Autor: liberdadedepensamento (Page 1 of 8)

Deslumbrantes sucessos, inomináveis tragédias

Depois do “Querido Líder” nos ter conseguido surpreender apesar das façanhas irrepetíveis do “Grande Líder” (sobrevivente a Stalin e a Mao, saliente-se), é a vez do “Grande Sucessor” nos continuar a maravilhar com mais extraordinários feitos da liderança dinástica norte-coreana. A mais recente e esplendorosa está bem espelhada neste título: “Candidatos [ao recrutamento no exército] podem ter 142 centímetros [de altura]“, menos três centímetros que o anterior limite mínimo1.

A Coreia do Norte continua assim na ponta da lança da luta titânica contra as “alterações climáticas”. De facto, se já era bem conhecido o seu importantíssimo contributo para redução das emissões de CO2 na contenção da utilização de electricidade, creio haver menor familiaridade com a mui conseguida antecipação na concretização das teses de alguns bioeticistas. É que, segundo estes últimos, uma das formas relevantes de conseguir diminuir a “pegada ecológica” humana consistiria na eliminação dos embriões maiores e, amanhã, com maior massa corporal. Um excerto:

«And so size reduction could be one way to reduce a person’s ecological footprint. For instance if you reduce the average U.S. height by just 15cm, you could reduce body mass by 21% for men and 25% for women, with a corresponding reduction in metabolic rates by some 15% to 18%, because less tissue means lower energy and nutrient needs.»

1Este tremendo sucesso foi conseguido à custa do raquitismo epidémico decorrente da fome generalizada durante a década de 90 em que milhões de pessoas terão perecido.
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O regresso da tese de que os fins justificam os meios

Via Coyote, fiquei a saber que o filósofo James Garvey, autor de Ethics of Climate Change (!), se pronunciou sobre o Fakegate, protagonizado pelo ignomioso Peter Gleick, nestes termos:

What Heartland is doing is harmful, because it gets in the way of public consensus and action. Was Gleick right to lie to expose Heartland and maybe stop it from causing further delay to action on climate change? If his lie has good effects overall – if those who take Heartland’s money to push scepticism are dismissed as shills, if donors pull funding after being exposed in the press – then perhaps on balance he did the right thing. It could go the other way too – maybe he’s undermined confidence in climate scientists. It depends on how this plays out.

Portanto temos um autor, que escreve sobre ética (!), a defender que um cientista, por sinal um paladino da integridade científica (!), mas ladrão confesso, seja julgado eticamente, nesta última qualidade, pelos eventuais resultados positivos que se venham ultimamente a desenrolar para a “Causa“. Absolutamente extraordinária, a total falta de vergonha desta gente!

O futuro do euro segundo Philipp Bagus

No Mises Institute foi ontem publicado mais um artigo do “Austríaco” Philipp Bagus onde o autor discute o futuro do euro, mantendo o quadro de referência que construíu no seu livro “A Tragédia do Euro” (a que o Samuel já se referiu aqui), de alguma forma actualizando os cenários que antevê como possíveis para o desenrolar do actual drama. Pareceu-me mais pessimista que então ao considerar agora mais provável um desenlace com um pendor francês em desfavor do alemão, mas o melhor será julgar por vós mesmos, lendo o artigo.

 

Nota: por considerar que a tradução portuguesa é muito fraquinha, convido a uma leitura do original inglês, disponível em formato digital, de borla, aqui.

A incessante procura de rendas à pala do estado

…e, infalivelmente, em prejuízo de contribuintes e consumidores. O senhor T. Boone Pickens, a quem o Ecotretas já dedicou vários posts, que já foi um defensor estrénuo das eólicas, de há algum tempo que defende que o governo lidere a iniciativa no sentido de promover a substituição da gasolina e do diesel, usados nos transportes por gás natural, para desta forma a América conseguir diminuir a sua dependência do petróleo da OPEP e, em simultâneo, usando energia mais “limpa”. Veja-se o artigo que escreveu hoje ontem, no The Chicago Tribune.

 

O senhor T. Boone Pickens, um empreendedor e capitalista de longa data (tem 83 anos de idade), tem naturalmente o direito de defender uma maior utilização do (aliás, abundante) gás natural americano, tal como qualquer cidadão. Coisa diferente é a forma como se posiciona para explorar o filão que se avizinharia caso o governo federal liderasse esta ideia, ou seja, adivinha-se: financiasse uma rede de abastecimento de gás, introduzisse regulações no sentido de a conversão se tornar obrigatória, etc.

 

A defesa do subsídio em nome de um superior interesse “público” e do seu carácter “estratégico” para, na realidade, e em primeiro lugar, encher os bolsos de indivíduos que se aprestam para se apossar de “rendas” garantidas pelos estados é uma das características do crony capitalism ou do corporatismo mussoliano. Nada disto tem a ver com o capitalismo. É, antes, o seu contrário.
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Dos “fabricantes de velas” do século XIX ao Google Maps de hoje

Via Coyote e Cato, fiquei a saber que a filial francesa da Google foi condenada em tribunal (em primeira instância) por, supostamente, ter “abusado da sua posição dominante” ao oferecer, de borla, o serviço de mapas conhecido por Google Maps. A entidade queixosa é uma empresa francesa, uma tal Bottin Cartographes que, pretendendo obter uma contrapartida monetária da disponibilização de um outro serviço de web mapping, se acha vítima de concorrência “desleal”! Esta particular história ainda não acabou (a Google recorreu da sentença) mas a argumentação da autora da acção é já muito velha. Tão velha que já Frédéric Bastiat lhe dedicou expressamente um capítulo no seu elenco de sofismas económicos: uma sátira intitulada A petição dos fabricantes de velas, candelabros, lanternas, etc. Vale a pena lê-la na íntegra mas não resisto a transcrever a seguinte passagem que bem ilustra o ridículo do costumeiro arrazoado argumentadeiro e como tudo sempre acaba por se resumir à tentativa de influenciar o poder do Estado em favor dos “peticionários”, dos lobbys, dos grupos de pressão, dos corruptores do poder:

«Sofremos a intolerável concorrência de um rival estrangeiro que beneficia, ao que parece, de condições tão superiores às nossas, para a produção de luz, que dela inunda o nosso mercado nacional a um preço fabulosamente baixo; pois, assim que ele surge, a nossa venda cessa, todos os consumidores se lhe dirigem, e um ramo da indústria francesa, cujas ramificações são inumeráveis, é subitamente atingido pela mais completa estagnação. Este rival, que não é senão o sol, faz-nos uma guerra tão encarniçada, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Albion (boa diplomacia nos tempos que correm!), tanto mais que tem por essa ilha orgulhosa uma deferência que se dispensa de ter para connosco.

 

Pedimo-vos pois a gentileza de criardes uma lei que ordene o encerramento de todas as janelas, lucernas, frestas, gelosias, portadas, cortinas, postigos, olhos-de-boi, estores, numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das boas indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país, que não poderia sem ingratidão abandonar-nos hoje a uma luta tão desigual.»

Já poucos se recordarão, mas foi o que ficou conhecido como “a guerra dos browsers” que quase levou à destruição da Microsoft – e de Bill Gates – durante o segundo mandato da administração Clinton. O “crime” da Microsoft? Atrever-se a oferecer, de borla, o seu browser integrado no sistema operativo Windows quando outros, como a Netscape, pretendiam ganhar dinheiro vendendo o seu próprio browser.

 

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Leitura complementar: France Fines Google: Is Atlas Shrugging?

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Não é preciso ser uma águia

para antecipar o triplo desastre que resultará da extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade. Primeiro: “enjaular” criaturas em salas contra a sua vontade para nada aprenderem e tentarem que os outros nada aprendam é, no mínimo, idiota e talvez mesmo criminoso. Segundo: protelar ainda mais as já de si parcas possibilidades de quem queira entrar no mercado de trabalho, mesmo que mal remunerado, ganhando autonomia para daí desenvolver a sua cidadania, é criminoso. Terceiro: transformar em delinquentes todos aqueles que venham a escolher, livremente, não ir à escola é uma enormidade própria de pietistas e puritanos, uma grave  violação da liberdade.

Crony capitalism

Em entrevista conduzida por Bill Moyers, David Stockman, ex-director do Orçamento no primeiro mandato de Ronald Reagan (*), discorre sobre a estreita ligação existente entre Wall Street e a Casa Branca. O tema é o crony capitalism, expressão directamente intraduzível mas que veicula a existência de um estreito conúbio entre Big Government e Big Business (a banca em particular) e os (in)evitáveis bailouts através dos quais são socializados, com o beneplácito dos governos, os prejuízos dos desmandos cometidos. Curioso Mussolini ter afirmado: “Fascism should more appropriately be called Corporatism because it is a merger of state and corporate power“.

 

 

(*) – Stockman viria a distanciar-se de Reagan, tendo publicado The Triumph of Politics: Why the Reagan Revolution Failed onde explica o porquê desse distanciamento. Quase trinta anos depois, Stockman prepara o lançamento de um novo livro cujo pré-anunciado título é precisamente “OTriunfo do Crony Capitalism”.
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