Etiqueta: presidenciais (Page 1 of 8)

O vote appeal de Seguro

jporfirio-apres-antonio-jose-seguro-pr-15-06-01-37

Se votasse cá, seria no António José Seguro. Passo a explicar em resumidas palavras. Mas vamos por partes. Depois de dois mandatos histeriónicos, em versão benigna de populismo, multiplicados pelo dom da ubiquidade do gelado na testa e da feira do livro, os portugueses estão saudosistas da serenidade e do recato, da temperança e da discrição. Os portugueses estão de ressaca. Não se trata de casas ideológicas ou causas partidárias. Quando olho para Seguro vejo o Partido Socialista (PS). Vejo o PS de António Costa, e o próprio, a dar umas valentes bofetadas a Seguro —  muito feio, foi muito feio, mas adiante. Assim de repente, muito oportunamente, os socialistas que votaram ao abandono Seguro, agora festejam a sua proposta presidencial, irrecusável. O candidato Seguro, que já não lhes pertence, tem um vote appeal maior do que o Largo do Rato. Pela leitura que faço e pela evidência das palavras proferidas por Seguro, o seu perfil preenche os requisitos de Belém. Será capaz de se abster de cair no limbo da amizade governamental, para ser apreciado pelo camarada acidental. Será suficientemente hábil para não puxar da selfie fácil para gaudio próprio e devoção epidermal dos portugueses. Será astuto para saber quando oferecer uma palavra ou subtrair outra. Mas mais importante do que tudo isto — apresenta-se com um grau de descontaminação político mais que bastante. Não corre o perigo de dar à luz conflitos gémeos de interesses, ao contrário de Marques Mendes que até pode desconectar-se da Abreu $ Associados, mas não se livra de um extenso caderno de encargos, inúmeros dossiês e décadas de argolas. E há mais. O tom paternalista de Marques Mendes não serve para nada. Ele bem que tentou emular a receita pré-presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa aquecendo claramente a cadeira de comentador televisivo, mas essa fórmula só funciona com o original. A malta não vai em conversa de Temu ou Aliexpress. O maverick presidencial tem de ser autêntico, inigualável. Muitos acharam que o Marques Mendes deu uma tareia no Cotrim ao vivo e a dores, mas não. Marques Mendes foi autofágico — demonstrou que rasteja na lama das tricas, que desce aos pântanos onde grassam as larvas e as miudezas dos tira-teimas. Agora imaginem o que seria se eu votasse em Portugal?

 
Photo copyright: JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

 

O banco que vai dar barraca

Homeless_man_sleeping_under_a_bench.jpg

Não é preciso ser vidente para saber que a construção da nova sede do Banco de Portugal vai dar barraca. Ainda por cima a mesma será paga a suaves prestações como se de um aparelho auditivo se tratasse, ou de uma frigideira. Obras públicas que envolvem somas avultadas implicam, de um modo geral, cambalachos, prevaricações e desvios. Não há volta a dar. Quando o guito é muito, aparece sempre malta que não sabia de nada e que nada teve a ver com os desfalques. A sua localização, nos antigos terrenos da Feira Popular, não poderia ser mais adequada — montanhas russas e carrosseis. A expressão parque de diversões serve na perfeição, e rima com distrações. É muito curioso que na terra do Tio Sam já haja quem esteja a implicar com a renovação da sede da Reserva Federal. Mas naquelas paragens sabemos bem porquê, por isso irei refrear-me de tecer mais considerações. Enfim. O que queria hoje redigir já está a descarrilar. Tinha intenções de aflorar o tema das casas pré-fabricadas que estão a ser polvilhadas sobre a paisagem de Portugal. Segundo relatos de um técnico camarário, cuja identidade irei preservar, cada vez mais o concelho algarvio que lhe diz respeito está a ser devassado por estas habitações rápidas, que em termos de licenciamento deixam muito a desejar. Não entrarei pela porta das considerações estéticas e da poluição da paisagem tradicional. Isso terá de ficar para outro momento. O que saltou à vista da córnea, no contexto da crise do Talude em Loures, foi a possibilidade imediata de fazer uso desta unidades pré-fabricadas para suprir a necessidade urgente de habitações. Parece imoral referir os muitos milhões de euros para fazer face a um novo edifício-sede do Banco de Portugal quando, com quantias bem menores, seria possível conceber de raiz um bairro social. Dirão muitos que uma coisa não tem a ver com a outra. Mas no meu entender, passou a ter. A única certeza que temos é que as eleições presidenciais serão disputadas. Segundo a última contagem, já teremos para cima de dez candidatos. Até podiam ser mais e não faria grande diferença. Os despejados do bairro do Talude não votam nestas paragens. E por não representarem uma divisa eleitoral desejável, são perfeitos para serem arremessados politicamente. 

Inter de Melão

8369164030f667f245662f3e9eae924aba6dccb3_original.

Encontramo-nos em plena época de verão e já faltou mais para a rentrée, sem que venha a haver um intervalo político, um inter de melão, fresquinho, em que não se pensa em coisa alguma. As presidenciais assim o dita — até lá é um tirinho, vai passar a correr. O mercado de transferências para Belém parece estar quase fechado, mas ainda há espaço para manobras presidenciais, surpresas de vão de escada. Reza a tradição portuguesa que as eleições para chefe de Estado são, de um modo geral, um evento benigno, sem castanhadas ou insultos — com aquelas mazelas e indisposições, típicas das legislativas ou das autárquicas. Mas a coisa pode mudar de figura num ápice. Desta vez os candidatos são mais do que as mães. Não sei se a lista inscrita no Wikipédia corresponde na íntegra à lista oficial de pretendentes ao cargo. No entanto,  a mesma é digna de nota: a quantidade de aspirantes é assinalável. Veremos se ventos de desinformação, usados em campanhas eleitorais alheias, chegam ao país com a mesma força de distorção preocupante com que assolaram desfechos no estrangeiro. Deambulando pelas redes sociais encontramos os apêndices ideológicos do costume, os proto-comentadores de serviço ou os fazedores de likes, mas ainda não vislumbramos algo que se possa equiparar a manipulação intensa da opinião pública. Digo isto com sentido de Estado, com respeito por Portugal que ainda mantém a intenção política num nível de civilidade que deve ser reconhecido, apreciado. Mas desenganem-se. Nada tem a ver com a bondade e a empatia. Este estado de alma tem a ver com o modelo de negócio presidencial — a dimensão do país, mas sobretudo o retorno económico sobre o investimento em Belém. Ao contrário das legislativas, e por extensão das autárquicas, das presidenciais não resulta grande distribuição de dinheiros ou favores (vamos omitir as gémeas, por breves instantes, está bem?). Onde pretendo chegar com isto tem a ver com o sagrado presidencial, o tabu de Belém. Se Portugal fosse dotado de um sistema presidencialista seria um caso sério de preocupação. Mas não. Os primeiros constituintes pensaram e pensaram bem: a natureza política do povo português compadecer-se-á de um modo mais adequado com um sistema semipresidencialista. E assim sucedeu. O próximo presidente da república será igual aos demais, aos precedentes. Não destoará do padrão dos presidentes portugueses. Deixará a coisa andar, puxando o tapete ao executivo apenas se o mesmo estiver deitado no chão contorcido ou a pedir de joelhos. Ou seja, a ideia da extremização ou radicalização presidencial é algo mais do que improvável em Portugal, diria mesmo impossível. E isso é uma garantia para o pleno funcionamento do país, a sua virtude democrática. 

Publicado em Sem categoria | Tags , , , , , ,

Última hora! Hillary já é presidente!

ReadyForHRC.jpg

 

Querem saber o resultado das eleições presidenciais? A resposta certa é: follow the money. Embora os mercados sejam apreciadores de estabilidade, anseiam por volatilidade. Mas essa dictomia, como tantas outras, encerra em si contradições. Os especuladores vivem à custa das rupturas sistémicas, mas a espinha dorsal de uma economia depende de previsibilidade, de racionalidade. Os ciclos tecnológicos não acompanham os mandatos políticos, ou o seu inverso. Nem Donald Trump é o revolucionário que afirma ser, nem Hillary Clinton será a simples continuadora como muitos a pintam. O problema que enfrentamos prende-se com o seguinte – a virtude já não se encontra no meio. As nossas sociedades vivem, mais uma vez, a era de extremos. E os mecanismos de controlo institucional do sistema político americano funcionam para evitar descalabros radicais. A investigação e o encerramento do processo de e-mails de Clinton funciona como um lembrete, uma mnemónica. Cada movimento de um detentor de um cargo público é escrutinado. Mesmo que Trump lá chegasse estaria condicionado pelo Congresso, a Câmara dos Representantes, o Senado e um vasto corpo de instituições dedicado à prerrogativa do checks and balances. Aliás, essa realidade decorre de um simples facto processual. A Constituição dos Estados Unidos da América (EUA) não dá azo a grande elaborações e subterfúgios – é curta e grossa, simples no seu enunciado. Na Europa a tradição constitucional é diversa, quase antagónica. Tantas vezes países da orla democrática se vêm perdidos no marasmo da complexidade constitucional. Veja-se o caso de Portugal. Aquele armazém legal permite acomodar tantos direitos consagrados, mas tal facto não implica que o país tenha processos democráticos mais transparentes ou seja mais consensual nas decisões que os seus governantes tomam. O dinheiro, por sua vez, não está sujeito a constrangimentos normativos de ordem política. Os meios financeiros elegem e derrotam candidatos numa base diária. Os mercados determinam a viabilidade ou não de projectos ou devaneios. Nessa medida, e servindo-nos de meros indicadores monetários que reflectem estabilidade ou volatilidade, podemos desde já declarar o vencedor da noite eleitoral de amanhã. Hillary Clinton, sem grande sobressalto, será a próxima presidente dos EUA. Não corro grandes riscos ao produzir esta ousadia de afirmação. Os mercados já colocaram na ranhura Trump. E quem somos nós para discutir com eles? Elas.

“Deixem-me comer” – diz Maria de Belém

4624862888.jpg

 

Apresento-vos o novo humorista de Portugal – Jorge Coelho. Qual homem-forte do PS qual carapuças. O político que apenas mereceu o meu respeito no dia em que se demitiu (estais recordados da tragédia de Entre-os-Rios? Esteve bem. Foi-se embora). Não sei se o guião estava combinado com a Maria de Belém, mas o arruaceiro Coelhão, à falta de melhores piadas, pôs-se a contar umas anedotas. Citou de memória Marx (Groucho, mas poderia ter sido o outro, esse mesmo da Esquerda esclarecida), partilhou a depressão que atravessa, mas deixou transparecer o seguinte: tem uma certa dor de cotovelo, uma pequena inveja de Maria de Belém. Fala alto, de um modo desengonçado, embora sem estilo, como se ele próprio fosse candidato a qualquer coisa. E depois, para rematar, foi deselegante para com a senhora candidata. Chamou Maria de Belém de velha – uma mulher madura, com muito para ensinar do alto do seu “pensamento estruturado” e com a sua bagagem de “experiência”. Enfim, não sei que mais poderemos esperar desta campanha. Nos cartazes de rua da candidata já não se lê “a força do carácter”; agora é tempo de “unir os portugueses”, e aproveitou o seu entusiasmo para indicar que se for presidente da república será para governar Portugal. As 35 horas semanais já servem de mote, de munição de campanha. Ao referir que o presidente da república deve manter-se à margem das negociações entre o governo e os sindicatos, confessa precisamente o oposto: que quer dar os seus bitates, meter a colher. Não sei o que ela pretende, mas deve desejar elevar o estatuto de candidato a algo mais permanente. Para já aqui vos deixo com a sua frase do dia: “Temos aqui estes tabuleiros fantásticos à nossa frente, com um cheirinho fabuloso e agora não nos deixam começar a comer”.

A força dos caracteres e dos candidatos

_CHARMAP.GIF

 

Cada um dos candidatos presidenciais depende da força dos caracteres – a capacidade para formar palavras e frases que exprimam a força das suas ideias.  A força do carácter (que é uma coisa distinta) não chega, como julga Maria de Belém. Existe algo ainda mais importante. Os (stors) Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa, o (padre) Edgar, o Tino (de rãs), o Jorge (Sequeira, ou se quiser), o D. Henrique (o neto), a Marisa (que não é fadista), o Morais (de nome e de ética) ou o (cândido, doce) Ferreira disputam entre si o primado da palavra. A palavra é a trabalhadora da esquina política, amestrada pelos chulos que disputam territórios. Os proxenetas também tentam convencer os clientes da sua superioridade, do seu talento. Os candidatos presidenciais em cena, praticam a língua portuguesa de acordo com o seu património cultural (duvidoso nalguns casos), fazendo uso de um cabaz de chavões e frases-feitas. Arremessam versos sem que se possa descrever a sua origem ideológica, etimológica, alegriana ou não. No domínio do jargão propriamente dito estamos servidos. A tragédia que se apresenta aos portugueses é de outra natureza, mas igualmente nefasta. Onde estão as reflexões profundas que se exigem? Onde encontramos um conceito de presidência que oblitere a conversa de taberna a que temos assistido? O nível intelectual, o sentido de Estado, a cultura de um povo ou a visão estratégica que culminariam no refundar da missão da presidência, simplesmente não se avistam. Os debates havidos, a que se somará mais uma bela dúzia, continuará a confirmar os nossos piores receios. Portugal, na sua recente história democrática, não conseguiu produzir uma verdadeira escola de presidentes. Ou são ex-militares moderados ou já foram presidentes de câmara, ou primeiros-ministro, mas não parece ter servido para grande coisa. O casting de candidatos à presidência obedece à matriz tipicamente lusa – a arte do desenrascanço, do aproveitamento das sobras, do oportunismo do momento.  Nesta tosta-mista de considerações, somos servidos por mais chefes que índios. Não havia necessidade de lançar tamanha confusão. Até parece que as eleições vão servir para nomear um presidente para cada capital de distrito (?). E depois temos de levar com certas contradições de ordem filosófica. O carácter, essa dimensão de alma insondável pela estatística política, deve permanecer no seu silêncio sepulcral. O carácter não se comunica, embora se afirme. O carácter não se vence, e não pode ser sujeito a derrotas. O carácter não se confunde, portanto é singular. E o carácter não se hierarquiza e humilha o dos outros. Enfim, o carácter não se imprime em outdoors gigantes quando falta tudo e mais alguma coisa. Os homens e as mulheres por vezes também se medem aos palmos. E as palmas não irão abundar nos póximos tempos. Miséria.

António Costa apoia Marcelo Rebelo de Sousa

e99c86d3-3d1a-4fe3-9cde-721b455fa165.file.jpg

 

 

António Costa julga mesmo que manda nisto tudo. Quer mesmo ser dono disto tudo. Mas não quer transformar a presidência da república num consulado socialista, embora dê ares dessa graça. Quer imitar o modo como se apropriou do parlamento e formou governo, mas de um modo mais perverso, cínico. Ao lançar a aposta múltipla nas eleições presidenciais, apelando às f(r)acções representadas por Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, não esclarece publicamente qual a posição que assume. Ou seja, não se coloca inequivocamente ao lado de um dos seus candidatos, mas generaliza e não fala a verdade quando descreve a área logística da sua preferência. E isso não passa de areia atirada aos olhos de Soares e dos diversos barões do Largo do Rato. Se formos minimamente astutos, percebemos a rasteira num piscar de olhos. António Costa apoia, com esta jogatana de “apoio aos dois camaradas”, a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, porque este será o alibi ideologicamente perfeito para poder contradizer a acção presidencial quando esta começar a estrangular os seus intentos governativos. Não convém nada ao governo socialista ter um dos seus em Belém. Isso restringe a sua área de actuação. Se estiver lá o Marcelo é mais fácil ser extravagante e ousado. Convém a António Costa ter uma réplica, mesmo que mais colorida, de Cavaco Silva. Desse modo, o status quo das relações institucionais mantém-se sem grandes alaridos. O mauzão continuará a residir em Belém. Marcelo Rebelo de Sousa será a válvula de escape ideal, o embaixador do princípio do contraditório. Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa bem que se podem queixar, mas por outro lado, como são politicamente dispensáveis, o seu afastamento serve preciosamente outras guerras. Mais cedo ou mais tarde, com as atribulações de um governo feito a retalhos do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, a sua liderança será naturalmente posta em causa, e a haver guerras fratricidas, são menos uns quantos para confrontar. Veremos, mais adiante, como António Costa afasta a Ana Gomes que está mortinha por realizar um “regresso auspicioso”. Não se esqueçam que as legislativas ou as presidenciais, por mais mediáticas e nacionais que sejam, servem para arrumar as casas partidárias de Portugal. Os portugueses e o interesse nacional são meros pretextos de ocasião. Um festival a 9 ou 10 candidatos, ou um rancho folclórico presidencial, é um mimo para a realização política deste calibre. Aguentem. Ainda vão ter de levar com muitos debates nas noites quentes da sensacionalista TVI, da vendida SIC e da pobrezinha RTP – uma TAP que rasteja pela paisagem de oportunistas nacionais. Marcelo ainda vai agradecer a alguém.

Excursões “Maria de Belém”: inscreva-se

Fatima 12 Janeiro 001.jpg

 

A madre Maria de Belém de Calcultá e arredores quer levar os chefes de Estado estrangeiros a visitar os lares de terceira idade para mostrar que Portugal é uma pobre vítima dos mauzões da Troika e do governo anterior. Por outras palavras já está a entornar o socialismo que lhe vai na alma e a culpar os que estiveram antes. É esta a imagem que Portugal deseja projectar? Não me parece que os portugueses queiram isso. Claro, ainda existem uns velhacos do Restelo, mas estou em crer que têm os dias numerados. Por esta razão, e tantas outras carregadas de disparate e narcisismo, Maria de Belém nunca será presidente da república portuguesa. Mas existe outro fardo um pouco mais penoso. Por mais que deseje sacudir do capote a ligação ao Grupo Espírito Santo, a verdade é que o caldo já se entornou sobre a sua saia. A senhora ainda não percebeu que há uma diferença entre aquilo que se pode fazer e aquilo que se deve fazer – força do carácter, uma gaita. Os chefes de Estado que visitarem Portugal não se devem quedar pelo Inatel, devem acampar em Monsanto, e pela mão da Maria de Belém devem visitar a Casa Pia para que nenhuma parte do roteiro de ascensão e queda de Portugal fique de fora. Não tenho muito mais a acrescentar. Apenas o seguinte; nutria um sentimento de “tanto me faz” em relação à senhora, mas agora não a posso ver pela frente. Não tem nada a ver com o candidato à nomeação republicana Donald Trump, mas a analogia do não-nunca serve na perfeição. Já basta termos um governo de repetentes, para termos de aturar alguém que afirma ter tido uma carreira gloriosa ao serviço da nação. Poupem-me a estas excursões. Não quero ver. Nem quero saber.

Publicado em Sem categoria | Tags , , , , , ,

Marcelo Rebelo de Sousa à meia-volta

PT-PSD-PSD-AUD-015-1989-00005.jpg

 

Depois não digam que eu não avisei. No desfecho dos resultados das eleições presidenciais, Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém e Marisa Matias podem chegar a “acordo” para derrubar Marcelo Rebelo de Sousa. Qual primeira qual segunda volta. Ao homem que apenas dorme quatro horas por dia (dizem que de noite), basta uma meia-volta para levar de vencida a competição. Nenhum dos “participantes” pode aspirar a Belém. Faz-me lembrar aqueles atletas de alta competição que trabalham no duro, mas que não perdem o tino. Aquele lançador de peso(s) ou o ginasta acrobático, que à luz da sua auto-percepção, afirma sempre, e de um modo humilde: “já é um privilégio participar nos jogos olímpicos” (ou), “vim para ganhar experiência” (ou então), “sou realista, não posso aspirar a ganhar medalhas”. Mas aqui observamos algo diverso. Um candidato que cultivou a proximidade com o cidadão comum, que é capaz de estar à conversa com a Ofémia lá da praça, ou que é capaz de desafiar um proto-intelectual para um tira-teimas de retórica. Quem quer ir à bola com a Maria de Belém? Quem quer receber a taça de Portugal de Sampaio da Nóvoa? Quem quer levar com as tretas psico-ideológicas da Marisa? A resposta nem precisa de ser dada. Marcelo Rebelo de Sousa é o homem que não é de ocasião. O professor foi aos treinos. Entrou na casa (e na cabeça) dos portugueses sem ser calculista, porque ao longo dos anos alimentou mais dúvidas do que certezas em relação a uma tirada presidencial. Os outros candidatos simplesmente não reúnem os requisitos necessários – nem se conseguem olhar ao espelho. A excentricidade saudável, com uns temperos maníacos, não é para todos. Nem que se somem todos chegam aos calcanhares de Marcelo. Quanto mais a Belém.

Não é a Maria de Belém

81394957.jpg

 

Maria de Belém não chamou Cavaco Silva de gangster, mas aproveitou a boleia. A candidata que por acaso é socialista, sem ser necessariamente a candidata socialista, demonstra que quer ser a presidente da república de todos os socialistas. Ao exercer pressão sobre o actual chefe de Estado para que este se despache, fá-lo não no sentido abstracto do juízo presidencial, mas com os galões da Esquerda sobre a ombreira das suas pretensões. Ao sugerir o aprofundamento dos acordos firmados por António Costa e as outras forças políticas de Esquerda, Maria de Belém afunila o sentido abrangente e pan-ideológico que um presidente deve imprimir ao exercício do seu cargo. Se Belém os tivesse no sítio, faria bem em repudiar os insultos dirigidos ao presidente da república, mas não, preferiu fingir que nada aconteceu, que um colega seu do Partido Socialista (Porto) nada disse. A uma senhora não se pergunta a idade.

« Older posts

© 2026 Estado Sentido

Theme by Anders Noren — Up ↑