1 – Nunca gostei de farinha Maizena. Nem de Cerelac, Nestum ou afins. Parece-me que o que falta a muita gente por aí é mesmo chá, bom senso e estar calado em vez de descer constantemente o nível do debate político com declarações inusitadas.
2 – A respeito da Bela Vista, já se verifica a tradicional tendência da esquerda que vê nestes tumultos vítimas da sociedade – agora da crise. Entre as gentes honradas e trabalhadoras que vivem em bairros problemáticos como este, há também gente dedicada a outras lides. Gente que não trabalha, que trafica armas e droga, que se envolve em assaltos. Não são vítimas da crise. É gente que há décadas vive desta forma. A comunicação social aproveita para empolar as coisas e mete uns quantos iluminados a palrar sobre como estes jovens são na realidade vítimas da sociedade em que vivem. E que tal um pouco mais de bom senso e menos "rousseaunices" de trazer por casa?
3 – Mal ouvi o debate das europeias com os 13 candidatos. Também não me parece que tenha perdido muito.
4 – Ouvi hoje com atenção o Professor Marcelo Rebelo de Sousa e António José Teixeira (que teve uma magnífica intervenção), numa conferência que se seguiu à apresentação da tese de doutoramento da Professora Conceição Pequito Teixeira, no ISCSP. E na resposta à minha questão sobre as juventudes partidárias, deixou-nos Marcelo Rebelo de Sousa uma solução que não seria má de todo: descer drasticamente o limite máximo de idade permitido para estar nas Jotas, o que até beneficiaria os partidos na medida em que passariam a usufruir mais cedo da irreverência da juventude (mas já sem idade para estar na Jota). Por mim, que até preferia mesmo acabar com as juventudes partidárias, creio que não seria mal pensado descer o limite até aos 24 ou 25 anos de idade. Deixou ainda duas indicações preciosas que permitem perceber o actual estado dos partidos: o nosso sistema partidário foi criado demasiado à esquerda; e foi criado de cima para baixo, do Estado para a sociedade, e não da sociedade para o Estado. Não chegou a ser respondida a minha outra pergunta sobre o financiamento partidário. O que me parece acertado é que o Henrique Raposo tem muita razão.