Mês: Abril 2017 (Page 1 of 3)

Canzanadas

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Já que estamos numa de cães, cadelas e mordeduras, deveriam aproveitar o paradigma para rever as trelas que nos guiam nesta sociedade pseudo-moderna. Antes que atire o osso para que o possam roer ou devolver, faço o seguinte aviso – sou amigo dos animais. Durante trinta anos dediquei-me a outra espécie de quatro patas (equídeos) e sempre tive (no campo) cães felizes, maioritariamente rafeiros, mas com uma digníssima excepção. Foi-nos oferecido um pastor alemão de nome Wolf que havia recebido o diploma de treino profissional da GNR. Sim, o cão sniffava droga, fazia de sentinela e guardava malas até ordem dada em contrário, e apenas comia do seu prato após escutar a password que apenas os donos sabiam. Mas adiante. O fenómeno canino de Portugal deve ser analisado à luz de considerações maiores. Na escalada e afirmação do estatuto social, o cão (de raça) tornou-se um acessório indispensável. O cão tornou-se uma divisa com visibilidade acrescida – tem mobilidade, causa alarido e instiga inveja. São tantos os terriers que por aí se passeiam para gaudio de dono show-off. Mas há raças e raças. Houve tempos em que o cocker-spaniel servia para ostentar a patente. Depois houve a mania dos boxers, e mais recentemente a estria oriental parece ser a coqueluche maior – quem tem Shar Pei é ainda mais virtuoso – tem empregada em casa que passa a ferro. Depois vieram os mauzões. Os bodybuilders e car tuners que andaram a ver muitos filmes e lá se encanitaram pelos Dobberman, Rottweiler e Pitbull. No entanto, há que reconhecer que o bóbi e o piloto, que são bons rapazes e sem linhagem, fazem  companhia ao Tio Alfredo (que mija a biqueira das botas) e à Dona Aldina (que é surda da cabeça e dos ouvidos). Sim, o animal empresta o seu bafo quente, o seu carinho – venham de lá os restos para o jantar que a ração é uma sêca. Mas  convém que  passemos directamente ao que me irrita profundamente – a falta de civismo dos senhores proprietários de cães. Falo de dejectos abandonados na via pública, nos jardins relvados ou na bela calçada portuguesa (a mesma defendida como património da humanidade). E a Polícia Municipal entretida ao telemóvel a guardar a betoneira da obra, a arrastar uma viatura mal estacionada, mas a ignorar por completo este nojo inaceitável. Nunca ouvi falar de um dono de um cão ter sido autuado por delito cometido em flagrante – nunca. Querem dar formação aos donos e um diploma aos cães? Acho muito bem. Mas a abordagem à questão deve ser holística, integral. A mordedura fatal de um Pitbull equivale a 1000 dejectos lançados sem vergonha na rés pública. E é aqui que reside grande parte do problema da liberdade explosiva servida de bandeja por revoluções de ordem vária. O português ainda não percebeu onde termina o seu quintal e onde começa o espaço público. E depois dá as canzoadas que se conhecem. Que grande cadela: Rotweiller mal ensinado?

Macronóscopia

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Arrisco mais uma vez com palpites sobre o resultado final das eleições presidenciais francesas. O meu track-record recente é deplorável. Enganei-me com o Brexit e estampei-me com Hillary. Ou seja, não ofereço garantias do que quer que seja. No entanto, avanço com alguns cenários conceptuais, com um modelo operativo ideológico questionável. Assumindo a vitória final de Macron devemos levar em conta o seguinte. O Emanuel tem de cantar uma parte da cantiga pop. Afinal foi mais de 20% do eleitorado que escolheu Le Pen nesta primeira ronda, e nessa medida, como em semelhante medida de um choroso socialista Fillon, Macron terá de acomodar vontades e desejos que não os seus. Nesse terreno alegadamente amorfo de centralidades ideológicas, se Macron for de facto o próximo presidente, terá de incluir uma parte da agenda patriótica de Le Pen, outra parte socialista-tributária-penalizadora de Fillon, e agradar ao firmamento financeiro de onde provém, onde fez escola na banca de investimento. O pilar de desmontagem da globalização de que se serve Le Pen não é totalmente descabido. Afinal, foi em nome da eficiência produtiva que a mesma avançou e simultaneamente cavou o fosso largo de justiça económica e social, entre abastados e nem por isso. Nesta panóplia de considerações a ter em conta, Macron formará a sua presidência numa espécie de geringonça atípica, ou, traindo os intentos enunciados, e nesta ante-câmara de derradeira campanha política, assumindo sem pudor o espaço ocupado por Le Pen. Os socorristas Fillon ou Hamon, ao fazerem-se ao piso de Macron, servem duas causas; por um lado procuram derrotar Le Pen, e por outro lado entusiasmam-se com a possibilidade de serem recrutados politicamente. Em todo o caso, devemos levar em conta que as ocorrências francesas determinarão novas ordens. No plano doméstico da nação gaulesa, mas sobretudo ao nível da arqueologia da União Europeia (UE) que ainda vive a ilusão das grandes famílias políticas europeias. Embora se sirvam com saudosismo de grandes chavões de referência e figuras abstractas, a verdade é que muitos terão de mudar de chip rapidamente. Portugal, mas sobretudo os socialistas cá do burgo, em vésperas de comemoração democrática-revolucionária, terão de encontrar figuras de referência no algo decadente quadro socialista pan-europeu – os socialistas franceses não estão disponíveis, não servem para grandes ideários. Não esqueçamos que existem muitos que desejam a eutanásia da UE, o desfalecimento endémico do projecto. Encontramo-nos sem dúvida num momento chave da história da Europa. Mas tardamos em encontrar a porta certa neste labirinto de possibilidades.

Paris, início dos anos 90

 

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 Devido a afazeres profissionais, durante um certo período tive de visitar Paris bastas vezes e foram tantas que praticamente dividia a residência entre Lisboa e aquela capital. Era um penoso dever bastante agradável numa cidade que cumpria fielmente todos os lugares comuns das luzes cintilantes, quilómetros de museus, vitrinas opulentas e tudo o mais que se sabe.

Ficava então instalado no XVIéme, nas imediações do Trocadero, uma zona a abarrotar de celebridades, gente de pasta, uns tantos exilados voluntários ou não como a grandiosa Xabanu Farah Diba ou a esquiva Marlene Dietrich. Era este o ambiente. O apartamento? Intermitentemente vazio e pertencente a uns amigos, claro.

Naquele prédio sito nas imediações da G. Mandel, imperava uma imponente porteira cuja nacionalidade facilmente se adivinha, pois isto também fazia então parte integral dos já citados lugares comuns acima apontados. Era uma belíssima alentejana alta, bem torneada, lábios e peitorais protuberantemente carnudos e com um não sei quê de Amália fisicamente muito mais dotada. Nunca, jamais a vi de bata e ar tristonho e pelo contrário saía à rua impecavelmente vestida, bem ciente de saber sempre ser notada. Para cúmulo da felicidade era orgulhosa, altiva e apenas ficava naquele meio sorriso bem educado que não dava azo a confianças. Inacreditavelmente não tinha aquele sotaque típico que tão bem caracteriza as nossas elites caseiras em todas as suas pretensões cosmopolitas. Ia todas as semanas ao teatro, lia, visitava exposições e comigo jamais soltou boca fora qualquer galicismo. Nunca. 

Como se sabe, aquela zona de Paris é pródiga em blondasses naturais ou químicas, umas que já viram melhores dias e outras que mesmo o passar dos anos em nada mudam o aspecto geral bastante razoável. Naturalmente corteses e friamente distantes, davam-se a ares não se sabe bem de quê e viviam recolhidas nos seus não-afazeres quotidianos. Era o caso daquele prédio onde a luso-majestática Maria Antonieta ditava a sua lei que em boa verdade era timidamente obedecida por todos. Os residentes resmungavam pela surdina e abandonado o átrio, os decibéis dos latidos iam subindo à medida que galgavam as escadas, afastando-se da despótica Senhora que fazia sombra a todas as outras. A Antonieta abertamente se ria e virando-se para mim, disparava com um esgar desdenhoso:

– Estás a ver, é assim que devem ser tratados, é metê-los a todos nas suas tocas! Pffffff…era só o que mais me faltava!

E passava adiante, falando das suas saudades do nosso país que ainda imaginava ser o seu. Nunca me atrevi a dizer-lhe que de facto a França, ou melhor, o ambiente que ali existia muito fizera por ela e como inteligente pessoa que era, nem sequer disso dava conta, tudo aquilo que mostrava tornou-se numa naturalidade que advinha da sua forte personalidade rica e multifacetada.

Um dia, chegando a meio da manhã, deparei com esta Senhora numa acalorada discussão com uma pequena e rechonchuda blondasse do edifício, uma verdadeira doméstica burguesa sem qualquer tipo de chamariz e bastante vulgar na expressão portuguesa do termo. Não sei qual teria sido a origem da disputa, mas a certa altura a famosa ditadora da portaria acabou com o assunto de forma lapidar, vincando bem cada palavra:

– Est ce que vous savez mon nom, Madame? Ma-ri-e An-toi-ne-tte, Ma-ri-e Ant-toi-ne-tte! ICI, LA REINE C’EST MOI!

Clac! (porta fechada com estrondo na cara da pequena bourgeoise atrevida)

E era mesmo a rainha do prédio, batia todas as outras por KO absoluto. 

Guardo para mim as desconfianças, mas o que terá ela decidido para hoje? 

 

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Masoquismo, batatas fritas e DBRS

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Masoquismo, uma palavra que de imediato suscita pavor e gozo, dependendo de quem e do momento. Existe um masoquismo de massas, sejam estas as ligadas aos eventos desportivos entre os quais o futebol cobra a parte de leão, ou mais prosaicamente, às massas da politica partidária. Não vale a pena falarmos no caso que infalivelmente nos entra porta adentro todos os santos dias por via dos infindáveis telejornais e subsequentes mesas redondas onde se tratam afazeres tão urgentes como entorses, transferências, hooliganismo disfarçado em claques e outras  virtudes próprias do tema.

Ontem, numa das numerosas tascas do Oeiras Parque, três fulanos  vestidos à Regisconta perguntaram-nos se connosco podiam partilhar a correnteza de mesas. Como apenas ocupávamos três dos oito lugares disponíveis, com um aceno confirmámos os seus desejos. Transportando as suas bandejas repletas já não sei bem com o quê, bem depressa soltaram a língua diante do ecrã de televisão que transmitia notícias inaudíveis mas perfeitamente compreensíveis porque anunciadas através de legendas.

Logo se despoletou um tema para a conversa, o caso agência de rating DBRS. Entre eles iam dizendo que no melhor dos casos a dita instituição baixaria a classificação portuguesa, mas, segundo lá sabiam, isso era improvável devido à caução que o BCE tem directamente dado à compra da dívida pública. Habituados ao mundo dos números, trocaram argumentos imperceptíveis para a minha pobre e ignara cabeça nada habituada aos sortilégios da finança e economia virtual. 

Bem depressa ficámos cientes do que se tratava. Era mesmo a famigerada clubite que neste país há muito grassa como um grande e inextinguível incêndio de verão. Tudo é fake – era este o termo usado -, desde os números apresentados de forma relativamente discreta ou solene, até às declarações de inevitável oportunismo político que o poder central europeu paulatinamente vai fazendo de vez em quando. Se não o faz é porque algo vai mal, se o faz isso se deve ao interesse do próprio, extraordinariamente preocupado com o que está a suceder na Europa.

Uns doutores, estes tipos.

Sentaram-se à nossa mesa, logo pareceu-me estar no pleno direito de intervir e não me ocorre ter servido de bom digestivo. Indo directo ao assunto, questionei-os acerca da redoma em que hipoteticamente viverão, pois coisas há que não deixam de afectar toda a gente. Debalde, porque bem depressa fizeram descobrir a razão de toda aquela ira acumulada entre batatas fritas, molhos multicolores e tudo o mais que mastigavam. Era o clube, a cor partidária, uma maleita que tomou conta das mais desvairadas mentes de não menos desvairadas gentes. Repetiram tintim por tintim, tudo aquilo que os seus três ou quatro muito teóricos adversários disseram ao longo de quatro anos de ajustamento do esquema em que gostosamente participam, mas ao invés, agora repetindo ipsis verbis aquele cansativamente obsessivo chorrilho de irritados disparates que ouvimos um dia das escancaradas bocas de Catarinas e afins. Estão ao mesmo nível e fiz questão de delicadamente lhes fazer ver isso mesmo. 

– Não me diga que é comunista?

– Nunca fui. Por acaso parece-me insólito que ainda não tenham percebido estarem aqueles dois apêndices totalmente mergulhados no vosso próprio esquema.

– Como?

– Participam em tudo, é vê-los a discutir juros, bancos, seguradoras, políticas empresariais, fundos, empresas e empreendedorismo, ratings e ao mesmo tempo as greves são mitigadas deliberadamente por receio daquilo que umas eleições possam significar para eles próprios, ainda há um ano cheios de prosápia e agora totalmente dependentes do primeiro-ministro….

– …que chegou ao poder da forma que se sabe, não é?

– De forma abrupta mas não ilegal e através da Constituição que o vosso próprio partido votou favoravelmente. O que querem? Não fariam o mesmo?

– Mas foi o anterior governo quem ganhou as eleições!

– Foi, é verdade, mas isso não lhe permitiu encontrar uma maioria em S. Bento e pelos vistos não há no vosso partido nenhum político assim tão perspicaz, apesar do longo historial de quarenta anos. Aliás, nunca houve.

A conversa de tasca prosseguiu neste sentido que inevitavelmente nos conduz a um beco sem saída. São paixões e estas nem sequer seriam assim tão nocivas se não significassem a estranha situação que normalmente noutros casos urgentemente requereriam não um serviço de um psicólogo, mas sim uma urgente intervenção psiquiátrica. 

– Deviam pelo contrário mostrar orgulho pelo trabalho infernal que o vosso governo teve, contando mesmo com as doses cavalares que ministrou sem grande necessidade. Quem quer participar neste tipo de jogo, submete-se a regras e elas foram descritas numa forma bastante compreensível que o agente nomeado pelo vosso próprio partido rubricou. Agora não se podem queixar, pois estes resultados que hoje são anunciados não se devem a milagres, são algumas consequências daquilo que anteriormente foi feito. É isto o que deveriam estar a dizer. 

– Por isso mesmo, o povo devia reconhecer que…

– …o povo, isto é, eu, os meus colegas e os senhores, deveríamos todos  querer que tudo corresse no melhor dos mundos e de preferência que ninguém desse por nós. Mais ainda, deveríamos todos ser indiferentes à cor do momento, sabem bem que nada é eterno. 

Estas conversas passatempo dão nisto e ainda tive de desabafar que a única vez em que tinha ardentemente desejado o insucesso de um governo, teria sido mesmo muito antes do nascimento de qualquer um daqueles convivas bem apessoados, mais precisamente durante aquele turvo e turbulento período a que se denominou “o gonçalvismo”. Não faziam a menor ideia do que lhes estava a falar, não sabiam de quem e do que se tratava e tive de sumariamente lhes explicar. Para seu grande espanto disse-lhes quem compunha a coisa, a tríade civil de que o seu partido fez parte.

Pelos vistos não valia a pena e mais não avancei. Levantei-me e desejei-lhes um bom fim de semana recheado de lampiões e lagartos, o tal mais do que essencial e precioso L&L das nossas vidas. 

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É bom que assim seja

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 Segundo notícias hoje sumariamente divulgadas, o governo anda a tratar do assunto relativo ao milhão de portugueses* que têm desde há muito penado na Venezuela. Dizem as nossas autoridades que em caso de emergência existirá uma Força de Intervenção militar apta a intervir no resgate Ora, isto coloca desde já algumas questões, entre as quais o desembarque num país ainda teoricamente soberano. Concordemos ou não com a intervenção, é mesmo o aspecto mais problemático, a menos que subitamente a Venezuela atinja o nada invejável estatuto da Somália.

A reportagem foi moderada e os intervenientes desta vez cuidadosamente filtrados, impedindo-se assim os percalços decorrentes da exposição de há umas semanas, quando os luso-venezuelanos refugiados em Espanha, nada reservadamente exautoravam a inércia das nossas autoridades. Vistos os factos, talvez tenha servido de aviso e rapidamente procuram agora corrigir os modos de actuação. Tudo isto era de prever e já há alguns anos poderiam ter encetado preparativos para qualquer contingência. Existem outros casos semelhantes  que também convém acautelar.

Contam agora com o Brasil – contactos e acordos discretos, diz-se -, país fronteiriço da Venezuela e que por mero acaso da história tem profundos laços com Portugal. O que se torna mais difícil de acreditar é na abertura da fronteira brasileira a uma imensa vaga de refugiados que ali se apresentem para futura evacuação. Para onde, isso será outro caso. 

*Consolemo-nos com algo incontornável: dado o que tem desde há uns anos sucedido no sudeste da Europa, o governo português decerto poderá contar com caudalosos fundos de auxílio para a integração desta vaga de desesperados aqui, em França, na Alemanha, Suécia e outros locais. Fogem da violência? Sim. Fogem do livre arbítrio? Claro. Fogem da miséria? Certo. Fogem de uma não declarada guerra civil? Evidentemente. 

Ficaremos então a saber o que valem as palavras. 

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Sarampos e dictomias portuguesas

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Há várias décadas que venho observando por esse mundo fora a simplificação apaixonada, a redução de equações complexas a tábuas rasas de tudo ou nada, certo ou errado, preto ou branco, sim ou não. Portugal até oferece aos seus tele-espectadores um programa conceptualmente ridículo – Prós e Contras -, um exercício que dispõe em campos opostos partes de um mesmo universo de considerações. A “vacinação ou não vacinação” já deve fazer parte do alinhamento básico da Fátima Campos Ferreira que munir-se-á de um Adalberto, um George e uns tantos hippies requisitados ao Bloco de Esquerda para a próxima emissão daquele formato. São radicalizações extremadas desta natureza que fuzilam as excepções de que é feita a humanidade. Qual bem maior qual interesse público versus ego existencial alternativo, privado.  Não é assim que funciona. O mundo não é visceralmente vegetariano nem augustamente carnívoro – à terça há frango, ao domingo percebes. Vejamos então onde nos conduz esta nova discussão de contemplações. Se o sarampo bate aos pontos Torremolinos. Se Tires arremessa Marcelo para o promontório uber-moralista do certo ou errado. Nesta hora de constrição epidémica, e com a fé como pano de fundo, relativizemos  Einstein. Somos pequenos. E geralmente erramos. Quase sempre.

O Truque das Massas.

O projecto chamado Truques da Imprensa Portuguesa é um caso curioso de Sockpuppets cujo objetivo é o de, entre outras coisa, desmascarar outros Sockpuppets. Estranho? Nem por isso. A príncipio tudo parece um caso de voluntariado: um grupo de amigos (e amigas?) junta-se para denunciar o que consideram ser os abusos da comunicação em Portugal: pretensas notícias falsas, artigos manipuladores, clickbaits, violação da vida privada, combate político «descarado», etc etc. A cada instante, através do Facebook, os anónimos autores do Truques elaborada cuidadosamente textos que recortam, analisam e condenam notícias, jornalistas e jornais. Mas não estamos a falar de frases soltas, ataques imediatos, daqueles com os leitores bombardeiam as caixas de comentários dos periódicos. Não. Estamos a falar de artigos complexos onde a informação não só é escalpelizada, mas relacionada com outros casos, alguns anteriores ao próprios «Truques». Por aqui se vê que, quer pela constância na publicação dos textos, quer pelo manancial de informação que veiculam, não estamos a falar de um grupo de amigos que se reune numa garagem para beber uns copos, comer uns percebes e mandar uns bitaites.
A regularidade e a mecanicidade com que varrem o panorama informativo, identificam alvos e os abatem é de um nível cirúrgico incontestável. Sobretudo se pensarmos que aqueles carolas estão ali por desporto, que têm os seus trabalhos, a sua vida pessoal e que o Truques é apenas uma espécie de destino robin hoodesco para salvar a pátria da nesfasta má comunicação social.
Na esfera daquele produto circulam perfis abertos e fechados. Os abertos são claramente leitores de boa vontade que fazem comentários sinceros e até inocentes sobre os casos que ali se apresentam. Todavia há um conjunto de perfis claramente falsos que, por exemplo, quando alguém ataca directamente as opiniões veiculadas pelos administradores anónimos aparece rapidamente, como um enxame, para rodear a presa e desfazê-la com argumentos, uns válidos, outros nem por isso – um exército de pequenos sock puppets.
Quando ali uma vez discordei e fiz valer o meu argumento, e visto que o meu perfil de facebook não tem uma foto de grande qualidade, rapidamente apareceu o autor de um dos perfis fechados a divulgar aspectos da minha vida profissional.
Não quero pensar que há partidos, empresas, lóbis o que quer que seja, por trás deste grupo de «amigos». De resto esta prática de controlo opinativo com contornos políticos teve larga difusão no Portugal comentadeiro – veja-se o caso dos Abrantes.
Mas espanta-me a facilidade como um perfil do Facebook ex nihilo gerido por anónimos, adquire uma tal credibilidade que facilmente transforma massas pretensamente críticas, em conjuntos de indivíduos inertes e seguidores.

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O homem

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O homem é simpático.

Inequivocamente simpático.

Mas essa é apenas uma das qualidades expectáveis num PR.

O homem é hiperactivo.

Essa é uma das qualidades que não é expectável num PR.

O homem tem uma necessidade de protagonismo enorme.

Dir-se-a carências. 

O homem é culto.

É natural leu muito e até comentou na TV muita literatura (lida ou não)

O homem não tem primeira-dama .

Mas tem primeiro ministro.

O homem gosta de aviões e viajar.

Mas não perde um acidente.

O homem é o que quiserem .

Mas não é o mais indicado para o papel que tenta despenhar. 

 

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Uma questão de tempo

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 1. O Caso Estado islâmico. Chamemos-lhe pelo nome que livremente escolheu, pois há nove séculos Portugal também foi auto-proclamado e nem por isso deixou de ser assim conhecido oficialmente até 1910, momento em que passou a ser documentalmente baptizado como República Portuguesa.

O Observador interessa-me apenas rotineiramente, tal como qualquer outro membro mediático. Neste caso Alberto Gonçalves diz aquilo que todos já reparámos e preferimos esconder para não nos apontarem o dedo com fobias de todos os tipos e feitios. Tem razão, digam o que quiserem.

2. A Venezuela e o Observador que anda vesgo.
Bem, aqui as matizes são evidentes, dada a história do país desde a sua independência, mas naquilo que mais nos deveria interessar, nem uma palavra. E o que nos deve interessar? A legítima posição de “egoísmo nacional” na questão dos portugueses e dos luso-descendentes na Venezuela, coisa que devido ao desleixo, incompetência, desinteresse aparente, ineficácia e sobretudo, desconfia-se muito justamente, do calculismo quanto a previsíveis alterações no mapa eleitoral, é totalmente descurada pelo MNE de Lisboa. Pagaremos bem cara a inércia, pois a grossa vaga atingirá as nossas costas, trata-se apenas de uma questão de tempo. Em suma, adivinha-se mais uma catástrofe que emporcalhará a nossa reputação.

Nossa? Não, a deles, a das nossas autoridades que todos os artifícios encontram para não agirem consentaneamente com o que é diariamente apresentado nos noticiários. 

Aquela gente está desesperada – tem muita, muita, imensa fome, é roubada à luz do dia, espancada e violentada pelas multidões tão desesperadas quanto ela própria e pelos decretos do regime. Não é propriamente equiparável à miserável turbamulta, na qual a minha família se incluiu, que a Portugal e para grande contragosto do poder então instituído, obrigatoriamente aportou há quarenta e tal anos.

Por enquanto, não é equiparável. E porquê? 

Porque neste momento, boa parte dos “portugueses da Venezuela” poderia aqui ser muito rápida, discreta e razoavelmente integrada, bastando para isso um planeamento aturado que implicaria a abertura de créditos e a previsível revitalização da banca, comércio, indústria e agricultura. Isto já deveria estar a ser preparado desde a morte de H. Chávez, mas o “regime de Lisboa” – não é assim que gostam de designar os outros? – preferiu fazer de conta e dedicar-se à contabilidade e habilidades dos negócios, fosse quem fosse quem exercesse o poder a partir de S. Bento.  
Subitamente deixaria de existir a “premente carência demográfica e as consequentes dificuldades da segurança social do futuro próximo”, cata-vento/chamariz para certas coisas que todos sabem ou adivinham. 

Paciência, esta é mais uma imbecilidade crassa do esquema vigente, de todo ele, desde a esquerda à direita parlamentar. Não perderemos por esperar.

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Verbrecher element

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 Dizem estar sob custódia e a propósito do crime de anteontem, um reconhecido jihadista que todos temos  a pavorosa impressão de  ter visionado em numerosos vídeos do E.I., protagonizando cenas indescritíveis que a escabrosa e ilegal censura oficial prefere não divulgar. Ao contrário da cada vez mais insuportável praxis do politicamente correcto, deveremos todos ver as imagens com atenção, ficando assim cientes da solução final que nos estará destinada no caso da sua vitória na Europa. As suas faces estão por todo o lado, são perfeitamente reconhecíveis e os até agora considerados competentes serviços de informação sabem bem quem são.

O que se exige? Uma punição absoluta, eliminando-os do nosso convívio. Ousam regressar porque nos consideram timoratos, relaxados e alvos fáceis. Disso se gabam abertamente. Ora deseganemo-los de uma vez por todas e tornemos a posição bem clara: não há entre nós, na Europa, um único lugar para eles.   

Dado o que até aos nossos dias de forma ultrajante tem ocorrido com o evidente simulacro de justiça vigente na há muito chantageada Alemanha, não é justificável a manutenção das actuais leis da protecção da nacionalidade e de tudo o que o estatuto de nacional do país X ou Y significa.  Ainda há escassos dias uma irresponsável do governo sueco ousou sugerir o “início de preparativos para a reintegração social de todos aqueles que alegremente partiram para o Próximo Oriente”. Impossível, é uma posição grotesca a roçar o crime.

São estes verbrecher element plenamente reconhecíveis não apenas através das imagens em que sorridentes surgiam ao lado das suas desgraçadas vítimas cortadas em pedaços ou abertamente escravizadas, como também – e isto é equivalente – pela opção consciente e livremente tomada. São um colectivo, logo colectivamente devem ser responsabilizados. Todos, sem hipótese de qualquer excepção.

Nenhum deles desconhecia o que estava a acontecer nos territórios dominados pelo Estado Islâmico. Todos, todos eles tomaram prévio conhecimento dos atentados aos direitos humanos, dos assassínios genocidas, do espezinhar dos elementares direitos das vítimas chacinadas. Eram voluntários, ansiosamente queriam participar nos crimes e partiram. Todos eles sabiam da existência de inacreditáveis torturas prévias à infalível execução com requintes de malvadez. Todos eles usaram e abusaram do poder que transitoriamente tiveram. Todos eles participaram ou gostosamente assistiram às queimadas humanas em levas da morte, às execuções sumárias, ao despenhamentos do alto de edifícios, afogamentos, degolas em praças ou matadouros, ou ao mais prosaico e secundário destruir de património. Regozijaram-se com a existência de mercados de escravos.

Ainda na Europa e diante dos ecrãs dos seus computadores, riram abertamente perante todas as atrocidades cometidas em nome não se sabe bem do quê e de que sacra-inexistência. Uma leitura na diagonal das mensagens trocadas a cada ocorrência trágica, confirmam o acima descrito. Não têm nem poderão alguma vez ter a menor hipótese de escapar impunemente.

Em suma, devem pagar pelos seus crimes e de uma forma radical, pesadamente.

Sob pena de enfrentarem a curto prazo aquilo que todos pensam como séria probabilidade, os governos ocidentais não podem dar-se ao luxo de exigir aos seus concidadãos ultrajados, mais o vergonhoso e aviltante sacrifício de não só os ter dentro de portas, como ainda serem obrigados a sustentar o seu parasitismo em prisões confortáveis e onde espalharão ainda mais os venenosos ensinamentos que lhes foram prodigalizados através de teclados e excitadas oras. Não!

A democracia significa o pleno acatar do Estado de Direito – em suma, aquilo que somos e queremos – por eles rejeitado. 

Não vertamos uma única lágrima pelos facínoras e voluntários companheiros de caminho, estejam eles aqui a opinar de forma mais ou menos ostensiva, ou lá, no Próximo Oriente. Devem permanecer onde estão, para onde para sempre partiram. Para sempre, em termos temporais signifique isto o que significar.  

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