Boa noite.
Uma definição de insanidade é fazer infinitas vezes a mesma coisa esperando obter resultados diferentes. Eu concordo com esta formulação.
Descontemos o facto, certo e sabido, de haver uma sólida fatia de votantes que o são em causa própria, directamente, por mercê de benefícios que esperam obter através do concubinato com os partidos políticos. Estes estão quase arrumados, por haver cada vez menos dinheiro a cair do céu. Resta-lhes o nosso, que nos é subtraído por via da taxação – uma forma de roubo – mas também esse se esvai.
Há outros que ainda votam por ingenuidade, e uns quantos, maioritários, que se recusam a participar na farsa.
Aos últimos dirijo este post.
Durante quantos anos será preciso ver telejornais que abrem com manchetes similares a
– afinal não é este ano que a recessão acaba
– estado cobrou mais impostos, mas gastou mais dinheiro
– PS diz que sim, PSD diz que não, o Sporting empatou, Kapinha foi agredido
– gestor vindo da empresa XX, militante no partido yy, contratado por dez mil euros
– suicídios aumentam, abortos aumentam, emigração aumenta, casal idoso assaltado e espancado com barra de ferro
– alunos do nono ano não sabem ler
– nova telenovela estreia amanhã, episódio triplo, não perca
– 90% dos deputados têm outros rendimentos e raramente comparecem na AR
– há um milhão de desempregados, “mas podíamos estar pior”
– há fome e pavor, “mas dantes era pior”
Podia prosseguir, mas não consigo.
Falta-me uma peça crucial à continuidade deste exercício: não sei se sois cobardes ou simplesmente incapazes de compreender o inferno que criastes.