Istambul, 31 de Outubro de 2010
Acordei hoje em casa de amigos a menos de 300 metros da Praça de Taksim, centro da vida cultural, social e económica da parte europeia de Istambul. Não acordei com o rebentar da bomba, mas o barulho das buzinas dos carros e ambulâncias que rapidamente se fez sentir no pequeno apartamento onde passei a noite.
Juntámo-nos em frente à televisão enquanto uma amiga turca nos traduzia os comentários que passavam na televisão. Vimos imagens da praça onde tínhamos passado uma boa parte da noite anterior, mesmo junto à İstiklâl Caddesi, repleta de polícia, ambulâncias e até mesmo o que parecia ser um pequeno hospital de campanha.
Do governo de Ankara pouco se ouviu nesta altura, tendo sido Hüseyin Avni Mutlu (autoridade máxima de Istambul) o primeiro a prestar declarações, sem fazer qualquer menção à origem dos atentados, dizendo apenas que considerava o atentado como um acto macabro e assegurando os espectadores de que Istambul é uma cidade segura e que todas as medidas estavam a ser levadas a cabo na prevenção deste tipo de ocorrências.
Passado pouco tempo começou a ser discutida a origem do atentado do qual não houve uma reivindicação oficial (Apesar de ter sido referida uma referência ao TAK – secção do PKK), politólogos falaram em Al-Qaeda, PKK e até em chineses (!?) sem que no entanto tenha sido encontrado qualquer consenso em relação ao motivo do atentado.
Quanto mais lia e ouvia sobre o assunto, menos tudo isto me fazia sentido. Então (seguindo a boa maneira portuguesa) fui até ao local e tentei ver o que por lá se passava. O acesso à praça estava interdito tendo sido usado um cordão policial para impedir a passagem de civis. Tentei fazer algumas perguntas a alguns polícias que educadamente responderam: “no pass, no english”.
Decidido a tentar perceber alguma coisa, resolvi falar com um pequeno grupo de jovens turcos que estavam no local e que apesar de não serem fluentes em inglês, tentaram explicar-me que um terrorista tentou entrar no autocarro da polícia e se fez rebentar. Quando perguntei quem estava por trás do ataque, um deles encolheu os ombros e respondeu: “the kurds”. Se a discriminação do povo curdo por estas bandas não é novidade, não é novidade também o medo que se sente cada vez que se fala no PKK.
Apesar da clara escassez de informação acerca do que se passou e se está a passar em Istambul, o facto do atentado ter ocorrido no decorrer das celebrações do dia da República Turca (que começaram na passada 6ª feira), faz notar um problema de escassez de controlo sobre este tipo de ameaça.
P.S.: Peço desde já desculpa pela fraca qualidade das fotografias, foram tiradas por volta do meio-dia (hora portuguesa) nos únicos locais não interditos à passagem civil, na Praça de Taksim, já depois da evacuação dos feridos.
Videos do atentado:
http://www.youtube.com/watch?v=L8oZcxnviz4







