
Não é preciso ser cidadão norte-americano para sentir os efeitos de uma presidência nos EUA. Mas é preciso ser cidadão norte-americano (como eu) para sentir os EUA. Por mais que opinem e produzam statements a propósito da eleição de Donald Trump, há vários estereótipos que devem ser rejeitados. A ideia de que eventuais desvios aos princípios que se encontram na fundação da federação americana, e que consubstanciam o genuíno espírito da nação, serão tolerados, sem agravo ou consequência, por largos espectros da população, pela inteligência académica ou pelas grandes corporações de Wall Street. Estamos apreensivos em relação à inauguração de uma nova modalidade, porque nada disto é inédito, mas também não é exclusivo. Se realizarem a sobreposição de slides, verão, sem grandes equívocos, que Theresa May não é uma versão de Donald Trump. May, declama a sua pauta, uma palavra similar embora com variantes de discurso. Em todo o caso, trata-se de um slogan nacionalista e patriota, carregado de sentimento anti-imigração – Make Britain great again. O que está em causa essencialmente é um quadro mental de previsibilidade a que estávamos habituados. Fomos doutrinados durante tantos mandatos políticos que existe uma convenção estável, imutável. Fomos treinados a viver na sombra das consternações que seriam tratadas pelos lideres e representantes partidários. Recebemos em troca amostras de grandes promessas que se esfumaram em metas por alcançar. Aqui e agora, here and now, registamos o inverso. O juramento totalitário à partida, à cabeça. Um conjunto de absolutismos de tudo ou nada, sim ou não, you´re in or get the hell out. Há muito que vinha observando a patologia civil dos EUA – a ideia de autosuficiência intelectual. A ideia de que os outros são dispensáveis. O isolacionismo, implícito na narrativa, é apenas uma extensão natural da genética política, económica e social, construída no país que é a maior amálgama de nações extraviadas do mundo. Agora imaginem o sentimento de indefinição que se atravessa no meu ser. Para todos os efeitos, bons e maus, eu sou um cidadão dos EUA.
Wait and see, daqui a uns tempos darei a minha opinião como pertença de um país aliado. Depois de todo o carnaval mediático a que assistimos nos últimos 10 anos, parece-me o mais aconselhável.
Não se preocupem com os EUA, eles tem a solução nas mãos. Podem escolher o tratamento que deram à Ucrânia, ou o desmantelamento como fizeram com a Jugoslávia. Importante não precisam da ajuda de ninguém.
E este muito menos.
Muito bom texto, mesmo importante. Claramente contém “more than meet the eye”.
A um europeu, aqui nado e criado, com a sua arreigada cultura de origem e sem grande vivência nos EUA, é-lhe impossível perceber os EUA.
Entre invejas inocentes e ódios primários, seja ele um jornalista a balbuciar incongruências, seja uma Merckel formatada na ex-RDA … deixem o homem trabalhar, e depois, só após uns bons 4 anos façam as vossas apreciações.
Até lá seria aconcelhável que muito boa gente se calasse e escondesse a sua ignorância.
meh…não percebi bem, ó bloguista americano, eu APOIO 100% Mr. TRUMP, e defendo que se encontre um bom business man em Portugal para correr com a esquerdalhada que se encontra a governar a portugália e com a direitalha de pacotilha institucionalizada que nem sabe o que é direita.
Já agora, devíamos todos ter marchado in portugal à semelhança dos demotards and libtards, also demoncraps que marcharam nos States, quando o Costa de S. Bento, numa equação matemática nunca vista, se abotoou às redeas do poder…o gajo somou os votos da oposição, mesmo daqueles que concorreram desassociados da chucharrada. E os portugas calaram-se mas debatem arduamente as palavras do jorge jesus.
Eessalve-se a ausência de limpeza gráfica neste meu little post, not in the mood.