(fotografia roubada ao Miguel Castelo-Branco)
A Identidade Cultural Europeia:
“Pelo menos para aquilo a que podemos chamar a herança do Cristianismo, não falando aqui das teocracias e dos fundamentalismos não europeus, a religião já não impregna o quotidiano e provavelmente, enquanto tal, já não tem um papel estruturante da nossa visão do mundo e ainda menos o tem na configuração política das nossas sociedades. Mas os valores de humanidade que a mensagem cristã propugnou continuam a caracterizar predominantemente o quadro europeu e as sociedades que dele derivaram, cuja matriz cristã, entre a laicidade e a democracia, é inegável e não deixa de fecundar uma e outra. E depois sempre se poderá perguntar: terá desaparecido a ânsia de transcendência e de absoluto? Ou não se terá ela deslocado, por via da laicização, para uma espécie de “divinização” do humano no plano do individualismo e da subjectividade?”

