Autor: Samuel de Paiva Pires (Page 1 of 324)

The concept of tradition at the crossroads between liberalism, conservatism, and communitarianism

Acaba de ser publicado o meu mais recente artigo, “The concept of tradition at the crossroads between liberalism, conservatism, and communitarianism”, no Journal of Political Ideologies.

Neste trabalho, em que retomo o tema da minha tese de doutoramento, exploro como Friedrich Hayek, Karl Popper, Edwar Shils, Michael Polanyi, Michael Oakeshott, Roger Scruton e Alasdair MacIntyre partilham um entendimento substantivo do conceito de tradição. Recorrendo à análise morfológica das ideologias proposta por Michael Freeden, o artigo demonstra que, longe de ser um exclusivo da direita conservadora, a tradição opera como um conceito central ou adjacente na intersecção entre o liberalismo, o conservadorismo e o comunitarismo.

A editora disponibilizou 50 cópias de acesso livre para os primeiros leitores, a que podem aceder aqui.

Nova morada

O percurso do Estado Sentido nos Blogs do Sapo termina aqui, por força da decisão do Sapo de descontinuar o serviço de blogs. Fomos um dos blogs pioneiros nesta plataforma nacional, para a qual nos transferimos após um convite da equipa dos Blogs do Sapo, e é com muita pena que a vemos terminar. Agradecemos especialmente à Jonasnuts e ao Pedro Neves todo o apoio que nos deram.

Apesar de os blogs, em particular os dedicados à política, já não terem a relevância de outrora – especialmente em resultado da ascensão das redes sociais -, decidimos não só preservar o legado do nosso blog, que em Outubro deste ano celebrará 19 anos, como também continuá-lo com uma equipa mais reduzida e renovada. A partir de agora, passamos a contar com o Nuno Amaral Jerónimo, Professor de Sociologia na Universidade da Beira Interior, e com o André Saramago, Professor de Relações Internacionais na Universidade de Coimbra.

Podem continuar a ler-nos na nossa nova morada, bem como na nossa página do Facebook.

Moralmente miseráveis

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(fotografia da CNN)

Um mundo que permite que Israel faça isto é um mundo moralmente falido. Depois de bombardeamentos indiscriminados e de centenas de assassinatos de pessoas que tentam obter bens alimentares em postos de ajuda humanitária, Israel optou agora por matar pessoas à fome, o que não tem qualquer defesa ou justificação possível. Um Estado que condena crianças à morte pela fome, ainda por cima tratando-se de um país fundado por uma nação que sofreu o que todos sabemos com o Holocausto, pode repetir até à exaustão que é a única democracia do Médio Oriente e que está simplesmente a combater o Hamas, mas as suas acções não deixam margem para dúvidas sobre as suas intenções genocidas.

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Eleiçoes legislativas 2025: O elefante na sala

Muitas lições e ilações podem ser retiradas dos resultados eleitorais de hoje. Os comentadores televisivos estão a focar-se nas lições e efeitos de curto prazo, especialmente os atinentes à formação de governo (será que a AD se coligará com a IL?) e à liderança do PS. Iremos ainda ouvir falar muito da taxa de abstenção e da incapacidade dos partidos centrais do regime responderem aos problemas do país, e assistiremos também a vaticínios sobre a duração do próximo governo. Além disto, continuarão todos, comentadores, jornalistas e partidos, a ignorar as mudanças estruturais na sociedade portuguesa que estão intrinsecamente relacionadas com o crescimento do Chega e que irão contribuir fortemente para a erosão do regime democrático.

A principal mudança prende-se com a penetração do Chega nas camadas mais jovens da população portuguesa, designadamente os adolescentes do ensino básico e secundário. Há um conjunto de factores que permitiu ao Chega fidelizar muitos membros deste segmento demográfico. A longa decadência do sistema educativo e a ascensão das redes sociais, a que veio mais recentemente juntar-se a emergência da Inteligência Artificial – que para qualquer sistema educativo representa um autêntico retrocesso civilizacional -, facilitaram muito o contacto do Chega com estes jovens, que estavam já à mercê de um ambiente digital tóxico.

O que o Chega tem vindo a fazer é um combate cultural de longo prazo focado naqueles que serão os eleitores do futuro, que estão muito mais vulneráveis à desinformação e manipulação do que quaisquer anteriores gerações estiveram. Continuar a ignorar este problema será dramático para o regime democrático. Aliás, filósofos políticos tão diversos quanto Platão, John Locke e Rousseau debruçaram-se particularmente sobre o tema da educação e a sua importância para os regimes políticos.

A este propósito, aqui ficam alguns excertos de uma entrevista que eu e a Professora Isabel David demos no ano passado ao International Journal of Iberian Studies:

SPP: (…). Chega, on the other hand, has broken that restraint, activating these prejudices and deeply polarizing both Parliament and Portuguese society. We are already seeing the effects. Culturally, academically, and socially, things are not as healthy as they were before Chega became a significant political force.

ID: Samuel’s point about social media strategy is crucial. This phenomenon isn’t limited to Portugal; it’s happening all over Europe, the United States and Brazil. Younger generations are drawn in by parties like Chega through platforms like TikTok, where they have a huge following. I’ve asked students why they find Chega’s social media appealing, and they say it’s because the content is dynamic, concise and speaks their language. Figures like Chega’s Rita Matias, who is young and relatable, know how to connect with them. However, Chega isn’t only appealing to younger voters. Like other populist right-wing parties, they attract older, less educated voters too. But it’s their effectiveness with the younger generation that’s particularly concerning. My generation and older ones don’t speak the same language as these parties, and that’s partly why we aren’t as effective at countering them. Parties like the Left Bloc may address young people’s concerns but aren’t as popular on social media. While the Socialists and PSD are trying to catch up, and the IL has a relatively strong social media presence, no one has managed to grow like Chega.

SPP: The IL is another party worth noting. They target young voters and are skilled at marketing, with strong messaging about taxes and affordable housing. Yet they lack the polarizing, anti-establishment appeal that Chega has. They’re more of a civil, centre-right party and they don’t engage in the kind of racist rhetoric that Chega does. There’s a pervasive idea in Portugal that the current regime is dominated by the left, and many right-wing intellectuals argue that political correctness stifles free speech. This is a key part of Chega’s appeal. They position themselves as the ones challenging political correctness and fighting against a supposed left-wing cultural dominance. For young people who feel disillusioned or rebellious, this message can be very attractive.

DK: In your opinion, how do you think education, particularly in the humanities, can serve as a counterbalance to the appeal of these right-wing movements?

ID: That’s a really tough question. I believe the task ahead is monumental. One of the main issues is the overwhelming dependence on social media. This brings us to the broader issue of the education system. It’s failing to provide the critical thinking skills and foundational knowledge that young people need. There’s too much reliance on gadgets and not enough emphasis on books and traditional learning. We need to reduce, if not completely eliminate, the use of mobile phones in the classroom. There needs to be a serious conversation about what is right and what is wrong. (…).
Many students have told me that until they got to university, they didn’t know the difference between right and wrong when it came to politics. They were heavily influenced by what they saw on social media, and it was only through academic debate and discussion that they started to form informed opinions. This problem isn’t limited to social sciences students. In fields like engineering and health, students are even more disconnected from political engagement. Many simply don’t care about politics, don’t trust politicians and get most of their information from social media, which leaves them vulnerable to misinformation. Addressing this requires a serious conversation involving universities, democratic institutions and families. We need to rebuild the connection between education, values and critical thinking, because the future of our democracies depends on it.

SPP: The impact of social media is very concerning. Jonathan Haidt, in his book The Anxious Generation (Penguin Press, 2024), and Michel Desmurget, in La Fabrique du crétin digital (‘The Digital Idiot Factory’) (Seuil, 2019), talk about how social media companies are effectively holding our children hostage. Ironically, the engineers who designed these platforms send their children to schools that don’t allow mobile phones or iPads because they know the harm they can cause. Yet, as a society, we allow children to be overexposed to technology. We need to push back against this.

“Liberalismo – Da Teoria à Formação de Governos”

Acaba de ser publicado o livro “Liberalismo – Da Teoria à Formação de Governos”, resultante de um projecto de investigação liderado pelo Bruno Ferreira Costa, apoiado pelo Instituto Mais Liberdade e desenvolvido no PRAXIS – Centro de Filosofia, Política e Cultura da Universidade da Beira Interior

Da minha parte, tive o gosto de contribuir com dois capítulos intitulados “Os fundamentos do liberalismo” e “As ramificações do liberalismo moderno e contemporâneo”, nos quais procuro oferecer uma visão panorâmica, ainda que necessariamente selectiva, da evolução da teoria liberal, abordando as suas ideias e autores fundamentais.

O livro já está disponível no site das Edições Sílabo, bem como na Bertrand.

A primeira sessão de apresentação decorrerá no dia 21 de maio, pelas 15:00, no auditório 2.12 da Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Beira Interior, e contará com a apresentação por parte de Carla Castro, que prefaciou a obra.

 

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Crónica de uma queda anunciada

Luís Montenegro poderia ter-nos poupado ao penoso espectáculo desta tarde, cujo desfecho estava mais do que anunciado. Já se tinha percebido que o Primeiro-Ministro não tem respeito pela função (“circunstância”, nas palavras do próprio) que desempenha, mas foi particularmente ilustrativo do irregular funcionamento das instituições vermos o Governo a aventar uma proposta de Comissão Particular de Inquérito em que o escrutinado é que decidiria o tempo de que os escrutinadores disporiam, numa clara intromissão do executivo no poder legislativo. Ao actuarem quase exclusivamente no domínio da táctica, acabaram a violar princípios basilares da democracia liberal e do republicanismo. Verdadeiramente notável.

Entretanto, com a rejeição da moção de confiança, chega ao fim um Governo despudoradamente classista e elitista, que governou a pensar essencialmente em determinados grupos e faixas etárias e para o qual a generalidade da população entre os 36 e os 67 anos de idade serviu apenas para pagar impostos que financiaram medidas e políticas públicas socialmente injustas e fiscalmente desiguais, cujo objectivo principal foi fidelizar determinados segmentos do eleitorado que o anterior Governo do PSD e CDS tinha alienado. A tão propalada estabilidade política não passa de uma farsa com que o Governo tentou escamotear a tragédia da continuada decadência de sectores cruciais para o desenvolvimento do país e o futuro da população, como a saúde e a educação, a habitação e a justiça. Abre-se, agora, uma janela de oportunidade para que um novo Governo tente fazer mais e melhor – e, de preferência, que não tenha problemas de carácter ético e/ou legal que, pese embora aproveitem invariavelmente aos populistas desavergonhados, são sintomáticos da lamentável degradação do regime.

Aula aberta – “Liberal socialism in the 21st century”

No próximo dia 28 de Novembro, Quinta-feira, pelas 16:30, decorrerá no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa uma aula aberta, no âmbito dos Research Seminars do Centro de Administração e Políticas Públicas, subordinada ao tema “Liberal socialism in the 21st century“, que contará com a intervenção de Matthew McManus, Professor na Universidade do Michigan (EUA) e um dos protagonistas do debate acerca do futuro do liberalismo.

Mais informações aqui

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I Jornadas de Relações Internacionais da Associação Portuguesa de Ciência Política

A 21 e 22 de Novembro a Secção de Relações Internacionais da Associação Portuguesa de Ciência Política irá organizar as I Jornadas de Relações Internacionais com o objetivo de recolher testemunhos e experiências de docentes e investigadores da área, e assim mapear as principais tendências que podem ser esperadas a curto e médio-prazo em diferentes domínios de aplicação. A participação é livre e todas as sessões terão lugar no seguinte link: https://bit.ly/4fEzcjg.

SRI-APCP I JRI

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