
Se me pedissem para atribuir o prémio flop do ano à Câmara Municipal de Lisboa para o ano de 2017, o mesmo resumir-se-ia a uma palavra: ciclovia. Para quem ainda se lembra do enorme alarido gerado em torno do alegado big bang que as bicicletas produziriam na cidade, chegamos à conclusão que as sete colinas da gestão autárquica pariram um rato. O esplendor da erva das faixas centrais da Av. da República ou da Av. 24 de Julho, aí plantadas em nome do botox e de melhor mobilidade urbana, sem esquecer o alcatroado avermelhado das ciclovias, simplesmente foram investimentos falhados – são escassas as bicicletas que se avistam – as privadas ou aquelas holandesamente inventadas pelo famoso programa de uso partilhado. Como tantas outras cartolas para impressionar, as eco-considerações dos camarários não passam de show-off, ostentação. Fizeram tudo ao contrário da tradição. Não auscultaram a população, não realizaram o estudo de opinião do utente para confirmar se de facto o alfacinha é pouco ou muito dado ao pedal, mas acima de tudo não perceberam que os portugueses, de um modo geral, não são dados a grandes trocas e baldrocas. Os condutores são adeptos da sua viatura em regime de exclusividade e aqueles que se servem da Carris ou do Metro apenas o fazem porque não detêm os meios para comprar um carro. São considerações desta natureza que não foram tidas em conta por Medina e companhia. A infraestrutura não pode preceder a vontade. De nada serve o orgulho no hardware da rede de ciclovias, se o software da pedaleira, pura e simplesmente não existe. Apenas vejo uma forma de Medina salvar a face desta falência – realizar uma campanha dirigida às pessoas com necessidades especiais de locomoção, no sentido daquelas que fazem uso de cadeiras de rodas finalmente poderem sair à rua para aproveitar as ciclovias desertas. Por mais bonitos e floreados que nos queiram vender, a verdade é que esta ideia é um flop. O flop do ano.
Absolutamente de acordo com a sua avaliação dos alfacinhas, nos quais me incluo. Também concordo com o metodo de avaliar o impacto das opções que se planeiam implementar, antes de as concretizar. E sem morrer de amores pelas opções seguidas, não posso deixar de atrinuir algum crédito às mesmas no sentido de tentar pressionar uma mudança de hábitos, muito lenta e quiçá frustrada.
Afinal, alguns acontecimentos climáticos já nos alertaram para uma mudança que mais tarde ou mais cedo terá de acontecer.
Claro que ciclovias em Lisboa é uma palhaçada e não servem para nada a não ser para rebentar com o dinheiro publico. Há anos que se sabe isso. Quanto ao fato de “ aqueles que se servem da Carris ou do Metro apenas o fazem porque não detêm os meios para comprar um carro” não concordo. Eu uso o comboio e o metro porque chego mais depressa à empresa e porque é mais pratico. Carros tenho 3 !
Provavelmente, se fosse de bicicleta ainda chegava mais rápido!
Para quem não as usa claro que será um flop. Ando de bicicleta em Lisboa desde 2011 e noto uma grande evolução, tanto no número de ciclistas, como nas condições dadas para o seu aumento e até nos condutores. Não queiramos comparar Lisboa com um cidade na Holanda ou na Dinamarca. Nunca estive à espera de um boom de ciclistas com as ciclovias. Acho que começar a incentivar a utilização da bicicleta no centro da cidade e retirar os ciclistas que infelizmente circulam no passeio por terem medo da estrada é um bom passo para a mudança. Também não se esperava que todos os lisboetas comprassem bicicletas pela construção de ciclovias e a introdução tardia das bicicletas de uso partilhado não ajudou a que existisse mais visibilidade da utilização das ciclovias. Acho que ainda temos muito que melhorar, mas criticar um investimento que tenta melhorar a cidade, a saúde dos cidadãos e arranjar uma alternativa ao transporte na cidade mostra o quão pequenos somos. Tantos investimentos foram feitos em Lisboa que não tem o mesmo potencial a longo prazo. Um bom ano. Nádia
O problema de Lisboa é existirem tantos velhos do restelo por aí fora.
O investimento na ciclovia não é tanto quanto as multas por excedências dos níveis de poluentes em Lisboa, nem tão elevado quanto ao impacte na saúde das pessoas que todos os dias têm de submeter às vontades individuais de toda a gente inundar a cidade de lisboa com 350 mil carros a mais do que a infraestrutura tem capacidade de suportar.
Mais grave que as ciclovias sem bicicletas é estarem atulhadas de peões ,os quais, dispõem na Avenida de passeios larguíssimos. Não sei o que se passa na cabeça daquela gente, mas será que é por o chão ser vermelho. E mais grave que as ciclovias vazias ( não estou a ver como se fomenta o uso de bicicletas sem ciclovias, mas enfim) são os carros estacionados PERMANENTEMENTE na Av Duque D’Ávila a ocupar toda a faixa de rodagem direita.
Por muito que nos custe o carro vai ter que ficar fora de Lisboa.
No tempo em que se cortou o trânsito na Rua do Ouro e no Chiado o que não faltou foram comentários desabonatórios e agora é o que se vê. Ninguém pode negar que é muito mais agradável passear na Baixa sem carros do que com carros.
Mas enfim há que malhar em que tem o poder porque é de bom tom.
Só mais um exemplo completamente fora do contexto mas que prova que o povo gosta é de dizer mal.
Ontem era o último dia para trocar uma série de notas de Escudo por Euros. A fila junto ao Banco de Portugal era enorme e uma das pessoas que estava na fila ainda disse que era incrível, que lá dentro do Banco de Portugal não se fazia nada etc. O que andou esta gente a pensar durante mais de 10 anos, repito 10 anos, para no último dia, se dispor a esperar longas horas numa fila para trocar as notas?
Insultos de anónimos não serão publicados – Flop. Sugiro que argumentem com decoro. Melhor ainda – criem um blog e sejam opinion makers.
Só vi que se podia”publicar” como anónimo depois de o ser. Como não publicou o meu depreendo que se sentiu ofendido. Mas colocar artigos com pseudônimo também é uma atitude deplorável. Mas. artigos tão tristes e que não colam com a realidade é capaz de ser mais insultoso que algum vernáculo.
António Menino
Utilizador de bicicleta
O meu nome é John Wolf. Pode googlar John Wolf Portugal Traduzido e comprar o livro, Sr. Menino (?).
Discordo parcialmente (quase totalmente).
A ciclovia da imagem, que não conheço (mudei-me para Lisboa há) 3 meses parece que nunca será muito utilizada. Mas dentro de Lisboa faltam ciclovias. Já aderi ao programa de bikesharing da emel (Gira) e acho que está a ser um sucesso e que, dentro de alguns meses, a oferta vai ser escassa para a procura. Com as bicicletas elétricas chego do júlio de matos, em alvalade, ao saldanha em 10 minutos, mais rápido que esperar pelo metro ou, em certas alturas, ir de carro.
Não sei a idade das pessoas que escrevem; eu tenho 24 anos e a minha geração é completamente diferente. Eu olho para os meios de transporte como todos complementares: Tenho carro, ando a pé, bicicleta, uso o metro e o autocarro. Utilizo o car sharing da drive now e a uber. Muitas pessoas da minha idade, independentemente do poder de compra, não têm carro e, às vezes, nem carta. Não faz falta e financeiramente, é mais desvantajoso do que andar sempre de Uber, nalguns casos (façam as contas, comprar um carro de 20 000 que dure 5 anos (assumindo que é vendido depois por 10 000) custa aprox. 5,5€ por dia, fora seguros, manutenção e gasóleo, estacionamento e o diabo a 7).
Para quem não experimentou ainda as bicicletas, o sistema elétrico das mesmas é bastante bom. Se calhar vou continuar a suar entre o marquês e as amoreiras, mas em subidas menos íngremes quase nem é preciso pedalar!
Posto isto, ponham Ciclovias na av. de Roma, na Almirante Reis, ajustem os semáforos para que seja mais rápido andar de bicicleta que de carro. A chuva não é desculpa (Basta olhar para a Holanda, onde já morei, e todos os dias fazia 8km de bicicleta).
Nuno
Caríssimo, fiz um comentário devidamente identificado, não insultava ninguém, mas é um insulto à democracia não publicar opiniões contrárias.
O seu comentário não devia ter sido apagado. Foi de um anónimo. Reenvie que será publicado.
Cada um tem direito aos flops que entender.
Este post terá provavelmente o mesmo destino que tiveram os que no seu tempo defenderam o parque de estacionamento no terreiro do paço ou atacaram as obras de expansão do metro – o caixote do lixo da História.
Não, nem toda a gente passa a andar de bicicleta de um dia para o outro, mas infraestrutura de qualidade contribui decisivamente para que o façam. Um mês depois do fim de obras na av da Republica uma contagem feita em 2h de manhã na Av da Republica determinou 174 bicicletas (não tenho link mas no google facilmente se encontra). E sim, habitue-se à ideia de que artérias como a Almirante Reis, a Gago Coutinho, Roma ou Estrada da Luz mais dia menos dia terão parte do espaço para carros dedicado a velocípedes.
Flop é este “artigo”. O resto é não querer ver as evidências, basta estar atento à ciclovia da Av. de Republica 😉
É uma aposta ganha assim como parece começarem a ser as bicicletas partilhadas.
“Os condutores são adeptos da sua viatura em regime de exclusividade e aqueles que se servem da Carris ou do Metro apenas o fazem porque não detêm os meios para comprar um carro”.
UAU que pérola em que estudo se baseia para tal afoirmação? LOL. Eu vou trabalhar de transportes públicos e não é por falta de meios LOL. Que cromo!
Tanto desagrado nos comentários, mas nem uma palavra em nome dos utilizadores de cadeiras de roda que eu menciono no post.
Estamos em Democracia – ficamos a saber que a ciclovia é um tema sensível.
REGRAS DA CASA: APENAS COMENTÁRIOS ASSINADOS COM NOME DE GENTE. DESCONHECIDOS E ANÓNIMOS PERDEM O DIREITO À PUBLICAÇÃO…
Anónimos e Desconhecidos não são aceites nesta tertúlia. Ou dão a cara e assinam os comentários, como os autores, ou ficam a ver navios, e bicicletas…
A regra decorre do facto de anónimos e desconhecidos passarem ao insulto no espaço de comentários. Deplorável, inaceitável…e como é óbvio eliminados na zona de triagem. Um excelente 2018!
Jorge, Vanessa, Adolfo, Teodoro…não bastam. Nome e Apelido (IP já temos…). Ou damos a cara da nossa indignação ou nada feito…
LOL, se já têm o IP agora basta entrar em contacto o block owner e pedir o dados do titular do endereço IP (sim é endereço IP e não IP. Sim porque IP quer dizer Internet Protocol 😉 ) que é aquele protocolo que fica por cima do TCP 😉 .
Bom, mas vamos ao que interessa quer uma cara, com foto do CC?
Agora já sabe o Apelido, mas tem podia ter disto que era Pedro Coelho.
Quanto ao endereço IP certifique-se que não usei um anonymizer ou mesmo a rede TOR 😉
Se a percentagem de ciclistas que circula nas redes socais tivesse equivalência em termos de ciclistas reais não havia ciclovia que chegasse. Acho piada considerarem 2 ou 3 ciclistas parados num semáforo à hora de ponta uma prova de sucesso. Embora por cá o numero de ciclistas tenha aumentado bastante não deixa de ser ridículo considerem que onde havia zero agora estão cinco um sucesso. É sempre um aumento de 500% mas são apenas cinco. Percorro a Av. da Républica do Campo Grande até ao Saldanha, às 16h de um dia útil sem chuva e com sorte cruzo-me com uma dúzia de ciclistas, se estivera chover com sorte vejo um. Sendo este troço o mais fácil das cliclovias lisboetas, considerar tal afluência um sucesso é no mínimo ridículo. De qualquer maneira ainda bem que é assim, porque se houvesse trafego de bicicletas a sério os defeitos da dita ciclovia provocariam acidentes. Se os ciclistas da redes sociais circulassem nessa ciclovia já deveriam ter reparado que quem vem no sentido contrário, é obrigado a passar para a faixa contrária em diversos pontos por causa da localização das paragens de autocarros e este é só o defeito de concepção mais gritante. Nota; Circulo de bicicleta há mais de 20 anos, primeiro no Porto, depois em Lisboa com uma curta estadia em Berlim pelo meio e quando vou ao dentista na Av. da Républica em dia de chuva dou comigo pensar qual será meio de transporte dos políticos que nos querem convencer a andar de bicicleta…..
Manage
ciclovias, cartolas , obra doAl-Me*dina, pequenino flaustista do “Hamelin” da geringonça..
A.Vieira
Comentário completamente despropositado. Uma cidade que se preze não tem a quantidade de carros enorme que Lisboa tem. E esta como qualquer medida que combata esta ideia pré-concebida do lisboeta usar o carro para tudo e para nada tem é de ser louvada! Tal como apoio a redução de estacionamentos na cidade, etc. etc.
O futuro está à nossa frente, temos de olhar em frente.
1 ano e meio depois deste post, ainda acham que as ciclovias, em especial a da Republica foram um “flop”?
ou finalmente acordam para a realidade e viram que atualmente ja são às centenas as pessoas que se deslocam nas mesmas? é o que dá mandar bitaites antes do tempo.
Em 2 anos meia duzia de ciclovias colocaram centenas de lisboetas a pedalar, resta imaginar como seria se a rede de ciclovias chegasse a toda a cidade.
Uma cidade não se faz num dia e menos os hábitos se mudam numa semana. mas claramente a mudança começou e só não vêm que não quer.
podemos revisitar este post daqui a 2, 4, 6 e 8 anos e ver o quão ridiculo e fora de tempo foi.
Subida do preço dos combustíveis
Agravamento do IUC
Descalabro do SNS
GREVES
Trotinetes para estrangeiros que não usam as ciclovias
Transportes públicos sem meios suficientes
Falência da CP
PROMESSAS populistas de alargamento do Metro
Falta de residência para nativos
UM ENORME SUCESSO DAS CICLOVIAS!