Mês: Julho 2017 (Page 1 of 4)

De Magalhães a Maduro

pmag3.png

 

O Governo da República de Portugal está de consciência tranquila em relação à Venezuela. Aliás, não convém nada uma mudança de regime. Não seria nada conveniente instigar um processo democrático que resultasse no afastamento de Maduro. Os socialistas portugueses, independentemente de pareceres da União Europeia (UE), não vêem com bons olhos uma crise profunda que abane o “status quo” daquela realidade. Referem um regresso à normalidade constitucional quando o que aquele país precisa é de um levantamento popular que afaste o ditador socialista Maduro e que o julgue por crimes cometidos contra o seu povo e opositores políticos. E este estado de arte política coloca Portugal numa situação particularmente difícil. São mais de 400 mil portugueses com residência na Venezuela, ao que se somam mais de um milhão e meio de luso-descendentes. A haver um processo de “descolonização” resultante de uma revolução democrática na Venezuela, Portugal terá de ter um programa de repatriamento de nacionais, um conceito operativo para lidar com os “retornados”. Para já sacodem a água do capote afirmando que os que têm saído da Venezuela preferem Espanha devido às afinidades linguísticas, mas sabemos que quando a crise ganhar contornos mais intensos, outras valias, de índole jurídica, far-se-ão valer. Quando Santos Silva diz que não aceita os resultados das eleições, está de facto a fazer ouvidos de mercador, a fingir, a ser politicamente correcto, mas a mentir com os dentes todos. A geringonça é adepta de Maduro, como outros foram de Chavéz e dos Magalhães – aqueles PC – a verdadeira maravilha do engenheiro das amizades duvidosas.

RSI Turbo PS GTI Geringonça

 

RS4-Avant-(B8)-1.jpg

 

Quando o valor de uma viatura passa a servir de indicador para a atribuição de subsídios sociais, sabemos que o governo está desesperado para angariar adeptos. Ficamos a saber que o voto popular conta para a sobrevivência política. Mas mais grave do que estas técnicas duvidosas de contabilidade, será a eternização da divisa automóvel enquanto indicador de estatuto económico e social em Portugal. O socialismo nivelado, de todos diferentes todos iguais, não passa de um mito. Continua válida a ideia da aparência, da ficção de meios, ou seja, não ter um tostão furado, mas poder armar aos “ricos”. Este tipo de abordagem joga com a psique colectiva de um modo particularmente perverso. Passa a mensagem de que o que conta é a imagem projectada, a forma como se é percepcionado, seja-se pobre ou abastado. E o inverso? O milionário que prescinde da viatura e que se serve do passe da Carris? Tem algum benefício fiscal? Pois. Como podem ver, o chassis socialista assenta na ideia de escalada social, no exemplo desviante de Sócrates, de apartamentos em Paris e fatos Brioni – vida faustosa. É essa mentalidade burguesa que caracteriza os socialistas encartados que a querem partilhar com os pobres de alma, colocando à frente dos seus chanfros asnos uma cenoura furada.

Acampamentos domésticos e o BE

BP4I4952.jpg

 

É a Esquerda que está no poder. E no contrapoder. Nos meios de Comunicação Social, na Protecção Civil, na Caixa Geral de Depósitos, no BES, na Floresta, na praia do Ancão e no acampamento do Bloco de Esquerda. Por outras palavras – ela está no meio de nós. Mas as rezas de outrora, as causas da sua igreja ideológica, parecem desvanecer-se. Se bem me recordo foi a Catarina Martins que avisou que iria acabar de vez com a violência doméstica e que iria libertar a mulher dos estereótipos e lugares-comum. Não me parece que tenha havido grande esfregona e balde a serem empregues para limpar as manchas deste flagelo que assola a sociedade portuguesa. Com tanta prosápia sobre direitos inalienáveis e igualdade de géneros, não foram capazes de alavancar a mudança que se exige. Ou seja, como conseguiriam explicar aos libertários da revolução que a moldura penal para violentadores domésticos foi intensamente agravada? E é aqui que reside grande parte da contradição. O Bloco de Esquerda tem uma visão que nem sequer é selectiva nem generalista. É uma pescadinha de rabo na boca. Se a Esquerda fosse criteriosa e proporcional em relação à violência doméstica propunha medidas jurídicas que gostaria que fosse a direita a enunciar – restrições em relação ao conceito de liberdade que os bloquistas reclamam todos os anos sob os auspícios de um acampamento selvagem. Em vez disso, o número de mortes continua a doer.

 

Foto de John Wolf tirada no Christopher Day Parade em Berlim, 23 Julho 2017

 

 

Finalmente, alguma acção visível

multiracial-hands-Article-201412121347.jpg

 O governo, bem, há que dizê-lo, resolveu tornar mais visível o programa de acolhimento de refugiados da Venezuela. Mais vale tarde do que nunca, é o que se diz nestes casos.

Nem teria sequer outra opção, apenas cumpre aquilo a que se comprometeu constitucionalmente. Basta agora convencerem quem para Portugal queira vir, a estabelecer-se no continente onde existem mais capacidades de integração, mais oferta e espaço.

Criem-se então as condições, as linhas de crédito, os alojamentos a obrigatoriamente serem cedidos pela banca intervencionada pelo Estado – possui milhares de casas em carteira -, as escolas para os filhos e os médicos de família. A questão da saúde será talvez a mais urgente.

Talvez assim mitiguem o opróbrio que sobre o esquema vigente caiu após certas coisas das quais foi e ainda é o único responsável. Em suma, uma forma indirecta de pedir desculpas a quem, mesmo passadas algumas décadas, ainda não se esqueceu.
Organize o governo uma campanha de angariação de boas vontades a título gratuito e logo verão os voluntários que se apresentarão. Aqui estará um deles.

* Não se esqueçam de accionar as linhas de auxílio gizadas em Bruxelas para este fim que é precisamente idêntico a outros.

Publicado em Sem categoria | Tags , ,

Assassinos no Poder

A aldeia de Gardete riscada do mapa. A Guarda a acorrer na evacuação desesperada. Bombeiros sem comida.

A esta hora deputados enfardam faisão.

Contribuintes contribuem, distribuintes distribuem; o abismo é infindo.

Entretanto chegou o fogo aos turistas, em Albufeira. Não há ambulâncias. A ministra da Morte desapareceu.

Penso nas pessoas que vinham ao meu mural, irritadas com a minha insatisfação perante a falência da nação, mandar-me para a Somália onde não há Estado.

Pois bem, estou num sítio pior onde há um Estado que mata.

Publicado em Uncategorized

A inexperiência de Trump é péssima para os EUA e o Ocidente

trump-putin-g20.jpg

Aaron David Miller e Richard Sokolsky, “Trump is a Bad Negotiator”:

Granted, international diplomacy is a lot tougher than cutting real estate deals in New York, and there’s still a lot of time left on the presidential clock to make Trump great again. But half a year into the Trump era, there’s little evidence of Donald Trump, master negotiator. Quite the opposite, in fact: In several very important areas and with some very important partners, Trump seems to be getting the short end of the proverbial stick. The president who was going to put America first and outmaneuver allies and adversaries alike seems to be getting outsmarted by both at every turn, while the United States gets nothing.

(…).

Let’s start with the president’s recent encounters with the president of Russia, a man who admittedly has confounded his fellow world leaders for nearly two decades. Apparently without any reciprocal concessions, the world’s greatest negotiator bought into Russia’s plan for Syria, where U.S. and Russian goals are in conflict; ended America’s covert program of support for the moderate Syrian opposition, then confirmed its highly classified existence on Twitter; and had an ostentatious one-on-one meeting with the Kremlin strongman at the G-20 dinner, sticking a finger in the eye of some of America’s closest allies. It’s bad enough to give Putin the global spotlight he craves while accepting Russia’s seriously flawed vision for Syria. But to do so without getting anything in return gives “the art of the deal” a whole new meaning. Trump’s failure to hold Putin accountable for Russian interference in the presidential election is the most egregious example of putting Russia’s interests first and America’s interests last, but it’s hardly the whole of the matter. There’s no other way to put it: Trump has become Putin’s poodle. If it weren’t for Congress, public opinion and the media, Trump would be giving away more of the farm on sanctions, Russian aggression in Ukraine and other issues that divide the United States and Russia. That’s not winning; it’s losing.

 

(também publicado aqui.)

As vidas dos outros (2)

 

a brincar, a brincar, há um problema que se espalha de forma silenciosa e que promete ser mais gravoso, destrutivo até, do que esta sucessão de horrores que temos testemunhado de há trinta e oito dias a esta parte.

dia a dia, mês a mês, euro a euro, a geringonça vai minando o poder administrativo – finanças, conservatórias, tribunais, tudo onde se decida ou empate – com apaniguados prontos a servir de fiscais, delatores e porque não mesmo executores da ideologia vigente.

ora este efeito propaga-se em cascata, empossando sevandijas sequiosos de mandar, desde a cúpula senatorial até ao mais bairrista dos caciques de condomínio. 

cedo virá o dia em que toda a gente dissonante viverá com o temor de ser, da noite para o dia, embrulhada em processos, acusações, purgas. vide o caso do professor pedro arroja.

a tal situação corresponderá um potencial, inédito em Portugal, para a guerra civil.

Publicado em Uncategorized

De novo, a mesma história

sonhar-com-fogo-810x454.jpg

 

 Repete-se conto por conto, família a família, desgraça a desgraça. Sem uma única novidade, eis que desfilam caras que podem credivelmente repetir outras de há umas tantas décadas ainda filmadas a preto e branco. Os arquivos contêm quilómetros de filmes guardados e impossíveis de mostrar pela crua violência. Percebe-se a razão para tal desfaçatez. Agora ainda podem fazê-lo de forma mitigada, mas a sociedade e a tecnologia disponível são diferentes e a primeira, mais atenta, envergonhada e miraculosamente dada a causas, dispõe dos meios que para supremo azar de quem pode ordenar, desta vez não deixará passar em claro.

O governo estará a fazer o que todos deveríamos esperar? Talvez, concedamos então o privilégio da incógnita, mas conhecendo a natureza dos políticos do regime, todos eles e sem excepção numa assentada, é cada vez mais duvidoso, para não dizer impossível. Sabemos que o caso Venezuela é melindroso, requer gigantescas cautelas e exige ainda mais cuidados do que o precedente que abrangia uma série de territórios portugueses espalhados por três continentes, cujo abandono apenas pode ser imputado a Lisboa e à sua desnecessária e abusiva rendição incondicional.

A Venezuela é um Estado soberano e facilmente poderá retaliar da pior maneira, bastando para isso o descarado e cada vez mais carnavalesco aprendiz de ditador fazer um daqueles discursos atabalhoados que nem o próprio Chávez ousaria. Soltará facilmente o ódio homicida pelas calles e isso o MNE sabe tão bem quanto a generalidade dos cada vez mais aterrorizados interessados.

Anda este blog a avisar esta certeza há pelo menos dois anos. Urgia fazer os inevitáveis preparativos, mas o encolher de ombros foi a norma, preferindo-se outras prioridades relativamente ingratas, como o país comprovou e eles sabem que nós sabemos.

Avisos sem resultado aparente, embora tenhamos tomado conhecimento de alguns textos passarem pelas secretarias de Estado correspondentes a este tipo de assuntos desagradáveis.

Já não podem ocultar sem escândalo público. Pelo que ouvimos hoje no telejornal da SIC que se deu ao extenuante e inglório trabalho de conceder meia hora de atenção a uns tantos casos relativamente felizes quando comparados com outros, podemos então imaginar o que estará vergonhosamente escondido, as imagens de gente idosa e semi esfarrapada a vaguear pelas ruas madeirenses e a suplicar por uma malga de sopa, numa recriação da famosa cena do filme Oliver Twist dos anos sessenta e o bem conhecido, please Sir, I want some more! Se a SIC transmitiu esta reportagem, é porque se trata de um problema piramidal, imenso e esmagador.

Paradoxalmente ou não, o número de pobres coitados vai diminuindo na contabilidade conta-cabeças por conveniência. Há uns tempos eram um milhão, agora apenas metade ou ainda menos. Parabéns pelo esforço, é o que nos é possível resmungar em incontida revolta.

Já vimos disto antes e agora, em pleno século XXI e perfeitamente conhecidos os factos que nos chegaram em fracção mitigada, repetem ponto por ponto o que sucedeu. O mesmo deixa andar, os mesmos terrores ideológicos retirados de cartilhas que superficialmente conhecem através de umas tantas citações, os mesmos delíquios laxistas e entre outras torpezas, a mesma extrema cautela para não ofender quem deve ser chamado à atenção que nem por sombras merece.

Já vimos disto, na verdade. A história repete-se, contrariando os insuportavelmente arrogantes partisans easy jet-set burgueses do politicamente correcto, provavelmente mais preocupados com as suas férias de verão num resort qualquer. Nem lhes passa pela cabeça o facto de estarem a ser aquilo que desbocada e alegadamente mais detestam: gente má e cruel.

O próximo assunto que se segue? O dossier África do Sul.

Publicado em Sem categoria | Tags
« Older posts

© 2026 Estado Sentido

Theme by Anders NorenUp ↑