As imagens que a imprensa internacional não explica. Por todo o mundo, a diáspora iraniana sai à rua em protesto, ostentando a bandeira imperial dos Pahlevi. As televisões foram unânimes na difusão das imagens de manifestantes visivelmente emocionados e que são partidários da instauração de um modelo político que nas palavras de Reza Ciro, aproximar-se-ia do sistema constitucional espanhol. Berlim, Londres, Paris, Washington, Nova Iorque tiveram ontem o seu dia de protesto que não pode ter passado despercebido às autoridades ainda no poder em Teerão. Estes exilados têm uma certa influência no exterior, sendo gente academicamente qualificada e partidária da completa separação entre a mesquita e o Estado. Um verdadeiro quebra-cabeças para os analistas políticos ocidentais, sempre avessos à compreensão das realidades históricas e sociais extra-europeias.
Entretanto, o regime dos aiatolás recebeu mais apoios na cena internacional. O senhor Hugo Chávez da Venezuela apelou à resistência da "revolução iraniana", numa já esperada reacção de uma das figuras ditatoriais mais em evidência. O segundo apoio, mesmo que indirecto, veio nas palavras do senhor Trichet, o presidente do Banco Europeu, alertando contra "a desestabilização no Irão que será susceptível de agravar a crise económica internacional". Esta caricatura de potência virtual chamada "Europa", parece enviar ao resto do mundo, a mais clara e inequívoca prova de fraqueza que denuncia o medo e pior que tudo, a cupidez que se sobrepõe aos tão apregoados valores da liberdade. Seria interessante saber se esta opinião é extensiva à Comissão Europeia, ou se resulta apenas de mais uma das características excentricidades da França, tradicionalmente a campeã das gaffes em matéria de política internacional. Aguardemos a reacção de Barroso.
