Como todos os anos, uma multidão a perder de vista. Noutros países, há quem se esconda e solitariamente coma seu Bolo Rei.
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O desastre das inundações na Tailândia, remete-me para uma visita que há uns vinte anos fiz à Tailândia, quando li um então recente discurso do Rei Bhumibol Adulyadej. Apontava os problemas que o país teria de enfrentar num futuro não muito distante, mercê de uma errada política de desenvolvimento. Além de manifestar a sua apreensão pelo desmesurado crescimento de Bangkok, criticava com severidade a destruição dos canais que desde a fundação da capital, tinham dado forma ao aglomerado urbano e servido perfeitamente como vias de circulação de pessoas e bens, evitando o tráfego rodoviário privado e as mazelas decorrentes da poluição. As opções dos governos foram outras e assistiu-se a um intenso processo de construção em volume e altura, comparável ao de outras metrópoles asiáticas. A partir do final da década de 80, a maior parte dos canais foram soterrados e substituídos por amplas rodovias como a Thanon Sathorn, ao mesmo tempo que nas antigas margens se ergueram arranha-céus de desmedida altura. Naquele discurso, o monarca também alertava contra a desflorestação intensiva que se verificava nas províncias do interior, argumentando com a irremediável perturbação dos ecosistemas, falta de sustentação de terras e o descontrolo dos leitos dos inúmeros rios que cortam o país.
Numa conversa com um empresário, este dizia-me que …”I love our King, He is a “veli nai” person, but we need some “móden” stuff like big “áiuéis” and “nái cars” for “bizniz”. I understand His worries, but we can’t avoid the future”.
A febre do lucro fácil e do exibicionista querer parecer “moderno”, ditou a opção dos políticos profissionais. Em 1995, uma catastrófica cheia, para todos os efeitos afogou a reputação do governo do primeiro ministro Barnharn e após angustiosos dias de desespero e espera, o soberano solicitou tempo de antena, indicando o que havia a fazer para a descida das águas. Bhumibol não é um homem para queimar páginas da sua agenda em inaugurações de parques de estacionamento ou congressos de duvidosos economistas indecisos. Durante sessenta anos palmilhou o país de lés a lés e conhece-o como ninguém. Oxalá os governantes eleitos fizessem o mesmo.
Num discurso proferido no salão do trono Amarin Winichai, o Rei Bhumibol da Tailândia, declarou que o país …”tem prosperado pacificamente durante um longo período, porque estamos com a nação e juntamos as mãos para o cumprimento do dever e a prossecução do interesse público. Todos aqueles que aqui estão e os tailandeses de todos os sectores, deviam procurar compreender quais os seus deveres e fazer o seu melhor com atenção e consciência. Ser desleixado ou imprudente, pode conduzir a erros e prejuízos (…), quando alguém se torna insensível ou pouco razoável, pode tornar-se auto-complacente e abusar da sua autoridade. Isto é muito perigoso. Esta prática pode levar à sua própria queda e com ela, arrastar o país. Desta forma, gostaria de pedir-vos que fossem prudentes e mantenham a vossa determinação no cumprimento do vosso dever, para a paz, segurança e sustentável felicidade do nosso povo”.
O Rei Bhumibol Adulyadej cumpre hoje 83 anos de vida e 64 de reinado.
“Foi ontem pela noitinha. A habitual massa humana, ostentando na lapela o monograma da Rainha e segurando uma vela amarela acesa na mão direita, repetiu no Terreiro Real (Sanam Luang) o solene juramento de fidelidade ao trono e à rainha. Não pude ir, mas como tantos outros milhões de pessoas espalhadas por todo o país, fiz o juramento em casa, na companhia dos vizinhos. A monarquia é, indubitavelmente, um grande dique face às misérias da plutocracia e da alvar patetice que domina meio mundo. Ontem foi o Dia da Mãe, aniversário natalício da Rainha Sirikit, sem dúvida um dos mais fortes pilares da liberdade neste país há pouco ameaçado pelas garras canalhas do dinheiro e da americanice.”
À saída de Belém, Rama IX ostentava a Banda das Três Ordens
A melhor homenagem, será sempre a constante transcrição dos seus textos:
“Passam neste mês de Agosto 50 anos sobre a visita de Estado que SSMM os reis da Tailândia realizaram a Portugal. Protocolo de Estado em grande forma, banquetes, visitas e honras ornadas pela curiosidade e logo entusiasmo que o povo de Lisboa dedicou à bela rainha Sirikit. Entrada no céu português com cerrada escolta dos jactos da nossa Força Aérea, visita ao Alfeite e ao Hospital do Ultramar – então na vanguarda da investigação no domínio das doenças tropicais – mais três banquetes (Estufa Fria, Queluz e Ajuda), recepção nos Paços do Concelho e despedida multitudinária na Portela, com muita tropa e estandartes, governo em peso e grandes acenos no momento da despedida.”
Perdida a batalha nas ruas e pior ainda, aniquilada a escassa confiança de que beneficiava junto de algumas franjas urbanas, o debandado movimento red possui hoje dois recursos importantes.
O primeiro, consiste na tentativa já há muito ensaiada, de provocar divisões no seio da coligação liderada pelo Partido Democrático Tailandês. Afastando os elementos de maior confiança do primeiro-ministro, este ver-se-á privado de esteios essenciais à governação – entre eles o destemido ministro Kasit – e terá de enfrentar quebras na sua maioria parlamentar. Aí está a cartilha maoísta copiosamente ensaiada hoje no Nepal.
O segundo verifica-se interna e externamente e tem como principais protagonistas, os media que de fora chegam com as velhas ideias acerca do que deve ser uma democracia, mesmo se o Estado de Direito esteja em perigo por uma sublevação radical, violenta e com pesadas conotações totalitárias. Estreitamente ligada aos grupos mediáticos europeus e americanos – o chamado “mundo dos negócios”-, está uma parte activista da comunidade diplomática, principalmente aquela que sendo de segunda linha, não oferece a priori, um perigo de maior. No entanto, é exactamente esta, a que maiores oportunidades operacionais apresenta, manobrando sem cessar interna e exteriormente. Abhisit deverá ter em atenção que esta gente não desiste facilmente, pois voltará a uma reformulação do programa e já na reorganização de uma parte da oposição que se candidatar às eleições. O vil metal está em jogo e o resto apenas monta o cenário.
Abhisit realizou ontem uma conferência com “ansiosos” diplomatas e correspondentes estrangeiros estabelecidos em Bangkok. Não é com espanto que concluímos acerca do acintoso “cepticismo” com que o chefe do governo foi brindado por aquela gente, pois o sentimento da “superioridade branca” manifestou-se sempre no decorrer dos acontecimentos e na análise dos mesmos. De facto, entre eles se encontram alguns dos mais entusiastas apoiantes do movimento que durante tantas semanas fez perigar o país. Não há qualquer dúvida acerca deste facto indesmentível. Os péssimos e irrealistas relatórios enviados para a Europa, criaram uma errónea percepção dos acontecimentos e do que estava em jogo na Tailândia. Vencidos quando esperavam uma vitória fulminante, insistem agora em princípios inaceitáveis nos seus próprios países. Como se fosse possível qualquer governo ocidental sentar-se à mesa com líderes que iam provocando uma guerra civil, queriam derrubar o regime e levaram à devastação da capital?! Inaudito, mas para aquelas luminosas inteligências próprias de qualquer café de boulevard, a Tailândia é um destino turístico produtor de sedas, comezainas por uns tostões, capitosos prazeres carnais, piscinas, resorts de luxo e para alguns, uns rendosos negócios propiciados pelos círculos mafiosos onde uma certa diplomacia circula, em demanda de arredondamento de conta bancária. Os recentes acontecimentos na Índia, indicam já uma nova oportunidade de “revolução libertadora” teleguiada por Pequim. Os revolucionários de massage-parlour poderão deslocar-se hoje mesmo para o novo teatro de operações, decerto menos atraente, mas bastante plausível.
A grosseria de alguns jornalistas, chegou ao ponto destes continuarem a fazer vista grossa às evidências que todo o planeta já teve a oportunidade de assistir em video e pelo testemunho de muitas dezenas de entrevistas e de fotos comprometedoras. Para esta cáfila de mercenários chegados de Berlim, Paris, Haia ou Estocolmo – Lisboa limita-se ao copy paste, como se sabe -, trata-se agora de denegrir ao máximo a imagem de um governo vitorioso, mas que surge como extremamente moderado no seu indesmentível êxito. O problema é este mesmo, pois esperavam um sangrento crackdown, seguido por um golpe de Estado ao estilo de Pinochet e uma repressão generalizada que colmatasse o vergonhoso fracasso diplomático-informativo com que se viram confrontados. Nem uma única das suas previsões se confirmou. Nem uma!
Totalmente desconhecedores do que consiste uma nota preliminar e oficial entregue por um governo de um país independente, alguns dos presentes declararam-na como imprópria até para os discutíveis padrões da era soviética! De facto e em tom de advertência – estes “diplomatas” não sabem ler nas entrelinhas – o governo distribuiu-a no sentido de seriamente alertar os estrangeiros – entre os quais não se conta sequer um thai falante – acerca da má interpretação dos acontecimentos e da situação no país. Os ocidentais estão habituados a uma padronização ideológica de “lutas, contradições, desigualdades, movimentos populares e opressões”, sem que consigam lobrigar no movimento vermelho, exactamente estes escolhos à democracia que dizem querer defender. A prepotência, o crime, o roubo, a chantagem, o ataque à Lei e às Instituições, nada são ou valem, se comparadas às velhas certezas aprendidas em leituras de notas de rodapé. O que importa é o saciar de mesquinhas e grotescas “virtudes fundamentais”, adquiridas pelo ostentar de uma Kalashnikov que conduz o rebanho em direcção á vala comum. Resumidamente, é isto, o Ocidente.
Melhor faria o governo Abhisit, se em vez de indefinidamente contemporizar com palradores sem substância, usasse da sua paciência asiática para proceder a uma criteriosa análise de cada um dos representantes diplomáticos e mediáticos acreditados em Bangkok. Utlizando precisamente o espírito do “materialismo dialéctico” que é tão do agrado das duvidosas e parasitárias excelências, eliminaria as mais comprometidas com os acontecimentos, enquanto as outras, aquelas pertencentes a Estados com quem o país tem vultuosas trocas comerciais, seriam indirectamente repreendidas, pela não renovação de agreements diplomáticos a membros menores da vaidosa entourage. EM suma, um aviso compreendido nas capitais ocidentais. Isto significará uma pequena contrariedade para alguns interesses do petit-commerce do eixo Pataia-Patpong, mas não temos qualquer dúvida no efeito psicológico que tal exercício do princípio de persona non grata significará.
O Ocidente está num estado de pré-Guerra Fria com a China e alguns dos “diplomatas” europeus – felizmente, o embaixador de Portugal encontra-se acima de qualquer suspeita de conluio subversivo – melhor fariam em seguir o exemplo do seu homólogo americano acreditado em Bangkok, apoiando o regime aliado.
Com paciência asiática, Abhisit deveria analisar caso a caso e depois, numa assomo de rudeza ocidental, expulsar a escória. É o único caminho que os europeus conhecem: a porta da rua.
“A oportunidade foi explorada pelo líder do partido Força Budista, o general Chamlong Srimuang, hoje líder do PAD, que apelou a todos os democratas para que saíssem à rua e impedissem a consumação do “golpe dentro do golpe” militar. Centenas de milhares de manifestantes tomaram conta do centro de Banguecoque e em 17 de Maio de 1992, impotente para negociar uma solução política, o ditador Suchinda mandou abrir fogo indiscriminado sobre a massa em protesto. Morreram centenas de pessoas, a lei marcial foi imposta, mas os manifestantes não arredaram pé. Nesses dias arderam dezenas de edifícios públicos e o país esteve na iminência de uma guerra civil. Por fim, o Rei chamou o ditador e deu-lhe ordem de demissão em frente das câmaras da tv. O grande artífice da restauração democrática, Chamlong, fora governador da capital no início dos anos 80. No desempenho do cargo, fez frente aos grandes interesses imobiliários, protegeu os vendedores de rua, lançou sucessivas campanhas anti-corrupção, fez os primeiros bairros sociais de Banguecoque, bem como as primeiras e bem sucedidas campanhas de sensibilização ambiental. Ficou, deste então, na mira dos plutocratas.”
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No ocidente, as televisões dos semi-iletrados e reservistas mentais que pensam tudo poder e em todos mandar, ignorarão as esmagadoras provas que hora a hora vão surgindo. Como bons “vencedores” antecipados, os executores das macabras tarefas e os seus apoiantes internos e externos, fizeram crer numa manifestação que jamais foi inocente, pacífica ou democrática.
Como avisámos ao longo de semanas, o planeamento foi metódico e implacável, copiando fielmente os pressupostos da tomada violenta do poder pela aparentemente contraditória aliança entre os mais radicais exploradores plutocratas e o comunismo orientado a partir do estrangeiro.
Indicação da destruição dos centros do poder do Estado nas províncias; directivas emanadas a partir do sinal que seria a imposição da ordem pública pelas forças armadas; ordem para o ataque generalizado aos edifícios públicos da capital, centros de negócios, bancos e propriedade privada em geral; apelo ao roubo e depredação generalizada; directiva para se proceder a uma política de terra queimada que destruísse o país.; plano de liquidação da ordem constitucional.
Estas são as ordens directas, indesmentíveis e que o mundo inteiro poderá agora avaliar. Outros videos comprometedores serão dentro de poucos dias publicados, reduzindo a pó as elaboradas teses de observadores que durante mais de dois meses intencionalmente e em total má-fé, informaram erroneamente os seus governos, as instituições internacionais que abusivamente mal serviram e a imprensa estrangeira. Os stocks de armas e munições capturadas vão-se avolumando a cada hora que passa e mesmo antes de termos o conhecimento das traduções para inglês dos discursos de Thaksin, Saikua e dos outros cúmplices, já havíamos indicado que a origem da destruição teria sido bem organizada até ao pormenor.
Que tipo de provas precisam os idiotas úteis da Comissão Europeia e do Departamento de Estado USA, para reconsiderarem nas patéticas exigências de negociações com gente que no Ocidente seria de imediato condenada à prisão perpétua, ou nos casos americano, russo ou chinês, à pena capital?
O caso dos colaboracionistas estrangeiros decerto merecerá outro tipo de análise e tratamento. Exemplar, aconselhamos nós.
“Os vândalos fizeram da área um verdadeiro cenário lunar. Foi tudo arrasado, pilhado, calcado e partido com requintes de impotência e mau perder, como o incendiário que, não podendo mudar o mundo, se compraz com a terra-queimada. Tudo isto me fez lembrar Estaline em 1941 e Hitler em 1945: fazer o maior mal possível aos próprios concidadãos, desempregar o maior número possível de pessoas, destruir propriedades, pequenas e grandes companhias, lançar no desespero e na fome aqueles que não integravam as fileiras do bando totalitário. É necessário dizê-lo e repeti-lo: se aquela gente tivesse atingido os seus propósitos, teriam feito o mesmo a meia Banguecoque, pois agora que se realizam investigações em profundidade sabe-se que o mesmo destino estava reservado ao Wat Phra Kéw (o Templo do Buda Esmeralda) e o palácio real.”
“Quem pagou tudo isto ? De onde veio tanto dinheiro para alimentar, vestir, arregimentar e pagar a milhares de mercenários e figurantes, quem comprou as centenas de armas de fogo, os milhares de granadas e munições que foram hoje finalmente apresentados aos adidos militares acreditados em Banguecoque ? Quem pagou os vinte geradores de electricidade, as sessenta carrinhas, as centenas de projectores, colunas de som, enfermarias, os milhares de toneladas de víveres e gasolina que ali se consumiram ao longo de dois meses ? Não acredito, como alguém sugeriu, que tal dinheiro viesse dos bolsos de “camponeses”, pois que eses lá estavam eram pagos. Terá sido só o mecenático Thaksin, ou houve outros dinheiros, dinheiros de estados e governos, de fundações e ONG’s ?






