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O fel nunca foi bom conselheiro

«No tempo de António Guterres estavam em discussão duas linhas: Lisboa/Porto/Vigo e Lisboa/Porto/Madrid. Mas na cimeira luso-espanhola da Figueira da Foz em 2003, Durão Barroso e José Maria Aznar aprovaram as ligações Lisboa/Madrid e Porto/Vigo até 2010, Lisboa/Porto até 2013, e Aveiro/Salamanca até 2015. Condicionada a mais estudos ficava a quinta ligação, entre Faro e Huelva. O investimento totalizava nove mil milhões de euros, apenas em infra-estrutura, foi aprovado por proposta do então ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues. Na altura, Manuela Ferreira Leite era a ministra das Finanças e de Estado, considerada o número dois do Governo liderado por Durão Barroso, e não se lhe conhecem críticas públicas à decisão.»


Nas tribos primitivas é que uma das referências da comunidade é o feiticeiro ou a bruxa, figura reverenciada mais por temor do oculto do que por competência reconhecida, cujas leituras em entranhas ou interpretações das trovoadas são tidas como ciência exacta e condicionantes de todas as grandes opiniões e decisões.

Já vai sendo tempo de muita gente no PSD (e fora dele) evoluir para a Pós-História.

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Ainda o TGVê-se

A saga TGV ainda dará muito pano para mangas, umas de alpaca e outras de prestigitador. O governo afiança agora tratar-se de um assunto de mercadorias destinadas à Europa. O que não explica é a forma a adoptar para a sensibilização dos espanhóis. Sabendo-se que as autoridades têm em mente o desenvolvimento do porto de Sines, não será muito difícil adivinharms os obstáculos que os nossos vizinhos colocarão quanto às ligações e passagem pelo seu território. Alguém poderá explicar como poderá ser executado tal projecto?

 

Entretanto, o inefável Costas das demolições já abertamente assume a sua condição de advogado do diabo

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Uma rave party chamada TGV

Devo ser mesmo burro. Devo ser um passageiro muito ingénuo. Não sei se estou a perceber bem. Fizeram um projecto para um comboio veloz, pediram guito emprestado a um amigo que ofereceu condições especiais. Decidiram acabar com a ideia do comboio, mas ficáram com o dinheiro que vai ser utilizado para pagar a dívida de um agarrado. Sim – agarrado -, quase que significa holding em Inglês! É isso? Então para começar também quero encomendar uma locomotiva. Deêm-me a massa e depois eu digo, pois e tal, afinal tenho aqui umas facturas para liquidar e como tal já não quero o comboio, mas o dinheiro dá mesmo jeito. Pelo que leio, a enfâse é colocada nas boas condições de crédito. Nas boas condições de crédito? Estão a gozar? Será que isso é argumento bastante para justificar seja o que fôr? Agora já falam em comboio de mercadorias de alta-velocidade. Que eu saiba, só pelo facto do material chegar mais depressa, não significa que a economia e o emprego também acelerem. A lógica de linhas estendidas tem de ser analisada. Não ouvimos outros chefes de estação em mandatos anteriores virem com este paleio? Não é verdade que a grande obra pública, que constitui o lançamento de uma linha de alta velocidade, significa também privilegiar certos grupos económicos? Distribuir carris pelos amigos? Pergunto quantos empregos serão gerados e de que forma um mero meio de transporte pode salvar um país? A alvorada da revolução industrial já foi há séculos e Portugal, à época, também perdeu esse comboio. Olho para esta conversa política do vai não vai, como se fosse um entroncamento que divide as hostes em Portugal. Este tipo de projecto não reúne os ingredientes necessários para galvanizar os Portugueses em torno da ideia de desígnio nacional. Antes de instalarem a canalização, tem de se saber o que vai ser fornecido. Será que a velocidade das exportações Portuguesas tem relação com o volume e qualidade das mesmas? A União Europeia tem vendido esta ideia ao longo dos anos. Mas os anos mudáram. A crise tornou-nos mais lentos. Estamos junto de apeadeiros e querem vender-nos  algo alucinante e muito caro, uma festa chamada RAVE.

Empreitadas troikadas

Eu cria, ingenuamente, que os nossos socialistas eram os maiores adeptos em solo nacional do “capitalismo empreiteiro”, com a excepção, vá, de Cavaco e de Ferreira do Amaral, mas afinal enganei-me. Vítor Gaspar aderiu, ao que parece, às virtudes desse ecossistema financista. Quem diria, não é? O mago das finanças convertido aos delíquios que tramaram Sócrates. O que se seguirá? Um novo aeroporto em Serpa ou em Trancoso? Uma autoestrada entre Cabeceiras de Basto e Carrazeda de Ansiães? Caros portugueses, bem-vindos ao mundo encantado das obras públicas troikadas, com a chancela do Gasparzinho. Há interesses que não desarmam. Cruzes credo.

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Já que vem aí o TGV (travestido) de novo, ao menos façam as coisas bem feitas

Recordando um artigo por mim publicado em 11 de Maio de 2010 no Corta-Fitas:

Já que querem gastar dinheiro, ao menos façam as coisas bem feitas. São só mais uns quilometrozinhos, Engºs Mendonça e Sócrates até ao Pinhal Novo. Custa tanto a perceber o que se ganha com isso, poupando dinheiro e tempo às pessoas? Tudo isto para daqui a alguns meses nos virem dar razão como sucedeu com a OTA…

A estação do Pinhal Novo está a menos de meia hora de carro ou de comboio do centro de Lisboa. Para passageiros com destino à parte ocidental de Lisboa, à costa Sul ou ao Algarve, esta solução será muito mais vantajosa. Basta trazer o TGV do Poceirão ao Pinhal Novo para se poupar 2 mil milhões de Euros da ligação a Lisboa. São mais 14 quilómetros de linha de TGV que, no máximo, custarão apenas 40 a 45 milhões de euros. As duas localidades já estão ligadas por uma linha férrea tradicional, quase em linha recta, de tal maneira que do Pinhal Novo se podem ver os silos do Poceirão. Também aqui há largura de canal para construir as duas linhas linhas do TGV sem grandes expropriações.

A obra é quarenta e cinco vezes mais barata do que a Ponte sobre o Tejo. Assim, um passageiro que venha de Madrid demorará 2h45 minutos a chegar a Lisboa, se o comboio for directo, e apenas 2h33 a chegar ao Pinhal Novo. Menos 12 minutos. Para chegar à estação de Entrecampos, no centro de Lisboa, um passageiro que desembarque no Oriente demorará 22 minutos, 10 minutos do percurso Oriente / Entrecampos mais os 12 minutos que já vimos gastar a mais entre o Pinhal Novo e o Oriente. Ora a ligação directa da Fertagus entre o Pinhal Novo e Entrecampos faz-se em 30 minutos. São só oito minutos de diferença, mas custam 2 mil milhões de euros. Se o Pinhal Novo for utilizado como terminal do TGV ganha toda a zona Sul do País e em particular ganha o turismo do Algarve, que não tem ligações directas a Madrid.

Num projecto tão cheio de “especialistas”, é assim tão difícil de entender? Arre…”

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Governo e “viver habitualmente”

Já cientes dos mensalões outorgados aos comparsas de viagem nas ex-empresas públicas, já saciados de notícia diz-desdiz via promessas eleitorais e ainda com o pestilencial 5 de Outubro debaixo das narinas, eis que voltamos aos métodos que todos abominavam no executivo de Sócrates. É mesmo verdade, estes arrelvados fulanos que de motas saltam a correr para limusinas, estes fedúncios que nos juraram enterrar de vez o famigerado TGV, aí estão novamente em toda a sua duplicidade, já tencionando apresentar o tal caminho de ferro da ruína, como coisa deveras necessária.

 

Não se iludam estes jardineiros de campos de golfe, pois as “comissões de obra” devem ter sido há muito atribuídas, daí o espernear dos antecessores, aflitos com as chantagens vindas da “Europa”. Dali espremerão muito pouco, talvez uns lugares de gestão, como é costume.

 

A isto se chama “viver habitualmente”, como dizia o outro. 

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Quando não há a noção do ridículo

Governo estuda TGV em via única para cortar custo do projecto

A ser verdade é mais uma originalidade portuguesa. Mas daquelas que, francamente, se dispensa, De acordo com o jornal Público de hoje, o Governo está a estudar cenários para reduzir a participação do Estado no projecto da alta velocidade, mas já decidiu que este é para avançar pois, se o não fizer, haverá pagamento de indemnizações e perda de fundos comunitários.

A pressão internacional, tanto de Madrid como de Bruxelas, também pesou na decisão de mandar prosseguir com o TGV, embora se ensaie agora uma solução mais barata que permita salvar a face a Passos Coelho, que, durante a campanha eleitoral, era um feroz opositor do projecto.
De acordo com várias fontes ligadas ao processo, o cenário mais provável neste momento torna Portugal no primeiro país do mundo que terá um TGV em via única – em vez de uma via ascendente e outra descendente para que os comboios circulem nos dois sentidos, far-se-á uma linha de via única entre o Caia e Poceirão, com um pequeno troço em via dupla, entre Évora e Vendas Novas, para permitir cruzamentos.

Para além da triste e hilariante originalidade, de novo presente está o erro de manter a história do Poceirão quando há uma estação novinha em folha já feita: o PINHAL NOVO.

E, já agora, não se esqueçam de colocar uma cancela de abertura manual…

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TGVêzada

Os espanhóis dizem que a sua linha de TGV em direcção à fronteira portuguesa, continua a ser construída a toda a velocidade. Pois assim bem podem esfalfar-se a “todo o vapor”, tomando nota de por cá nem sequer querermos saber do caso, excluindo o caso de um ou outro alucinado*. Dado estarmos numa véspera bem britânica, simplesmente perguntamos:

 

Who cares?!

 

* Até já andam por aí umas más línguas insinuando que estas obsessões, se devem à necessidade de cumprir com acordos que meteram luvas até aos cotovelos. Será?

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Não há pão para malucos!

Acabou-se o “grande desígnio ibérico”. Felizmente para Portugal e para os bolsos dos contribuintes, a FIFA, uma organização de duvidosa lisura, acabou por outorgar a organização do Mundial de 2018 à Rússia. Bem vistas as coisas, tal decisão consiste numa boa notícia.

 

Ao contrário daquilo que os “observadores” têm tentado transmitir à população, a organização do campeonato não seria gratuita. Ficando com apenas 1/3 dos jogos e nem sequer com a cerimónia de inauguração, Portugal estaria ao nível de qualquer província espanhola, completamente subalternizado e claro está, obrigado a garantir mais infra-estruturas necessárias para o bom funcionamento da prova. A “república” tinha a derradeira oportunidade das “favas contadas”, preparando-se para exigir a rápida construção do TGV dos “adiantamentos comissionistas”, além da terceira ponte sobre o Tejo e outras loucuras do estilo. Havia até, quem se preparasse para um longo período de “modernizações”, melhoramentos e ampliações” de estádios, auto-estradas, terminais e outros bem conhecidos vaporizadores de dinheiro emprestado.

 

Ibérico? Fiquem-se pelo jamón.

 

Não haverá qualquer motivo para mais “patriotismo esférico”, nem sequer para mais encomendas da desastrosa medonha às fábricas de Cantão. O processo de alienação terá de fazer uma pausa, mas quanto a este aspecto, estamos todos bem cientes da prodigiosa imaginação da gente que comanda. Sempre encontrarão algo que distraia as atenções.

 

Uma excelente notícia! Em suma, “não há pão para malucos”…

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