(Momento de Civilização, de Nuno Castelo-Branco)

 

Um poema da autoria de Beatriz Oliveira, declamado por ocasião do Open Slam Jam, que teve lugar no Espaço Grooveart, a 27 de Janeiro, em Lisboa:

 

Poluição

 

 

Venha o cheiro e ouvido de outros homens

Venham melhores, menos fatais… normais

Venham compreender essas lâminas de ar com rosto de pessoas, que nos atravessam

Sol e tempestade, é igual, venham direitos, distraídos, de barro ou de cristal

Mas venham, sim venham…

Sossegados.

 

Para poluir eles cá estão,

Povo de ilusória sanidade

 

Vivendo cheio de medo, enredo

Sociedade sem som, sem suor.                   

Venham sempre pedindo,

Um Bocage e mais outros cinco

Que o poeta só polui a própria alma.

Sarcástico humor o da Natureza,

Venha ela para mostrar e despachar

Que é melhor que todos nós

Quando ela se calar, o poeta perde o amar.

 

Venham agora tapar olhos e ouvidos em caudais de pessoas inocentes

Poluam mentes em guerras, em religião também e construam mares de sangue, 

Sejam entao felizes no meio de uma esfera de demência e tendência

Que o ar é de todos

e os amores também…

 

Digam então, que a razão

não existe senão

que todo o fim seja são, então

que tenham o mundo na mão….

 

Para poluir eles cá estão,

Povo de ilusória sanidade

 

Digam que é Poluição…. 

 

Beatriz Oliveira

 

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