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Da comunidade

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Charles Taylor, “Interpretation and the Sciences of Man”: 

Common meanings are the basis of community. Intersubjective meaning gives a people a common language to talk about social reality and a common understanding of certain norms, but only with common meanings does this common reference world contain significant common actions, celebrations, and feelings. These are objects in the world that everybody shares. This is what makes community.

(…)

Common meanings, as well as intersubjective ones, fall through the net of mainstream social science. They can find no place in its categories. For they are not simply a converging set of subjective reactions, but part of the common world. What the ontology of mainstream social science lacks is the notion of meaning as not simply for an individual subject; of a subject who can be a “we” as well as an “I.” The exclusion of this possibility, of the communal, comes once again from the baleful influence of the epistemological tradition for which all knowledge has to reconstructed from the impressions imprinted on the individual subject. But if we free ourselves from the hold of these prejudices, this seems a wildly implausible view about the development of human consciousness; we are aware of the world through a “we” before we are through and “I.” Hence we need the distinction between what is just shared in the sense that each of us has it in our individual worlds, and that which is in the common world. But the very idea of something which is in the common world in contradistinction to what is in all the individual worlds is totally opaque to empiricist epistemology.

Primeira intervenção no Estado Sentido

 

 

 

    Minto se disser que não sinto um peso enorme nos ombros, é uma grande honra para mim poder fazer parte desta família que é o Estado Sentido.

    Agradeço desde já ao Samuel pela introdução, amizade e voto de confiança que tem tido para comigo, não só em relação ao convite para o blogue mas também em todas as situações desde que cheguei a Lisboa. À Cristina e ao Nuno um grande obrigado pela hospitalidade e simpatia que demonstraram, espero poder ser uma mais-valia aqui.

 

Siga com o primeiro post;

 

 

    No dia 13 de Setembro deste ano de 2008, sentei-me nas escadas frias (sim, são frias o ano todo) do Santuário de Fátima, apesar de não ser religioso, sempre gostei de me sentar ali a ver os transeuntes de olhares secos como quem procura refúgio. Apesar de parecer um cenário deprimente, acaba por ser uma boa fonte de inspiração para um poeta (sim, não são só os médicos, advogados e cangalheiros que se safam à conta do mal dos outros).

Peguei no meu caderno negro e escrevi um poema, curiosamente chamado Sentido (sem estado como é obvio). Soava assim:

 

Encosta-te bem na cadeira,

Não pares de ler

Aconteça o que acontecer.

Estala os dedos das mãos se isso te alivia o stress,

Não precisas de encolher a barriga.

Não tenhas complexos de mim,

Somos amigos, certo?

Ainda bem.

(Descansa um pouco os olhos)

Volta a olhar,

Volta a ler.

Não deixes que nada te perturbe agora

Deixa-me ser o senhor da tua atenção uns minutos

Sei que não gostas de ler poemas tão pouco ritmados

Mas isso resolve-se

Agonia rima com folia

Avareza com beleza

Gostaste?

Ainda bem.

Tenho um segredo para te contar…

Prometes que não dizes a ninguém?

Estou a confiar em ti, posso?

Ainda bem.

(inspira e expira duas vezes)

Descobri o sentido da vida.

Queres que te conte?

É muito complicado contar-te isto,

Porque não sei se quero partilhar

Algo de tão importante.

Mas como somos amigos…

Junta aqui para te dizer ao ouvido,

Junta-te rápido!

Obrigado.

O sentido da vida é o que não é…

(Como assim?)

Descobri o que era o sentido da vida quando consegui não pensar na vida

Quando finalmente me abstraí do que é andar no mundo.

O sentido da vida é o orgasmo mental.

Queres que te ensine?

Abstrai-te do corpo,

Sente-te em plena nudez,

Esquece tudo o que é material;

Volta à origem,

Ao contacto com a infinita natureza

Que vez todos os dias

E que todos os dias ignoras…

Pensa em quem amas,

Mas sem te esforçares.

O que vez?

Branco, negro, azul?

Um dia perguntei a alguém o cheiro dos sonhos.

A resposta foi que cheiravam a rosas,

Durante um tempo pensei que ela estava certa,

Só depois descobri que os sonhos

Têm o cheiro que lhes queremos dar.

O sentido da vida é o sonho

O sentido da vida é o que não é.

Chega-te de novo para a cadeira.

Olha à tua volta!

Vê o mundo que perdeste enquanto lias.

Sorri, chora, faz o que quiseres.

Desde que sonhes…

 

       Bem Haja

 

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