Samuel, Samuel… se dissesse que não vi este “confronto” a léguas de distância estaria a mentir. Mas cá estamos nós e independentemente das circunstâncias vamos ver se pomos os pontos nos is. Responder a tanta acusação junta torna-se complicado, ainda mais complicado quando se trata de um colega com um trato tão distinto e delicado – que no entanto conseguiu chegar ao ponto que eu nunca cheguei, sem tocar no assunto em questão disparou n acusações ultra pessoais de falhas de carácter, é caso para dizer que quem tem “nível” é outra coisa. Realmente não sei se correspondo ao teu (e de muita gente) ideal da pessoa modesta e sinceramente não quero saber se o faço. Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros. Depois também estou consciente que o padrão usual da boa educação cá no burgo é algo pelo qual eu felizmente não dependo e com boas razões para tal: se não gosto de alguém torno isso claro em vez de andar com rodeios e hipocrisia; não faço favores a tipos “porreiros” nem a” amigalhaços” e isso irrita muita gente; não defendo erros de outras pessoas por muito próximas que me sejam; não bajulo ninguém só porque estão numa posição de ser úteis em qualquer aspecto e ainda por cima tenho a mania de uma coisa chamada meritocracia, parvoíce minha por certo. Em geral considero o não corresponder ao standard típico da boa educação portuguesa uma grande virtude moral minha (qualquer leitor que sinta o seu nacionalismo ofendido pode amuar num canto escuro sozinho porque eu não quero saber).
Por fim agradeço profundamente a preocupação com os meus níveis de energia. Realmente dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas mas do que simplesmente pregar um enorme conjunto de lugares comuns socialmente bem aceites mas se quisesse ouvir aplausos de um público trabalharia como actor para ao fim de cada discurso sentir a aprovação da multidão. Além disso não é o mundo que me irrita Samuel, só parte dele. A parte que tende para o conservadorismo autoritário que tanto abomino e que tanto se arroga em vítima.






Foi um breve reinado mas cheio de esperança. Para todos os que ambicionavam a reforma do Império, a estabilidade, a Justiça e o retorno ao clássico foi um período de promessas, de um futuro de ouro que estava ao seu alcance se tivessem tempo de o implementar. Não tiveram. Juliano seria o último imperador a dinamizar o Ocidente, o último a reinar como pagão, o último rei-filósofo, o último Imperador a ser iniciado nos mistérios de Elêusis. Foi-lhe dado o cognome de “o apóstata” mas teria sido mais apropriado ser considerado “o restaurador”.
Este dia 14 que passou (a data não foi assinalada antes por esquecimento meu) celebrava-se em Atenas na antiga Grécia (e os seguidores do Helenismos ainda o fazem ainda que não exactamente da mesma forma) a festa da Bufónia (o assassinato do boi) dedicada Zeus Polieu (Zeus protector da cidade) em que miticamente ao serem deixados alguns bolos de cevada a Zeus um boi teria tido a audácia de os comer; os atenienses gritaram blasfémia e um deles matou o touro com um machado. Percebendo imediatamente que agira mal o assassino foge deixando a cidade entregue às maldições de um Zeus furioso por terem sacrificado um animal que devia ter sido deixado em paz. Desesperados os atenienses enviam representantes a Delfos para falar com Apolo que lhes comunica que a única forma de restaurar a paz dos deuses é trazendo o assassino à justiça e ressuscitar o boi. Como o assassino há muito que havia fugido os atenienses julgaram o machado empunhado na morte do animal e condenaram o objecto (que passou a simbolizar a sua culpa colectiva) a ser atirado ao mar e na impossibilidade de ressuscitar o boi embalsamaram o animal de forma a simbolizar o seu retorno à vida. E foi assim que se passou todos os anos durante séculos.