Uma autarquia, no quadro das suas pretensas atribuições, financia o aluguer de sete autocarros, utilizados posteriormente numa manifestação sindical. Inquirida sobre este episódio, a respectiva Câmara – refiro-me, para quem não sabe, à Câmara do Seixal – respondeu sustentando que, passo a citar, “este apoio não é uma despesa, mas sim um investimento, na medida em que o benefício gerado junto da comunidade municipal será muito superior ao seu valor monetário”. Ou seja, (e aproveito desde já para confessar a minha recém-descoberta ignorância nestes assuntos), ficámos a saber, nós, contribuintes que contribuímos para estas despesas indispensáveis, que financiar despesas sindicais – que, num país civilizado, claro está, seriam financiadas pelas quotizações dos filiados – é um investimento reprodutivo, com óbvias implicações – positivas, note-se – na comunidade. Portanto, caríssimos leitores, chegou a hora de nós, cidadãos abastados, apoiarmos, sem reservas, o financiamento municipal dos sindicatos, dado que é um investimento com múltiplos benefícios para a colectividade, desde logo na folia que, naturalmente, a viagem em autocarros proporciona aos viandantes grevistas. Deixando, agora, de lado a ironia, só me ocorre dizer isto: a rebaldaria financeira chegou ao ponto de autarquias municipais financiarem gastos correntes dos sindicatos, com o argumento do investimento público? Mas que brincadeira é esta? A culpa irá, novamente, morrer solteira?

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