Bergoglio, que, suspeito bem, era um clérigo totalmente desconhecido pelas franjas opinadeiras do progressismo nacional até há poucas horas atrás, tornou-se num verdadeiro bombo que, entre palmadas e socos desajeitados, vai levando com o bafio insuportável dos eternos construtores da intriga. Bastou o nome do Papa Francisco I ser anunciado para que um autêntico cortejo de platitudes falaciosas circulasse sem quartel na comunicação social e nas redes sociais. Supostamente, Bergoglio foi um sequaz da ditadura militar argentina. Não é preciso ser um cartomante para entender que esta histeria deriva do simples facto de Bergoglio ter uma postura conservadora na cada vez mais pequenina coisa política. E, pergunto eu, que importa que Bergoglio seja um conservador? Mais: Como é possível que a dita imprensa de referência dê guarida à boataria malcheirosa de um ex-terrorista? Ex-terrorista esse, que, de um modo singular e elucidativo, denunciou a pretensa bufaria de Bergoglio relativamente a dois jesuítas nos idos de Videla e companhia limitada. Má-fé? Perfídia? Reserva mental? Talvez seja isso tudo, mas, como escreveu o João Pereira Coutinho, num tempo em que a crise da Igreja é, espectacularmente, entendida como um sinal do fim dos tempos – bestial, não é? -, já nada surpreende. Porém, nós, católicos avessos às luzes e ridicularias da modernidade amoral, estamos há muito habituados a estes shows de ignorância alacre. E, para dizer a verdade, nada disto afecta a imagem que a Igreja, instituição secular, tem nos nossos corações.

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