Autor: paulojcardoso

Muito rapidamente…

Apesar de andar sem tempo devido a frequências e afins, há pormenores que não me passam ao lado:

1º – Timor, outra vez… Mas há ainda quem tenha dúvidas que Timor-Leste é um Estado falhado?
José Barroso-que-não-já-gosta-que-o-chamem-de-Durão, deve estar duplamente triste: primeiramente com os atentados, como seria de esperar; e também pelo facto de, com Ramos Horta inconsciente (mas já livre de perigo), terá mais dificuldades em encontrar alguém que o apoie para Prémio Nobel da Paz (tenho a leve sensação que, com a excepção do “Clã dos Uvas”, ninguém aqui em Portugal está para aí virado).

2º – Como neste país o futebol preenche o imaginário de quase toda a gente, eis que os deificados artistas do esférico, do gel na cabeça e dos brincos nas orelhas, das atrocidades para com a língua portuguesa e do mascar pastilha elástica com boca aberta enquanto se fala, levaram uma valente lição de profissionais da modalidade. Talvez seja este o reflexo paradigmático através do qual se pode inferir porque razão é tão complicado encontrar bons profissionais nos mais diversos sectores em Portugal…

3º – Ucrânia debaixo da ameaça russa; depois da Geórgia, também estes correm o risco de começar a pagar o gás. Para além disso, o preço de ceder à tentação NATO comporta com o simpático direccionar de mísseis de Moscovo para Kiev (nós aqui também pagamos o gás que importamos principalmente de Espanha, mas não temos mísseis nem sistemas anti-míssil de fabrico americano, salvo a excepção da “obra de arte” de João Cutileiro ali no Parque Eduardo VII em Lisboa. Logo, estamos fora da guerra do gás…).

4º – Pedro SantanaLopes, o denominado Rei da Noite de Lisboa pelas revistas cor-de-rosa que muito vendem por esse país fora, e que também foi uma espécie de 1º Ministro, anda a ter aulas de piano… posto isto, creio que já nem é preciso sequer tecer qualquer tipo de consideração…

5º – João Vale e Azevedo e Pimenta Machado afinal são santos! Ao que parece o processo de canonização já arrancou no Tribunal de Guimarães…

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Chef Isaltino

Ao que parece, Isaltino Morais é assaz conhecido pelos seus dotes culinários (para além das afamadas ‘Torres de Miraflores’ e de ter um sobrinho taxista na Suiça, que por acaso também é milionário). E de facto o que o torna tão ardiloso e bem sucedido na cozinha, é uma espécie de molho secreto… Nada de surpreendente para aqueles que já se habituaram às mil e uma maravilhas do oculto que de vez em quando se congeminam no caldeirão do autarca

Porém, depois no passado Fevereiro terem sido os jardineiros os felizes contemplados, agora “foi a vez dos cantoneiros da autarquia saborearem a famosa feijoada à transmontana cozinhada pelo edil”, e convém salientar que nem a chuva o demoveu de levar a cabo esta grandiosa empresa.

Quando ouvi esta notícia pelo meu caríssimo Samuel, fiquei confuso, e ingenuamente perguntei-lhe se Isaltino já tinha começado o trabalho comunitário… às vezes posso andar distraído e não me ter apercebido disso, com as frequências à porta…

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Ferro de volta

Ferro Rodrigues aconselhou o governo socialista a ter «menos arrogância e mais humildade» ao pedir sacrifícios aos portugueses. É interessante ler uma coisa destas saída da boca de alguém que já demonstrou ter um magnífico dom da palavra, e que tem concomitantemente uma ideia muito particular acerca do Segredo de Justiça.

Estou longe de ser socialista, mas entre arrogantes e personagens de terminologia pouco polida, ainda prefiro os primeiros.

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Noção prática – a necessidade na política

Há quem saiba o que era a democracia para Platão. Mas o que importa saber aqui, é o que foi de facto a democracia para o “Pai da democracia”, Clístenes, e para o “primeiro dos cidadãos atenienses”, Péricles ou para o seu braço direito, Efialtes. Importa conhecer a conjuntura que conduziu à criação, por extrema necessidade e pragmatismo politico-social, de conceitos como mistoforia ou isegoria e isonomia. Trata-se de saber não quem teorizou, mas quem criou e quem teve trato com o objecto: quem trabalhou a política 500 anos a.e.c.

Nada na política se faz ou se fez por altruísmo, e este é um perfeito exemplo disso. Com efeito, ao serem de uma das famílias aristocráticas que desde sempre detiveram maior poder e influência em todo o Peloponeso, aos Alcmeónidas, nunca faltou concorrência ao status pelos Pisistrátidas ou pelos Mégaras. E é precisamente pela extrema necessidade de arregimentar, de obter massa humana em ordem da família se superiorizar militarmente ao seu adversário que surge um conceito como isegoria. Ser “hoplita” (um daqueles sujeitos com escudo e com uma lança que se agrupava numa falange), era uma profissão de elevado estatuto social, e como é por demais óbvio, nem todos podiam sê-lo. Era necessário ser cidadão. Nunca deve Clístenes ter pensado que dar a cidadania aos neopolitai (estrangeiros), integrá-los no exército para se superiorizar e depôr o Pisistrátida Hípias, criar a Assembleia dos 500 (alargando assim teoricamente a participação política a mais tribos) em ordem de minar o poder das velhas aristocracias concorrentes e mascarar tudo isto de isegoria (igualdade política teórica entre cidadãos) e mais tarde isonomia (igualdade teórica pela lei e face à lei) mudaria o mundo pelo menos até 2500 anos depois. No entanto todos ficaram exultantes, pelo menos até se aperceberem que ser cidadão implicava pagar impostos.

Mais tarde com Péricles (também Alcmeónida) e Efialtes, surge algo como a mistoforia, que acaba por se inscrever num contexto de compra de influência com o dinheiro dos explorados, e pô-los a aplaudir esse mesmo facto, sem que se apercebam. Não é algo que no fundo (nuns mais fundo do que outros, claro), todos nós gostaríamos de praticar? É tentador, no mínimo…

Címon de Atenas era um feroz opositor de Péricles. Além disso e ao contrário deste, era extremamente rico, e usava essa mesma riqueza para cobrir os cidadãos de benefícios (principalmente os do seu dêmos). Quando este clientelismo chegou às instituições, Péricles e Efialtes agiram, usando o dinheiro do tesouro público ateniense para comprar de volta os felizes cidadãos que desempenhavam cargos nas instituições públicas, principalmente os que tinham assento nos tribunais (eis a mistoforia). Isto dois anos antes de Címon ser convenientemente ostracizado.

Estes conceitos citados foram como muito se apregoa por aí “das mais belas criações de Atenas”. Eu concordo em absoluto, mas não pela falaciosa tentação da criação pelo altruísmo e igualitarismo. Concordo pela genialidade pragmática, tento em conta toda a conjuntura e todos os factos. Já F. Nietzsche dizia que “a necessidade não existe apenas para se suportar. Todo idealismo é mentira face à necessidade”.

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Ab initio

Aproveito a hora dúbia por um lado para agradecer o convite para participar em tão distinto blogue, e por outro para dar os parabéns aos caríssimos membros pelos seus aniversários. Com vinte e poucos anos, acreditem que o melhor ainda estará para vir.
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