Sócrates está contente e orgulhoso com a criação de 1200 postos de trabalho em Santo Tirso. 1200 postos de trabalho num call center da PT. Esta demagogia populista é extremamente irritante. Ana Margarida Craveiro coloca bem a questão, a anestesia está a prolongar-se, quando o trabalho temporário é assim elevado à categoria de medida de emprego futuro.

 

Até ao início deste mês trabalhei pela primeira vez num desses call centers da capital, no caso o de assistência técnica às placas de banda larga (que de banda larga tem muito pouco…) da TMN. Desde as relações entre colegas, jantares e saídas sempre com os mesmos, intriguices e coscuvilhices num ambiente mais de escola primária do que profissional, passando pelos clientes chatos, teimosos e muitos deles estúpidos, sem contar com o prazer que é trabalhar ao lado de gente muito estranha saída directamente da Twilight Zone, que na sua maioria só tem o 9.º ou o 12.º ano e ganha o mesmo (pouco…) que estudantes universitários ou licenciados, ou ainda com as excelentes (note-se o tom irónico) condições de trabalho que implicam um computador e um telefone num cubículo em tarefas mecânicas e repetitivas, com a devida pressão por se chegar 1 ou 2 minutos atrasado que implica logo a marcação de falta e devido desconto no ordenado (já se si baixo), não haja dúvida, é uma maravilha trabalhar num call center.

 

Felizmente que já só me falta um ano para concluir a licenciatura, mas por enquanto, já agora, aceitam-se ofertas de emprego para part-time de manhã. Contactar por e-mail por favor. Se for para call center não vale a pena dar-se ao trabalho.

 

Entretanto, se tudo correr bem, espero no próximo ano por esta altura já estar fora do país…