares de casas em carteira -, as escolas para os filhos e os médicos de família. A questão da saúde será talvez a mais urgente.

Talvez assim mitiguem o opróbrio que sobre o esquema vigente caiu após certas coisas das quais foi e ainda é o único responsável. Em suma, uma forma indirecta de pedir desculpas a quem, mesmo passadas algumas décadas, ainda não se esqueceu.
Organize o governo uma campanha de angariação de boas vontades a título gratuito e logo verão os voluntários que se apresentarão. Aqui estará um deles.

* Não se esqueçam de accionar as linhas de auxílio gizadas em Bruxelas para este fim que é precisamente idêntico a outros.

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De novo, a mesma história

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 Repete-se conto por conto, família a família, desgraça a desgraça. Sem uma única novidade, eis que desfilam caras que podem credivelmente repetir outras de há umas tantas décadas ainda filmadas a preto e branco. Os arquivos contêm quilómetros de filmes guardados e impossíveis de mostrar pela crua violência. Percebe-se a razão para tal desfaçatez. Agora ainda podem fazê-lo de forma mitigada, mas a sociedade e a tecnologia disponível são diferentes e a primeira, mais atenta, envergonhada e miraculosamente dada a causas, dispõe dos meios que para supremo azar de quem pode ordenar, desta vez não deixará passar em claro.

O governo estará a fazer o que todos deveríamos esperar? Talvez, concedamos então o privilégio da incógnita, mas conhecendo a natureza dos políticos do regime, todos eles e sem excepção numa assentada, é cada vez mais duvidoso, para não dizer impossível. Sabemos que o caso Venezuela é melindroso, requer gigantescas cautelas e exige ainda mais cuidados do que o precedente que abrangia uma série de territórios portugueses espalhados por três continentes, cujo abandono apenas pode ser imputado a Lisboa e à sua desnecessária e abusiva rendição incondicional.

A Venezuela é um Estado soberano e facilmente poderá retaliar da pior maneira, bastando para isso o descarado e cada vez mais carnavalesco aprendiz de ditador fazer um daqueles discursos atabalhoados que nem o próprio Chávez ousaria. Soltará facilmente o ódio homicida pelas calles e isso o MNE sabe tão bem quanto a generalidade dos cada vez mais aterrorizados interessados.

Anda este blog a avisar esta certeza há pelo menos dois anos. Urgia fazer os inevitáveis preparativos, mas o encolher de ombros foi a norma, preferindo-se outras prioridades relativamente ingratas, como o país comprovou e eles sabem que nós sabemos.

Avisos sem resultado aparente, embora tenhamos tomado conhecimento de alguns textos passarem pelas secretarias de Estado correspondentes a este tipo de assuntos desagradáveis.

Já não podem ocultar sem escândalo público. Pelo que ouvimos hoje no telejornal da SIC que se deu ao extenuante e inglório trabalho de conceder meia hora de atenção a uns tantos casos relativamente felizes quando comparados com outros, podemos então imaginar o que estará vergonhosamente escondido, as imagens de gente idosa e semi esfarrapada a vaguear pelas ruas madeirenses e a suplicar por uma malga de sopa, numa recriação da famosa cena do filme Oliver Twist dos anos sessenta e o bem conhecido, please Sir, I want some more! Se a SIC transmitiu esta reportagem, é porque se trata de um problema piramidal, imenso e esmagador.

Paradoxalmente ou não, o número de pobres coitados vai diminuindo na contabilidade conta-cabeças por conveniência. Há uns tempos eram um milhão, agora apenas metade ou ainda menos. Parabéns pelo esforço, é o que nos é possível resmungar em incontida revolta.

Já vimos disto antes e agora, em pleno século XXI e perfeitamente conhecidos os factos que nos chegaram em fracção mitigada, repetem ponto por ponto o que sucedeu. O mesmo deixa andar, os mesmos terrores ideológicos retirados de cartilhas que superficialmente conhecem através de umas tantas citações, os mesmos delíquios laxistas e entre outras torpezas, a mesma extrema cautela para não ofender quem deve ser chamado à atenção que nem por sombras merece.

Já vimos disto, na verdade. A história repete-se, contrariando os insuportavelmente arrogantes partisans easy jet-set burgueses do politicamente correcto, provavelmente mais preocupados com as suas férias de verão num resort qualquer. Nem lhes passa pela cabeça o facto de estarem a ser aquilo que desbocada e alegadamente mais detestam: gente má e cruel.

O próximo assunto que se segue? O dossier África do Sul.

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