
Não existe matéria-prima ou tema que não pertença à política. Da madeira do eucaliptal ao crude, do feijão verde ao comprimido azul para engolir ao pequeno-almoço – tudo isto é fado, tudo isto é política. A Agência Europeia do Medicamento (AEM) inscreve-se na máxima inaugural deste post. Assim que houve declaração de vontade do Porto para se candidatar a sede da agência europeia, o governo de António Costa sentiu-se arreliado e bateu o pé. Em vez de unir, dividiu. Em vez de fazer lobbying positivo, perturbou o processo. Ou seja, a AEM foi instrumentalizada para tentar fragilizar uma cidade que escapa ao controlo ideológico e partidário convencional do país da geringonça. Rui Moreira terá sido o principal visado. Agora que “nem peixe nem carne”, António Costa poderá afirmar que afinal tinha razão, que a cidade de Lisboa deveria ter sido a apresentada como a noiva a concurso. Em todo o caso, o que podemos extrair deste processo, prende-se com um défice estrutural – a ausência de lobbying à séria. Se analisarmos a nomeação de António Guterres a secretário-geral da Organização das Nações Unidas, devemos levar em conta certos ventos favoráveis – os socialistas europeus que devem ter emprestado o seu apoio fizeram-no porque se trata de uma causa inofensiva, banal – Guterres vai salvar o mundo? Não, não vai. No que diz respeito à indústria dos medicamentos a estória muda radicalmente de figura. O sector farmacêutico é dos mais poderosos do mundo. Mexe-se com grande destreza nos meandros e corredores políticos, e Portugal, simplesmente, não é um player significativo nos processos de tomada de decisão respeitante a medicamentos. Não é um país que detenha uma “marca” medicamentosa global como a Merck ou a Pfizer. E desse modo nunca poderia ter o músculo necessário para abalroar os cartéis e afins que configuram a indústria farmacêutica que se deita na cama política sem pudor. É fundamentalmente de isso que se trata. No mundo da realpolitik, a linda cor dos olhinhos de uma cidade não basta. É preciso saber alavancar argumentos. A ver vamos, com tanta prosápia à mistura, se Mário Centeno se deixa ficar na fase de grupos, ou avança na liga dos champions do Eurogrupo.
antónio das mortes funciona sempre como
cobra cuspideira
só um alarve como ele pensaria que sem apoios politicos a bosta social-fascista falida
poderia alguma vez competir com capitais com outro nível cultural, científico, …
sem cães de 3 cabeças ocas
trabalhei em Espanha, França, Itália na síntese de matérias primas para a indústria farmacêutica
e sempre que falam nisto sinto vergonha de ver tanta falta de conhecimentos
Tanta polémica entre Lisboa e o Porto quanto á candidatura, que estava á partida derrotada. Os meus prognósticos saíram certos e não sou futurólogo. O Moreira e seus acólitos escusavam de fazer figuras tristes, Agora na hora da derrota veio dizer que a simples apresentação já era uma vitória. Balelas!
Lisboa não tem “unhas” para fazer concorrência a Canary Wharf. Muitos mais vão sair do Business District.
Nenhum virá para Lisboa com certeza. Já andam há muito, outros, com propostas concretas.
1) A candidatura de Lisboa teria realmente mais hipóteses do que a do Porto? Quais os dados objetivos que suportam essa hipótese? O facto de supostamente ser preferida pelos funcionários da agência? Ou simplesmente o governo não se empenhou da mesma forma com a candidatura do Porto?
2) Saíram duas agências de Londres. Porque apenas apresentámos candidatura à agência do Medicamento?
3) Quanto às questões do lobying. Concidadão Portugueses têm ocupado cargos de elevada responsabilidade na instituições europeias e mundiais, talvez desproporcionalmente à importância do país. Durão Barroso na comissão europeia, Guterres na ONU, Constâncio no BCE, Alvaro Santos Pereira na OCDE, Campinos no EPO. Agora a minha questão é, terá Portugal retirado algum benefício dessas nomeações? Ou pelo contrário, gastamos o nosso capital de loby para nomeação de pessoas individuais em altos cargos, em vez de fazer loby em decisões que realmente beneficiem o nosso país. Existirá algum benefício para Portugal nessas nomeações? Terá algum benefício Portugal em que Centeno seja nomeado presidente?