Ervilhas e funcionários públicos

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Um país do tamanho de uma ervilha não precisa de mais funcionários públicos. A não ser que o governo em funções precise de alavancar a sua posição por forma a garantir uma vitória eleitoral em legislativas que dependem de terceiros. O Partido Socialista precisa de tomar as devidas precauções, antecipando o período oficial de campanha – comprando votos com lugares na função pública. Mas mesmo que aceitássemos a premissa do aumento de funcionários públicos, o departamento de recursos humanos do Estado contrata nos departamentos errados. Quem precisa de técnicos superiores nos dias que correm? Qualquer laborador é suficientemente hábil para se desenvencilhar de bugs e virus informáticos sem ter de fazer uma requisição ao andar de cima onde manda um bigodaço colocado por um familiar do Rato. Sem dúvida que médicos são necessários, mas entendo a patranha. O Sistema Nacional de Saúde já está a meter água pela barba e, deste modo, o governo, ao abrir as comportas a internistas, dá ares de bom samaritano. Quanto às forças de segurança, maltratadas e desprezadas por sucessivos mandatos, é realmente vergonhoso que não lhes seja fatiada uma maior quota de respeito e condições. Um país de perto de dez milhões de almas precisa de 700 mil funcionários públicos para isto funcionar mal? Com 300 mil fariam a mesma coisa. E o descalabro seria semelhante.

2 Comments

  1. Anónimo

    Lupus pilum mutat, non mentem
    In English: A wolf can change his coat but not his character

  2. pitosga

    Segundo o que foi escrito, em abril de 74 portugal tinha 300.000 funcionários públicos para servir um território quase do tamanho da europa anticomunista e com muitos milhões de habitantes (20?).
    Agora, só com madeira e açores, temos o dobro de funcionários.
    Vergonha

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