Geringonça governa sem Dívida Pública

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A Geringonça anda alegre e contente como se a dívida pública não existisse. Carlos César avisa sobre os perigos de embarcar em euforias. Mas será isto que o atormenta: o serviço de dívida pública? Não obstante as tentativas do seu branqueamento, o agravamento do mesmo não pode ser camuflado por todas e quaisquer manobras do governo de Portugal. Os juros de títulos de dívida são um monstro que nenhuma acção de marketing político pode escamotear – é o mercado que os determina. Os excelsos 2.8% de crescimento económico e a saída do Procedimento por Défice Excessivo são facilmente derreados pelo encosto nefasto da dívida pública. Fingir que não se sofre de uma doença é uma patologia em si. Mas o mais dramático desta modalidade de abstinência governativa é efectivamente adiar a catástrofe ao passá-la para gerações seguintes. O governo de António Costa pensa numa lógica de curto prazo e omite intencionalmente a parte que não lhe interessa. E a única forma de contrariar a escalada de dívida é através do genuíno crescimento económico, alicerçado no investimento público e no retorno que o mesmo proporciona. Os privados, que têm sido os principais investidores, gerarão receitas que serão intensamente atractivas para governos de Esquerda que sustentam as suas casas na tributação alheia – ou seja, no abarbatar daquilo que não lhes pertence. O Estado que deveria dar o exemplo de iniciativa económica, está a perder a corrida e rapidamente deixará de se pagar a si mesmo. Os governos, que vão e vêm, assumem essa falência como sendo um problema que não lhes pertence. O último que feche a porta, apague as luzes e repita a mesma mentira que parece sempre funcionar. Os portugueses, elogiados pelo seu espírito de abnegação, caem sucessivamente na mesma esparrela de engano e decepção. Vezes sem conta. Sempre a doer.

3 Comments

  1. Nuno Castelo-Branco

    …e o desfecho, ao fim de quase dois séculos de liberalismo, é sempre o mesmo, variando apenas os partenaires no nome, não na essência. O paradoxo é ser Portugal um país dito liberal e precisar sempre, repito, sempre do investimento público, isto é, do Estado, afinal de contas, nós, a catapultar iniciativas. 
    Por seu lado, o sector privado tende perigosamente a encostar-se ao Estado – Monarquia Constitucional, 1º e 2º+3ª República -, estabelecendo assim as parcerias ruinosas e os conflitos de interesse. No fim de contas não é apenas  em Portugal, pois exactamente o mesmo se passa noutros países, desde a indústria militar às farmacêuticas que parasitam o dinheiro público para a pesquisa, ditando depois os preços. 

  2. pito

    O césar sabe muito bem ‘o que é dele’. Tem é medo de, com as melhorias, perder a sopa dos ricos…

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