eu já estou em casa, mas os bombeiros ainda não. haverá sempre bombeiros que nunca estarão em casa, quer seja o contingente oriundo de Torres que passou por mim, em coluna, há duas horas na A8 rumo a Pedrogao; quer seja o anonimo tranquilo, por quem mal se dá, curtido e ensimesmado numa cadeira à entrada da central na Ericeira.
hoje parei cinco vezes em supermercados. não vi nem ouvi ninguém cujas preocupações perceptíveis fossem de tal ordem que lhes alterassem a indumentária neo-decadente de chinelos e alças, nem o cabaz das compras atulhado de cervejas, bolos farinhentos e missangas alimentícias. ninguém. era a bola, o carro do jorge, as mamas da vizinha, o frango assado à borda do tanque.
a segunda guerra mundial foi lá longe. o 11 de setembro longe foi. Bruxelas? Atocha? Alésia? tudo fantasmas sem substância que nunca passarão de fantasmas a que os velhos se agarram para reterem sentido nas suas vidas extintas.
Pedrogao? Pedrogao é lá longe. E Alverca. E a Amadora. E qualquer terra que não se aviste, apalpe e possa receber uma tenda com luzes e grelhadores, mais de dez centímetros além do português umbigo, é ainda mais do que longe!, é fictícia.
não aprendeu nada esta gente, nem o fogo os tirou das cavernas.
especiais abraços nestes dias negros ao sub-chefe Tiago Carvalho, de Palmela; ao sub-chefe Ventura nas Caldas da Rainha; e ao senhor Comandante Pedro Lourenço na corporação do Bombarral. Deus esteja convosco.
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