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Hoje José Sócrates na inauguração do túnel do Marão, amanhã Paulo Pedroso na abertura de um centro de estágios para jovens. Já tinhamos indícios da estirpe ética e moral de António Costa, mas agora sabemos, de um modo inequívoco, que um processo de limpeza político e judicial está em curso. Um primeiro-ministro (auto-sacado a ferros!) não pode arrastar um arguido para uma cerimónia do domínio da soberania de Estado. Ao realizá-lo implica uma nação inteira num processo de submissão do sistema de justiça e seus trâmites processuais. Mina os alicerces de um Estado de Direito. Goza com os portugueses. Faz pouco dos tribunais. Arrasta para a lama o nome de Portugal e apropria-se da política como se também fosse dono da lei que é inexistente. Certamente que haverão muitas mais obras (algumas intensamente questionáveis) que foram lançadas durante o consulado de José Sócrates. Porquê o túnel do Marão? Porque será o evento perfeito para António Costa esfregar a sua arrogância na quase totalidade do espectro político e partidário de Portugal dos últimos 8 anos. Se eu fosse um dos outros convidados, recusava sentar-me à mesa com alguém sobre o qual recaem intensas suspeições de ter roubado um país. A cerimónia oficial, na sua acepção de Estado, sai enfraquecida com o convite que António Costa endereça a José Sócrates. À falta de uma lei clara a este respeito – que determinasse a abstenção compulsiva de ex-titulares de cargos públicos em cerimónias oficiais (de arguidos em processos judiciais)  -, deveria imperar um intenso sentido ético. E o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português onde andam? Fazem parte do acordo de geringonça? Então deveriam pronunciar-se sobre a guest list de António Costa. Mas não os vejo em parte alguma. O túnel é a obra pública perfeita para enfiar muita coisa. Portugal sai mal na fotografia tirada por António Costa, mas ele quer lá saber.