novas que pura e simplesmente fazem-me pensar se os deuses não estarão irremediavelmente loucos. O mais espantoso é averiguar a total e inaudita ausência de menção na imprensa nacional a mais este sucesso da eurocracia tresloucada. Como se isto fosse normal, aceitável, ou, por que não, exemplar. A ladeira que está a conduzir-nos ao autoritarismo dos bonzos pseudo-iluminados da eurocracia ameaça tornar-se insuportável. O Tribunal de Justiça da União Europeia, instituição judicial pouco dada a arrufos juvenis, encarreirou pela via da criminalização da dissensão opinativa, determinando, numa prosa sibilina e pouco burilada, que doravante a Comissão poderá restringir as diferenças de opinião que coloquem em causa a imagem e reputação das instituições europeias. Ou seja, dito de outro modo, daqui em diante calem as vossas discordâncias a propósito da política europeia, mais, se houver alguém dentre vós que venha a estar num dia não muito distante em posição de assumir algum cargo ligado à arquitectura institucional europeia, fique desde já sabendo que terá forçosamente de silenciar as suas divergências em relação à linha seguida pela eurocracia. O insurgente Filipe Faria descreveu bem a coisa perguntando se as prisões europeias teriam espaço suficiente para acolher os potenciais trânsfugas. Cura-se aqui de defender a liberdade dos eternos idealizadores das utopias infernais centralizadoras. Utopias que não cabem mais, se é que algum dia couberam, neste mundo desidentificado. 

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