Esta tarde, o voto de pesar pela morte de Soljenitsnin,  propiciou uma sumarenta troca de palavras entre Telmo Correia – o proponente da moção – e Bernardino Gomes, neste caso, o ultrajado deputado do PC.

 

Trinta e três anos decorridos desde a estrepitosa queda da aventura terceiro-mundista do gonçalvismo, espanta ainda a capacidade de descaramento, falta de juízo, e principalmente, de pesporrenta arrogância dos antigos representantes do PCUS em Portugal. O desplante atingiu uma dimensão sideral, quando exactamente o mesmo partido veio a terreiro apoiar um indivíduo como Karadzic. Os donos de 8% do eleitorado e pretensos ditadores do politicamente correcto impingindo por uma cáfila intelectual de semi-analfabetos bem instalados nas suas mordomias, atreve-se a desculpabilizar  abertamente um orgulhosamente assumido criminoso de guerra, cujo currículo decerto poderá equivaler a outros "heróis da União Soviética" que se celebrizaram nos tempos de Iezhov ou Béria.  O partido comunista é abertamente estalinista e disso ninguém duvida, dentro e fora de portas. A argumentação de Bernardino* procurou dirigir um vichinskyano dedo acusador ao falecido escritor, denunciando-o como um homem que apelou à intervenção estrangeira em Portugal. Percebe-se que esse apelo terá sido proferido durante o verão quente de 75, quando 80% dos portugueses secretamente o desejavam, vendo em cada esquadra da NATO de visita a Lisboa, uma mensagem de apoio e de resistência às veleidades de uma trupe de gente sem qualquer tipo de classificação possível. Soljenitsin  sabia do que falava, conhecia as manhas, a felonia, a feroz tenacidade trucidadora da máquina. Sofreu às mãos das bestas que empurraram para o indizível horror gelado, dezenas de milhões de inocentes, por mero capricho, sanha destruidora e refinada maldade.

 

Risível foi o momento em que Bernardino dizia em tom recriminatório que "compreendia que Correia fosse anticomunista"… Na verdade, nunca compreendeu o porquê da razão da quase unânime reprovação da religião vermelha. É que ao contrário daquilo que o p.c. pensa, diz e propagandeia, vergonhoso não é ser anticomunista, mas a simples atitude de assumir essa condição, coloca claramente toda uma série de questões pertinentes no que se refere à sanidade mental dos seus reivindicadores. Dado o vastíssimo conhecimento das malfeitorias da sua sangrenta carreira mundial, pior que uma anormalidade, é de facto uma aberração, um insulto aos que sofreram, foram explorados e esmagados de forma iníqua.

 

O  voto passou, com a unanimidade daqueles que sabem instintivamente, aquilo que os indignados palradores do p.c. lhes teriam reservado em caso de sucesso do projecto totalitário. Uma vez mais, o p.c. falou a sua verdade. É que temos de reconhecer,  jamais usou máscara alguma. Assumiu sempre e de forma orgulhosa, a traição, duplicidade e canalhice mais rasteira. Estão de parabéns pela coerência.

 

*O BE, ridículo e ínfimo penduricalho burguês, associou-se ao p.c. 

 

 

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