Peido suicida

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São precisamente temas de pasquim como a declaração suicida de Passos Coelho ou a flatulência de Sobral que determinarão o próximo incêndio em Portugal. O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcisistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de “manifesta e inequívoca solidariedade”, adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da “dor dos outros” em esperança para “todos”, que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência. Por mais que estiquem os zeros do milhão, os mesmos não tapam a parte descoberta de um país inteiro versado nas artes hedonistas, nos prazeres. Foram os deleites que mataram as florestas. Foram as extravagâncias de uns que abandonaram o interior. Foram os cosmopolitas vibrantes que deitaram fogo à ruralidade em nome da sofisticação cintilante de uma festa de arromba. A silly season está oficialmente aberta.

3 Comments

  1. Anónimo

    Nem mais… 

  2. A Bruxa de Carnide

    – Eu dava-lhe a vitória. Eram gases totalmente em português…

  3. Ricardo

    “O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcicistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de “manifesta e inequívoca solidariedade”, adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da “dor dos outros” em esperança para “todos”, que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência.”———————————–Exacto,e não precisamos de pensar muito para chegarmos a certas frases(ou ditos populares)que definem bem a situação(neste caso a calamidade de Pedrogão,mas em tudo o resto também),por exemplo: “País de bananas “governado” por sacanas”(e não me interessa tanto o autor dessa frase como a sua assertiva definição da realidade tuga) e “em terra de cegos quem tem um olho é “rei”(nesta última,que consta ser um dito popular,estou claramente a pensar em toda a “classe” política,com os actuais des-governantes à cabeça,a qual tendo um “olho” continua a “reinar” em terra de cegos.

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