
As CNN e New York Times deste mundo já não ocupam o palco central das conferências de imprensa organizadas pela presidência Trump. Os últimos da fila com a senha na mão passaram a liderar o processo jornalístico. A Fox News e o The New York Post são agora as estrelas da companhia. Os lugares cativos de certos opinion makers estão a ser redistribuídos. Hoje o Expresso e o Diário de Notícias, amanhã as Linhas da Beira ou as Notícias da Terra. Temos assitido ao pasmo e ao queixo caído de muito jornalista internacional, ou desta aldeia, que ainda não perceberam a revolução sistémica em curso. O excêntrico Donald, há poucas semanas não fazia parte do clube, mas agora ele é o country club – tem os tacos na mão. Os comentadores, aqui e acolá, ainda acreditam no regresso à convenção, à normalidade. Mas estão enganados. As regras do jogo são outras. No entanto, e em abono do karma jornalístico, foram décadas de preferências e versões coloridas que nos conduziram a este estado de arte, a esta vendetta. Foram muito poucos aqueles que ousaram partir a loiça. Retenho alguns na memória e poucos no presente. Penso no jornalista e investigador John Pilger, e na reedição da sua obra – The New Rulers of the World -, que pensava eu, por ter Chomsky na badana, ser um hino às virtudes de um campo ideológico em detrimento de outro, mas estava enganado. O homem distribui chapada a torto e a direito, à esquerda, em cima e em baixo. São relatores deste calibre os únicos com argumentos para confrontar Trump, ou seja quem for, em nome do processo democrático. Em vez disso, vemos microfones vendidos a simular entrevistas a presidentes da república, colunistas ao melhor preço de mercado, e a verdade dos factos a escoar por um cano de minudências e chatices. Ainda não entenderam que a tendência da política é hardcore, XXX? Enquanto os jornalistas andam aos papéis para ver se saem bem na fotografia e eternizam os favores, os danos são prolongados. E muito por sua culpa. Trump está a fazer tremer mais do que mera gelatina de cobertura mediática. O epicentro pode ter sido lá, do outro lado do Atlântico, mas aqui, seja qual for a jornada parlamentar, cheira mal e há tempo demais. As conivências políticas e os encostos de ombro de determinados jornalistas são flagrantes – as primeiras páginas parecem ser agora as derradeiras. Vai rolar muita tinta e algo mais.
uh..uh…like, Correio da Manhã, Expresso, Observador, Sábado…essas coisas, há muito que são fake news…
é que aqueles gajos veem o jornalismo como “atividade rentável”, e até o declaram no congresso de jornalistas…os “pasquins” também sabem somar…
Mr. Trump é um gajo INTELIGENTE, ESPERTO, DESTEMIDO, ganhou sozinho e borrifou-se para o sistema…uma espécie rara. Nada tem de excentricidade.
Os media americanos estão furiosos por Trump ter vencido as eleições e não lhes vai passar nunca. A Fox News passa por ser tendenciosa, porque é a única estação de televisão de direita. Como as outras são todas de esquerda, fazem o discurso dominante e por isso são o “normal”, enquanto que a Fox é a “desviante”, embora sejam todas tendenciosas. Aliás, a CNN, por exemplo, é ainda mais pérfida do que a Fox, porque não assume a sua inclinação política, e é muito mais corrosiva com Trump do que a Fox News foi com o Obama.
Mas o ódio ao Trump não se deve só ao facto de ele ter derrotado a “crida” Hillary, é porque ele não é da “casta”. O George W. Bush era odiado mas não tanto como Trump, porque o W. é filho de um presidente e pertence ao clã Bush, que é praticamente aristocracia norte-americana. Bush nasceu na Nova Inglaterra, estudou na universidade de Yale, e depois construiu uma identidade de texano para a sua carreira política.
Já o Trump é um novo-rico, um promotor imobiliário rude e sem cultura geral (não é que os outros a tenham, mas este nem finge ter). Filho de um imigrante alemão e de uma escocesa, é o tipo de pessoa que o sistema quer a financiar partidos políticos, nunca a substituir os políticos da “casta”.
Não vale a pena tomar partidos nesta “guerra” porque são todos condenáveis à sua maneira. Para já gostei que o Trump começou a domesticar o “lobby” espanhol. Cuidado com a “promoção cultural” de países como a Espanha, que procuram retomar pela expansão do uso da sua língua o que perderam no séc. XIX. Ponham-se a pau, senão era uma vez os Estados Unidos da América…
Mick Hume no seu livro “Direito a Ofender” também dá porrada a torto e a direito, ninguém escapa, desde jornalistas, políticos, opinion makers, líderes religiosos, a plebe, etc, não deixa pedra sobre pedra sobre a liberdade de expressão e o politicamente correcto. Recomendo vivamente.