
Inicio este post com um disclaimer (logo dois termos em inglés, que maravilha!): não é este o mundo que eu desejo, MAS, o que aí vem é inevitável se os governos pretenderem exercer uma das suas prerrogativas – garantir a segurança dos seus cidadãos. Embora haja a tentação do discurso integracionista do chá das cinco, que se inspira nos cânticos da multiculturalidade e da semelhança dos próximos, a verdade é que a crueza dos factos determinará outras sortes. Iremos assistir à israelização securitária das metrópoles, à instalação de checkpoints em pontos nevrálgicos das cidades europeias e acessos às mesmas, a acções de varrimento percepcionadas como aleatórias, à proliferação de uma administração policial com mais poderes discricionários e autonomia no que diz respeito à tomada de decisões, à intensificação de processos sumários judiciais legalmente enquadrados, ao desenvolvimento do conceito de vigilantes de bairro, à integração europeia de agências de inteligência e ao desenvolvimento de tecnologias de track and trace de potenciais terroristas que serão monitorizados preventivamente. Bem-vindos ao mundo novo, orwelliano dirão alguns, mas sustentado na noção de lesser evil, e provavelmente justificável. A questão que se coloca diz respeito à sobrevivência civilizacional, a liberdades e garantias, à democracia. Enquanto gira a tômbola do próximo ataque terrorista, decisões incómodas terão de ser tomadas, custe a quem custar, doa a quem doer. Estas noções transcendem ideologias ou posicionamentos partidários. Os ataques terroristas produzirão, com variantes discutíveis, um alinhamento político inédito. A Esquerda e a Direita, o norte e o sul, terão de concordar. O inimigo irá gerar consensos improváveis, mas necessários. Obrigatórios. Será uma escolha entre o chá das cinco e as facas longas.
Grande Paul Joseph Goebbels. Tu bem sabias como o fazer e tinhas o trabalho muito facilitado. A Europa, então, era quase toda germânica. Foi azar.
Desculpa as más palavras.
Se a situação fosse encarada de frente pelos políticos/partidos(do regime liberal-socialista)evitava-se talvez a chegada a tal mundo “Orweliano”.Infelizmente a maioria esmagadora(em especial na Europa)está formatada(para não usar de outros adjectivos)em politicamente “correcto”(fomentado pelo esquerdismo e pelo liberalismo social-cultural que tomaram conta do espaço mediático),e acima de tudo vitima de dissonância cognitiva(a qual impede qualquer análise objectiva da realidade).
O mais trágico? Os sistemas demo-liberais terem entrado alegremente na armadilha por eles próprios criada e com um sedoso recheio politicamente correcto.
Cairão, disto já não existe a menor dúvida. E como cairão? Não por eleições ou através de golpes de Estado, mas precisamente como cairá o sr. Maduro. Na rua e por revolta popular transversal a todo o antigo espectro político, não interessa se em Paris, Berlim ou Bruxelas. Será esse mesmo o fatal destino, a menos que…