Autor: krugmania (Page 1 of 2)

O que se passará com o vice-ministério para a suprema felicidade social?

Na pátria de Chávez, a situação económica piora de dia para dia. A uma crise de liberdades, junta-se uma crise inflacionária que nega aos venezuelanos o acesso a produtos básicos como a farinha,  o açúcar, o sabonete ou a manteiga. Há uns meses, faltavam hóstias, vinho e papel higiénico. Tudo isto naquele que é o país com as mais vastas reservas de petróleo do mundo. Obviamente, os funcionários do recém-criado vice-ministério para a suprema felicidade social estão em greve. Só pode.

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The only thing we have to fear is fear itself

Agora, é Durão Barroso a dizê-lo. A constância com que os responsáveis políticos europeus têm reiterado a necessidade, imperiosa para Portugal, de conclusão do programa de ajustamento poderia ser uma coincidência. Dificilmente, contudo, o será: a nervosismo comunitário só pode significar que, em Bruxelas, o cenário de um incumprimento português é visto como algo bem sério. E isso, para mal dos esforços que Portugal tem empreendido nos últimos anos.

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De como as autárquicas de domingo são a prova provada de que a introdução de primárias abertas nunca foi tão urgente

O acto eleitoral de domingo deixou a Coligação governamental em estado de choque e o Partido Socialista a festejar uma vitória que não alcançou. Se os partidos do Governo perderam autarquias relevantes como Sintra, Coimbra, Gaia, Funchal e Porto, o maior partido da oposição viu-se extirpado de bastiões como Beja, Évora, Matosinhos e Guarda. Mais que o centro-direita, o grande derrotado da noite foram os partidos que, desde a Revolução, monopolizam – e monotonizam – a vida nacional.

Argumentarão alguns, e não sem razão, que a hecatombe eleitoral que a Maioria – embora, note-se, não o CDS – experienciou foi consequência de uma oposição geral ao Memorando e aos partidos que o aplicam. É improvável ser esse o caso: mais que da acção do Governo, a derrota sofrida pelos partidos – e aqui deve incluir-se, mérito de Matosinhos, o PS – é corolário de décadas de fechamento partidocrático à sociedade civil. Em pleno fim de ciclo, as sedes partidárias – e não apenas as da Maioria, sublinhe-se – trataram os eleitores com a condescendência de sempre. Em indivíduos, encontraram autómatos prontos a reiterar a sua confiança em partidos que não a mereciam. Do alto da sua prepotência, os partidos esqueceram-se do elo que deveriam manter com os seus eleitores – tradicionais e não só.

Os resultados estão à vista. Se ainda existia, a ilusão de intocabilidade das máquinas partidárias colapsou no dia em que nenhuma das forças políticas costumeiras conquistou a segunda autarquia do país. Se a perda do Porto não foi um cartão vermelho ao establishment, é impossível aferir o que seria. Não que a vitória de Rui Moreira substancie, necessariamente, uma mudança de rumo. Na verdade, é provável que sinalize o oposto: a continuidade da prudência orçamental que caracterizou a era Rui Rio. Aí, o facto incomum é a escala da chapada com que os eleitores replicaram à soberba dos partidos políticos. Se até aqui não seria absurdo etiquetar Portugal como uma partidocracia, uma pátria em que o acesso ao poder se determina nos corredores do Rato e São Caetano, esse período terminou com a vitória, na segunda urbe do país, de alguém exterior – embora não avesso – aos partidos.

O abanão foi bem merecido. Para concorrer em Gaia, uma câmara que poderia ter vencido com maioria absoluta, a Maioria escolheu um nómada político que faz da itinerância partidária uma forma de vida. Em Sintra, optou por ignorar as suas estruturas locais e impor ao município um homem que, pesem ou não as suas virtudes pessoais, lhe é estranho. Em Matosinhos, reduto socialista a norte, sucedeu algo semelhante: porventura devido a desentendimentos entre o autarca e a direcção do partido, o PS decidiu retirar o apoio ao candidato incumbente. O resultado foi uma monumental nódoa na vitória socialista de Domingo. Já no Porto, os sociais-democratas optaram por apoiar um candidato cujo discurso populista contrastou em tudo com a mensagem de contenção que o partido protagoniza a nível nacional. E os portuenses responderam-lhes entregando a câmara ao homem de contas certas e ideias claras que o centro-direita deveria ter apoiado desde o primeiro momento.

A independência, escrevia eu antes das autárquicas, corporiza amiúde uma fachada eficaz para os derrotados do xadrez partidário. Por si só, não é virtude nem defeito. Nestas últimas eleições, contudo, foi a resposta possível a um universo partidário que aparenta recear até os seus militantes. E isso é algo que só se resolve devolvendo ao eleitorado a centralidade decisória que ele merece. Se quiserem reinventar-se, os partidos – sobretudo, os do flagelado centro-direita – serão obrigados, mais cedo ou mais tarde, a decidir-se pela introdução de primárias abertas. A ideia de que devem ser os eleitores, e não os apparatchiks partidários, a escolher candidatos pode até não ser nova. Mas talvez recorde as sedes partidárias do espírito de representação e serviço que estas aparentam ter perdido. Tome esse sentido, e a “reflexão” prometida no domingo será das mais importantes da Terceira República.

 

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Ideias para a PGR (ou de como há gentalha em Portugal que não respeita nada nem ninguém)

Mário Soares: “Paulo Portas tem sido chantageado pelo governo por causa do processo dos submarinos e dos carros de combate Pandur. Quando, pela primeira vez, Portas admitiu que estava a ponderar se ficava ou não, o caso dos submarinos voltou à primeira linha. E isso obriga-o a continuar no governo. O medo é que manda na vinha..”.

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Mais Portugal, menos Europa II

Ser-se membro da única área do mundo desenvolvido que está em recessão não é coisa barata: no ano passado, Portugal entregou a Bruxelas não menos que 1.2 mil milhões de euros. Ou seja, 1/4 do pacote de austeridade de 4 mil milhões de euros que o Governo quer implementar nos próximos anos. Mas não faz mal: com esse sacríficio, Lisboa possibilita a pesquisa de novas formas de energia sustentável no Egipto.

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