Autor: pedrofontela (Page 1 of 3)

Ao cuidado do Samuel

Samuel, Samuel… se dissesse que não vi este “confronto” a léguas de distância estaria a mentir. Mas cá estamos nós e independentemente das circunstâncias vamos ver se pomos os pontos nos is. Responder a tanta acusação junta torna-se complicado, ainda mais complicado quando se trata de um colega com um trato tão distinto e delicado – que no entanto conseguiu chegar ao ponto que eu nunca cheguei, sem tocar no assunto em questão disparou n acusações ultra pessoais de falhas de carácter, é caso para dizer que quem tem “nível” é outra coisa. Realmente não sei se correspondo ao teu (e de muita gente) ideal da pessoa modesta e sinceramente não quero saber se o faço. Apesar de não ser um especialista na maioria dos temas que abordo não estou na estaca 0 e não tenho razão para me colocar ao nível da completa ignorância ao deixar passar erros (mal intencionados ou honestos) grosseiros.  Depois também estou consciente que o padrão usual da boa educação cá no burgo é algo pelo qual eu felizmente não dependo e com boas razões para tal: se não gosto de alguém torno isso claro em vez de andar com rodeios e hipocrisia; não faço favores a tipos “porreiros” nem a” amigalhaços” e isso irrita muita gente; não defendo erros de outras pessoas por muito próximas que me sejam; não bajulo ninguém só porque estão numa posição de ser úteis em qualquer aspecto e ainda por cima tenho a mania de uma coisa chamada meritocracia, parvoíce minha por certo. Em geral considero o não corresponder ao standard típico da boa educação portuguesa uma grande virtude moral minha (qualquer leitor que sinta o seu nacionalismo ofendido pode amuar num canto escuro sozinho porque eu não quero saber).

 

Sabes porque levo as coisas a sério Samuel? Porque não estou só a matar tempo com o trabalho que desenvolvo no campo político. Isto não é apenas uma conversa sem consequências, especulação para intelectuais aborrecidos e desocupados enquanto bebem uns copos. É algo mais sério, ou pelo menos deveria ser. Trata-se de pensar sobre temas que nos afectam a todos de forma profunda quer se admita ou não e ao contrário da maioria das pessoas não me posso dar ao luxo de ser ignorante e apático. Há sempre um preço a pagar pela preguiça de pensar e de agir e para alguns é mais alto que para outros. Não posso deixar de achar divertido que alguém ligado à direita venha exigir um relativismo moral para defender a dignidade das suas opiniões – se a ironia matasse alguém tinha caído redondo no seu teclado.

 

Por fim agradeço profundamente a preocupação com os meus níveis de energia. Realmente dá um pouco mais de trabalho escrever coisas que as pessoas não querem ler porque vai contra as suas crenças mais profundas mas do que simplesmente pregar um enorme conjunto de lugares comuns socialmente bem aceites mas se quisesse ouvir aplausos de um público trabalharia como actor para ao fim de cada discurso sentir a aprovação da multidão. Além disso não é o mundo que me irrita Samuel, só parte dele. A parte que tende para o conservadorismo autoritário que tanto abomino e que tanto se arroga em vítima.  

 

 

Cumprimentos com a maior falta de educação possível e sem chá absolutamente nenhum,

Pedro Fontela

 

 

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A onda do revisionismo

Desde os anos 80 onde os conservadores ocidentais conseguiram as suas primeiras vitórias políticas significativas depois da geração de 60 tem havido uma onda revisionista no que toca a analisar a história dos diferentes movimentos revolucionários e progressistas que tem tentado dar um certo spin aos eventos mundiais – a revolução francesa passou a ser inteiramente negativa (ou de mérito marginal), a inglesa passou a ter um mero carácter económico, os regimes ditatoriais Ibéricos passaram a ser positivos, etc.

 

 

Isto reflecte essencialmente uma óbvia reacção contra as mudanças radicais pós-segunda guerra mundial. Acusando, por exemplo, o estado social de ser uma abominação esquecendo-se que foi para compensar o comum dos mortais pelo trauma e sofrimento de travar as guerras dinásticas das muy conservadoras linhas reais e imperiais europeias que se resolveu subornar as “underclasses” com a figura da protecção social na maior parte dos países europeus. A linha foi retomada pelos americanos aquando do fim da União Soviética sendo o fim da política anunciado e depois revogado pela mesma corrente política 10 anos depois quando o inevitável aconteceu e o mundo não passou a ser uma mega empresa simplesmente a ser gerida.

 

Neste momento parecemos estar na fase crítica de lavar os nomes mais problemáticos do século passado. Se era um tirano conservador venha daí um bom artigo numa qualquer publicação pseudo liberal defendendo as suas virtudes e o seu empenho no mundo livre – o contra argumento previsível a este ponto é que os comunistas deste mundo (os que não se converteram ao mercado como a maioria dos estimáveis representantes conservadores) glorificam tiranos como Estaline sendo que os ídolos conservadores fizeram muito menos estrago; a isto eu só tenho a dizer que se querem ficar nesse nível então óptimo vão “brincar” com os comunistas e deixem as pessoas sérias em paz.

 

Para quem quer ser um cidadão responsável urge fazer um estudo sério e individual da história do país e do mundo para não ser enrolado nestas euforias artificiais promovidas por grupos de interesses muito peculiares que lançaram estas campanhas de propaganda incansáveis. A não termos um certo cuidado qualquer dia vamos acordar ao som de um discurso de tv de um qualquer badameco autoritário com bandeirinhas de Salazar e Caetano  ao seu lado a expor as virtudes da religião e da pátria e a justiça da superioridade das elites económicas – um verdadeiro ancien regime restaurado com uns pozinhos de economicismo.

 

Observações

Se há coisa curiosa no discurso político é reparar como os sectores reaccionários da sociedade de apossaram de certos elementos da nossa cultura comum e reclamam usufruto exclusivo quer dos nomes quer dos conceitos – história e religião são os dois exemplos mais óbvios mas por certo haverá outros. Será que esses senhores já pensaram que muitos dos que fizeram história e viveram no passado não partilhavam a sua mundivisão? Será que também já lhes ocorreu que muitas figuras religiosas por esse mundo fora foram tudo menos conservadoras como eles são? Tudo isto lhes parece escapar quando esta simplificação demagógica lhes dá jeito em termos políticos para tapar a sua falta de ideias.

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Carta ao provedor do DN

 

Caro Provedor,

 

Escrevo este email para comentar apenas um assunto do vosso jornal que já há vários anos me chama a atenção e me deixa desconcertado. Refiro-me ao espaço da coluna semanal de João César das Neves (JCN). Claro está que o jornal tem direito a publicar as opiniões que bem entender e que achar serem relevantes mas este vosso leitor sente a sua inteligência profundamente ofendida pela boçalidade dos textos em questão – pelo menos daqueles em que fala de assuntos sociais já que nos que aborda temas económicos comporta-se simplesmente como um amador que só ouviu falar numa teoria única que explica magicamente todos os factos económicos do mundo.

Todos nós temos os nossos “ódios de estimação”, faz parte de ser humano e ser activo na vida civil mas o senhor em questão passa em muito das marcas. Uma coisa é eu ter uma interpretação peculiar sobre determinados factos históricos outra coisa muito diferente é ser profundamente ignorante sobre o que estou a falar e mandar bocas absurdas – como calculo que o nível intelectual que o DN se quer colocar não está no da conversa de café de esquina em que cada conviva atira a sua alarvidade penso que deveriam considerar o que tenho a dizer.

Só para dar alguns exemplos do último texto publicado hoje. JCN fala dos males do mundo dando uma visão ao leitor desatento completamente desfasada da realidade. A maior parte dos ditos “malefícios” do mundo moderno que o sr. Professor (da UCP como não podia deixar de ser) correspondem a um processo de luta social extremamente activo que veio significativamente melhorar vida de quase todos nós – aliás a sua visão castradora da sociedade corresponde em tudo ao conservadorismo de sofá que dita que o passado é necessariamente melhor que o presente sem se preocupar com as vidas de todos os outros que seriam negativamente afectados; e a não ser que eu esteja completamente enganado e acções como abolir o processo democrático, instituir a teocracia, reprimir as minorias raciais, sociais e sexuais como no passado sejam tudo grandes projectos de futuro viáveis e o DN se posicione nessa linha ideológica (que sinceramente nem sei se ainda estará dentro da legalidade) não deveriam ter lugar num debate civilizado.

Duvido muito que seja o único leitor do vosso jornal que pense da mesma forma sobre JCN e as suas diatribes apesar de possivelmente ser dos poucos que se dá ao trabalho de vos escrever sobre o assunto. Mas sinceramente o hábito português de assistir passivamente a estes discursos de ódio do género dos que JCN dá semanalmente do seu púlpito é um mau serviço cívico e para contrariar essa tendência deixo aqui o meu descontentamento e o meu pedido a que o DN crie algum tipo de critério de credibilidade para os seus comentadores para que não possam cair nestas posições absurdas em que fazem afirmações ofensivas e ignorantes num vazio de informação.

 

Melhores cumprimentos,

Pedro Fontela

 

Ps: o texto que vos envio foi também publicado no blog “Estado Sentido” http://estadosentido.blogs.sapo.pt/
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Jornais

Dizem que quem quer uma análise em detalhe dos eventos lê a imprensa e que quem só quer as “headlines” se fica pela tv mas desde que voltei lá de fora tenho acompanhado o jornalismo português com alguma atenção e tenho que discordar. Ao abrir qualquer publicação diária (não tablóide) deparo-me apenas com artigos de opinião que se repetem uns aos outros incessantemente, isto quando não se estão a mandar recados pessoais entre comentadores. Há alguns temas de comentário que se repetem mais frequentemente que outros, por exemplo: a crítica ao estado devorador de tudo que é sempre apresentada em género caricatural em que a instituição é demonizada e o sector provado adorado como exemplo de virtude – ignorando as práticas empresariais incorrectas, ilegais e as ramificações sociais e políticas que costumam estar associadas ao fenómeno do negócio (nada se movimenta num vazio cultural); curiosamente estes comentários costumam surgir de pessoas ligadas ao mundo dos negócios que pelos vistos não conhecem nenhum desses defeitos (abençoados sejam os simples…).

 

Peguei neste ponto mas poderia ter pegado noutros mas o que fica patente seja qual for o tema que se queira escolher é que os jornais claramente têm uma orientação política, económica e social (ninguém no seu bom senso dá por exemplo tempo de antena a um personagem como César das Neves ou  Júdice (para dar apenas alguns exemplos) se não tiver um interesse comum a defender) que exercem constantemente em modo de propaganda de forma a criar uma agitação artificial no charco da política nacional – aliás isto não é política… é mexerico de domésticas. À falta desta profundidade de análise e de credibilidade que é característico dos nossos medias resta ao leitor interessado ir apanhando bocados aqui e ali e se com sorte ir lendo uns espaços online mais interessantes que o marasmo da tv e do jornal.

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Questões de liderança

 

Um dos principais empecilhos, na minha opinião, existem à questão monárquica residem na questão da titularidade do cargo. O poder em si do monarca (mesmo se considerar-mos um de moldes pós 1834) não é problemático já que como qualquer poder pode ser bem ou mal usado. A grande dificuldade vai na justificação da ocupação vitalícia – nem discuto a hereditariedade porque acho que esse conceito não tem salvação, é mau do princípio ao fim. Para admitir uma submissão nacional a um individuo temos que considerar alguns factores que na minha opinião passam a ser de ordem não política mas “heróica”, “mítica” ou mesmo mística. A justificação do papel do monarca não é algo evidente nem próprio de um mundo de iguais (já que para todos os efeitos o monarca não é o primeiro entre pares mas sim alguém que elevado acima dos seus congéneres).

 

A própria ideia de conceder tal poder a um Homem refere-nos à ideia do extraordinário (heróico) dessa pessoa, alguém que alcançou tais alturas e tal aclamação por mérito indiscutível e em quem (apesar de podermos não partilhar todas as opiniões) se poderia confiar implicitamente para defender a integridade e bem estar da Nação. Se me disserem que houve reis hereditários que se esforçaram por dar vida a esse ideal eu estarei de acordo mas isso nunca poderá legitimar a forma como ascenderam ao poder nem como perpetuaram a sua linhagem. Este tema trás sempre outros agarrados muito ligados à forma como organizamos a nossa sociedade em termos de reconhecimento. Muitas vezes fala-se na aristocracia com um certo desdém sem considerar outras coisas… Se consideramos que o monarca (ou outra figura que maneje o mesmo poder simbólico) exista mas não de forma hereditária que melhor forma de escolher um sucessor que através de um conjunto de notáveis eles próprios reconhecidos pelo mérito e de forma não hereditária? Por este prisma parece-me que a aristocracia e os seus privilégios (sociais e não legais, ou pelo menos não no sentido que lhe concedessem primazia sobre outros cidadãos) são indissociáveis de qualquer projecto monárquico – louvar um e demonizar o outro quando partilham tantas características não faz sentido.

 

Um dos outros pontos problemáticos da questão monárquica é a questão religiosa/simbólica. De certa forma qualquer tipo de liderança futura não pode assumir uma demarcada preferência neste campo já ao contrário do passado não temos (felizmente) uma religião de estado e qualquer poder que se queira não opressivo mas representativo tem que dar liberdade à expressão de cada um e tem que arranjar uma forma de se identificar com o todo que não se baseie na exclusão. De certa forma teria que recriar um modelo mais ao estilo da Roma Imperial do que da monarquia cristã tradicional; com o culto nacional de um lado e miríade de movimentos religiosos de outro lado – isto sem nunca entrar na interferência com as escolhas pessoais do detentor do título.

 

Provavelmente não consegui estabelecer qualquer tipo de pensamento sistemático sobre a questão, mas é algo que ocupa a mente de tempos a tempos e resolvi deixar aqui algumas reflexões sobre a questão – ao contrário do que se calhar muitos monárquicos que são leitores deste espaço pensam eu, apesar de ser assumidamente radical nas minhas escolhas políticas, não tenho qualquer aversão ao conceito de liderança, estratificação ou a questões simbólico/religiosas.
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Situações reais, infelizmente

 

Local: Entre as estações de metro do Saldanha e Cidade Universitária

Tempo: hoje, por volta das 20:00

 

Grupo de 3 rapazes armam barulho a viagem toda sem que ninguém diga nada, há um lugar livre e uma senhora dos seus 70 anos senta-se lá. Vendo uma das criaturas com os pés num assento chama-lhe a atenção (de forma neutra) que não deveria colocar os pés. É achincalhada e gozada de tal forma que acaba por mandar o tal marmanjo calar-se. É agredida pela personagem e a segurança do metro (uma senhora dos seus quarenta anos de 1,60m, com ar de que queria estar em todos os sítios menos naquele) eventualmente (e algum esforço foi necessário para convencer o pessoal do metro a agir…) lá retira os 3 da carruagem e convence a senhora agredida a continuar viagem sem apresentar queixa na polícia.

 

Perguntas que surgem:

1-      Em que mundo vivem estes animais (e sim pessoas de menos de 20 anos que agridem um idoso de mais de 60 porque lhe chamou a atenção para uma falha sua são animais e não pessoas normais) que isto é considerado uma resposta social aceitável?

2-      Em que mundo vive 90% das pessoas presentes na carruagem que não se insurgiram em nada contra a situação e só ficaram chateados por o metro se atrasar um pouco para tirar estes criminosos da carruagem?

3-      A empresa do Metro de Lisboa não deveria ter sido a primeira a proteger decentemente a vítima e encorajá-la a apresentar queixa em ver de tentar proteger as suas preciosas estatísticas de crimes dentro dos transportes públicos?

4-      Que raio de ideia é essa de meter uma senhora de meia idade desarmada como segurança contra 3 trogloditas?

 

 Nota final: Um pedido a todos os utilizadores de transportes públicos de áreas urbanas, se presenciaram qualquer tipo episódio violento que não foi bem resolvido pelas entidades responsáveis por favor, pelo bem de todos os que usam os transportes, comuniquem isso a todas as entidades envolvidas, que deveriam ter estado envolvidas mas não estiveram e qualquer entidade que consigam lembrar-se de protecção ao cidadão. Se não nos protegermos uns aos outros ninguém o fará!
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Coincidências

Hoje além de ser o dia que celebro o meu aniversário é também a data que se recorda a morte do Imperador Romano Juliano – faz hoje 1645 anos. Como me parece uma grande personagem da nossa história Ocidental prefiro usar este espaço para o relembrar.

Favius Claudius Iulianus nasce em Junho de 322 E.C. em Constantinopla, filho do meio irmão do Imperador Constantino (o mesmo que insidiosamente inseriu o Cristianismo no coração do Império) nunca se pensou que a púrpura imperial estivesse no seu destino, mas dadas as reviravoltas da política bizantina só o facto de ter sangue de tal família tornava esse facto uma possibilidade não desconsiderável. Em 337 E.C. Constâncio II (filho de Constantino e um Cristão Ariano devoto) lidera o massacre da família de Juliano num esforço de eliminar rivais à sucessão. Depois de assassinar todos os elementos masculinos de idade da família Constâncio manda prender Juliano e o seu irmão Gallus que são assim educados segundo o Cristianismo Ariano que mais tarde viria a rejeitar em beneficio do paganismo helénico com grandes influências neo-platónicas (mais correctamente era teurgia). Acabou por ser nomeado César do Ocidente em 355 E.C. (no sistema da tetrarquia em vigor na altura existiam dois governantes imperiais seniores, os Augustos, e dois Juniores, os Césares) devido aos conflitos com os persas que necessitavam da atenção Imperial e a sua carreira foi de tal forma fulgurante que ao fim de poucos anos Constâncio já planeava uma forma de ser ver livre dele. Sabia que as tropas Ocidentais eram leiais a Juliano (quanto mais não fosse porque antes tinham sido exploradas e abusadas e Juliano tinha restaurado a sua eficiência e orgulho) e como tal tentou afastá-las to caminho emitindo um édito requisitando as suas tropas para a frente oriental. As tropas revoltaram-se e em Fevereiro de 360 proclamaram Juliano Imperador em Paris. Antes que tudo pudesse passar a uma guerra civil Constâncio II teve a decência de morrer e nomear Juliano como herdeiro no seu testamento.

Ao subir ao trono Juliano rescindiu a tetrarquia de Dioclesiano instaurando um sistema imperial unificado, restaurou a liberdade religiosa quer para pagãos (ao reabrir os templos fechados pelos Cristãos) quer para Cristãos (permitindo que as vozes dissidentes pudessem regressar sem medo do exílio), restaurou a autonomia cívica (permitindo maior liberdade de acção às cidades), restaurou a credibilidade do poder imperial (todo o séquito acumulado pelos imperadores que o precederam em Constantinopla foi dispensado e as a administração voltou a estar nas mãos de um Imperador em vez de eunucos), proporcionou justiça para os que tinha sido abusados (obrigou a Igreja a indemnizar os cultos e templos pagãos que tinham sido destruídos ou que tinham visto a sua propriedade confiscada) e finalmente ele próprio se assumiu com pagão agora que não temia a retribuição da facção Cristã na capital. O seu reinado começou com os melhores presságios, esperava-se um novo Marco Aurélio, uma época de ouro e assim poderia ter sido se pouco depois da sua ascensão não tivesse liderado pessoalmente um expedição desastrosa contra o Império Persa sendo que a 26 de Junho de 363 E.C. morreu vítima de uma lança. Após este triste incidente Joviano, um soldado, foi eleito Imperador e eventualmente iria restaurar as brutais políticas cristãs que tinham sido prática corrente antes de Juliano.
Foi um breve reinado mas cheio de esperança. Para todos os que ambicionavam a reforma do Império, a estabilidade, a Justiça e o retorno ao clássico foi um período de promessas, de um futuro de ouro que estava ao seu alcance se tivessem tempo de o implementar. Não tiveram. Juliano seria o último imperador a dinamizar o Ocidente, o último a reinar como pagão, o último rei-filósofo, o último Imperador a ser iniciado nos mistérios de Elêusis. Foi-lhe dado o cognome de “o apóstata” mas teria sido mais apropriado ser considerado “o restaurador”.

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Celebrações

Hoje muitos neo-pagãos celebram o solstício de Verão! No Wicca com o nome de Litha ( noutras religiões pagãs com outra designação ) celebra-se ritualmente a maturidade do Deus que atinge neste dia a sua potência máxima e começa o seu declínio – simbolizado através da união sexual fértil com a Deusa mas sem se limitar a esse contexto. É um dia de festa e o momento mais exuberante e vivo do ano em que se festeja a abundância e as possibilidades futuras.
Este dia 14 que passou (a data não foi assinalada antes por esquecimento meu) celebrava-se em Atenas na antiga Grécia (e os seguidores do Helenismos ainda o fazem ainda que não exactamente da mesma forma) a festa da Bufónia (o assassinato do boi) dedicada Zeus Polieu (Zeus protector da cidade) em que miticamente ao serem deixados alguns bolos de cevada a Zeus um boi teria tido a audácia de os comer; os atenienses gritaram blasfémia e um deles matou o touro com um machado. Percebendo imediatamente que agira mal o assassino foge deixando a cidade entregue às maldições de um Zeus furioso por terem sacrificado um animal que devia ter sido deixado em paz. Desesperados os atenienses enviam representantes a Delfos para falar com Apolo que lhes comunica que a única forma de restaurar a paz dos deuses é trazendo o assassino à justiça e ressuscitar o boi. Como o assassino há muito que havia fugido os atenienses julgaram o machado empunhado na morte do animal e condenaram o objecto (que passou a simbolizar a sua culpa colectiva) a ser atirado ao mar e na impossibilidade de ressuscitar o boi embalsamaram o animal de forma a simbolizar o seu retorno à vida. E foi assim que se passou todos os anos durante séculos.
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Dizer mal da Revolução

Se há desporto que desde há uns anos para cá tem ganho adeptos dentro da direita é o dizer mal da Revolução Francesa, caindo em generalizações ridículas sobre o estado de coisas antes das mudanças radicais que se iniciaram em 1789 (e sim meus caros quer gostem quer não gostem esta data é uma fractura essencial para o nascimento do Ocidente progressista moderno) e demonizações de alguns eventos e personagens (o directório, o papel político de Luís XVI, a sua execução, o terror) e a glorificação de outras (tudo o que foi reacção ao radicalismo e essencialmente a oposição entre a revolução americana e francesa como se a primeira não tivesse envolvido a fuga de 10% da população, violência urbana, guerra civil e ainda maiores baixas em termos proporcionais à população total) e indo alimentar o dogma “liberal” (a la Fukuyama) da evolução tendencial para o mundo-mercado. No fundo estavam perfeitamente confortáveis com um mundo em que como a antiga nobreza francesa dominem milhões de súbditos sem possibilidade de apelo – relembro que os 27 milhões de plebeus franceses tinham exactamente 1 voto nas cortes, o mesmo que poucos milhares de aristocratas e pouco mais de 100000 membros do clero.
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