Autor: cristinamendesribeiro (Page 1 of 204)

” No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições… ” II

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” À Monarquia descentralizadora foi-se substituindo uma Monarquia corrompida, excessivamente centralizadora, túmulo das liberdades tradicionais e, ao mesmo tempo, berço do cesarismo. ( … ) O século XIX é um século de penitência universal: principiado sob o signo do liberalismo, ofereceu-nos espectáculos deploráveis, ao esquecer-se o primado do Espírito. ( … ) O primeiro instrumento da expiação dos povos no século XIX foi Napoleão Bonaparte, flagelo guerreiro e conquistador, inimigo da independência das nações. a « Santa Aliança », reunindo os últimos sustentáculos do tradicionalismo, foi vencida. E, com as armas napoleónicas, a ideia da Revolução trespassou, de lado a lado, a Europa em decadência (… ) ” Manuel Múrias ( pai )

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” No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições… “

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” Em João Pinto Ribeiro já se desfiam com transparencia os fundamentos municipalistas da nossa Realeza, que não é a realeza majestática do Rei-Sol, avocando a si a existencia inteira do Estado, mas a de D. João II, inscrevendo-se pela Grey. E’ a Monarquia moderada, repousando-se na diferenciação regionalista e técnica ( Concelhos e Corporações ) e efectivando a unificação ao alto, pelo exercicio forte das prerrogativas régias. E’ a Monarquia pura, que consiste na limitação da actividade do Estado ao que lhe e’ proprio e constitue a sua função específica – defeza externa, equilibrio concentrador, representação dos interesses geraes. ” António Sardinha, « Nação Portuguesa »

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Eterna caloira

na língua portuguesa, é sempre com prazer que leio – e releio! – autores como Camilo, Tomaz de Figueiredo ou João de Araújo Correia. Desta feita são os ” Pontos Finais ” que me chamam de novo. Alguns capítulos já os lera, tempos atrás, mas a urgência doutro livro, não lembro já qual, obrigou-me a adiar a leitura a que hoje volto. E logo castiço vocábulo me empurra para aquele conselho do nosso grande esgrimidor do vernáculo. ( que, por sua vez, o recebera do poeta Donas Boto )

Sim; neste tempo de facilitismos digitais, os velhos dicionários, Morais ou outro, ainda nos movem, com vantagem!

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Que Terras! Que Terras!,

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dizia-me o Duarte, há tempos. Hoje, quando me sinto tão grata àquele punhado de patriotas que num outro 1* de Dezembro nos devolveu a independência tão arduamente alcançada, e parafraseando outro amigo penso – Portugal permanecerá enquanto tivermos Terras assim! – Ora, como podemos ler aqui:

Temos Tudo Quando Temos Portugal!

( Por Terras de Ribeira de Pena )

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Da minha gaveta *

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( No Gerês)

Uma boa parte da tarde dedicada a identificar fotografias antigas, que tirei nos passeios que vou fazendo cá dentro, acatando o avisado critério de Almeida Garrett quando nos assevera que ” com este clima, com este ar que Deus nos deu ( …) o próprio Xavier de Maistre ao menos ia até ao quintal “… ; como quem arquiva as memórias em pequenas gavetas…E lembro um livro de António Manuel Couto Viana: < Coração Arquivista >…. Como escreveu Tomaz de Figueiredo: ‘ Ah! mundo esmagador das recordações, emendadas umas nas outras, aboiando como de mar sem fundo ‘… E digo-me: isto está tudo ligado…

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* título roubado a saudoso confrade da blogosfera

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Porque já é Outono…

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Que azáfama que ali vai! É tempo de podar as árvores que nos acolheram no Verão à sombra das suas folhagens.

E um sentimento de tristeza: a catalpa amiga que vejo do meu quarto, onde me refugiava nesse tempo de canícula agora totalmente nua, agora despojada das folhas largas, magnânimos verdes leques … No chão a roupagem outonal que trajou até há bem pouco tempo, amarela aqui e ali, mas verde ainda, num verde desbotado talvez…

Uma certeza porém, a consolar a visão castanha, de tronco ferido: mal o Inverno comece a despedir-se elas, as folhas verdes, muito tenrinhas no começo, muito delicadas ainda, voltarão e com elas a alegria da paisagem verde…

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O regionalismo na poesia

Vendo-os assim tão pertinho / a Galiza mail’ o Minho / são como dois namorados / que o rio traz separados / quasi desde o nascimento.// Deixal-os, pois, namorar / já que os paes para casar / lhes não dão consentimento ( João Verde ).

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( O rio Minho em Valença – Illustração Portugueza – )

” Em João Verde é nos ‘ Ares da Raya ‘ que o seu espírito regional se demonstra mais evidentemente. ( … ) Os seus versos são todos de lisonja sincera para as belezas rústicas da sua terra. No agrado com que canta os pinheirais, o toque das trindades, o rio Minho, o campo-santo, as raparigas minhotas, a viola e a flor-de-linho, vê-se a doce e alegre paisagem do nosso Minho, a Galiza vizinha, namorados eternos que o rio constantemente separa, segundo ele… ( … ) Só João Verde, à semelhança dos cantares de Rosalia de Castro, nos deixou a alma raiana, às escâncaras, no seu pitoresco impressionante. ( … ) Joao Verde, pelo perfume nacional e regional que deixou nas suas poesias pela facilidade da sua inspiração fecunda, pelos seus próprios considerandos líricos, ficará na nossa literatura como um dos maiores, senão o maior, dos líricos regionais. Porque o regionalismo em poesia é mais uma prova da natureza lírica, superiormente lírica, dos seus cultivadores ” . Manuel Anselmo in Arquivo de Viana do Castelo

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Um ” ser de desbordante riqueza espiritual “

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” -Chama-o ao telefone o Sr. Prof. Reynaldo dos Santos – disse-me a empregada. – ‘ Que me quererá o Reynaldo? ‘- perguntei a mim próprio. Nunca nos tínhamos tefonado. ( … ). Não lhe ignorava os talentos excepcionais, mas contentava-me de os admirar a distância por falta de tempo e ausência de hábito. Combinado o encontro, Reynaldo propunha-me participar com ele na direcção da revista que a Fundação Gulbenkian lhe confiara – a revista que chamaríamos << Colóquio >> e nos proporcionou uma camaradagem de onze anos. …………………..,…. Surpreendente o esforço a que dedicou os últimos anos da sua vida, totalmente consagrados ao estudo e à radicação e generalização do interesse pelo nosso património artístico. Felizmente que lhe foi possível, com o auxílio da sua mulher, ocupar todas as horas em que a doença o não tolhia, a continuar até ao termo a tarefa, assumida como sagrada missão: – legar à nossa terra os três volumes monumentais – Oito Séculos de Arte Portuguesa. ” ( Hernâni Cidade, director literário da Colóquio. ) Precisava inventariar os exemplares da Colóquio existentes nas prateleiras paternas, a fim de actualizar a aquisição da revista. E, como sucede frequentemente, a leitura de um excerto prende-me a atenção – paro no volume referente ao já longínquo ano de 1970, e, no número de Maio/Junho leio sobre a morte do que até aí fora o seu director artístico: o Prof. Reynaldo dos Santos. Não consigo conter um sorriso: é que ontem mesmo limpara o pó a esse ‘ monumento ‘.

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Por terras da Galiza

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Que procurasse pelo antigo Couto Misto de Rubiás, dissera-me o Duarte. E, de todas as vezes que voltei àquelas terras de Montalegre, este conselho não me largava. A oportunidade surgiu nesse fim-de-semana: era um daqueles dias soalheiros de Outono, o último do ano, que o Inverno já aí estava, com os dias cinzentos e chuvosos. Entrados em Espanha, foi coisa de poucos quilómetros até vermos a placa; então era ali que, até 1864 – data da sua extinção, por assinatura do Tratado de Lisboa ( sempre esse nome de má memória, a lembrar o que, muitos anos depois, em 2007, confirmava a cedência das soberanias nacionais, a pretexto de ” intensificar a união da Europa “) – existiu esse Couto, onde qualquer documento se escrevia ” em português e em castelhano “… Mas logo nos demos conta de que, porque tínhamos saído tarde de casa, teríamos de aí voltar, para melhor conhecermos as terras que, desde tempos medievais, haviam integrado um Estado Autónomo encravado entre Montalegre, do lado português, e a Galiza, do lado espanhol, que, por isso, era governado por leis próprias. É que o tempo fizera-se pouco, e o que entretanto aprendera sobre esse território privilegiado justificava maior demora. E o pouco que vimos prometia: em terras Galegas, era como se continuássemos o nosso périplo pelo Barroso.

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