Caso único num Mundo globalizado, o social-bucolismo português persiste e acentua-se de ídolo em ídolo até à repulsa final. Atletas de alta competição, pagos de tesouros públicos e privados pelo seu peso em safiras para ascenderem ao escol do Olimpo, agitam uma taça e enfunam a bandeira da Nação falseada. Ídolos. Um mitómano clinicamente certificado, que corrompeu transversalmente o país e as instituições, é preso e sai de mandíbula arreganhada jurando, como um jagunço urbanizado, vingança e Armagedão a quantos o desafiaram. Ídolo. Abundam cientistas cuja vontade primeira, e bem, foi escapar à égide de um território dentro do qual, caso lá tivessem ficado a tentar exercer o seu mester entre part-times em call centers, encarnariam o protótipo do Homo Miserabilis almejado pela máquina sinistra que usurpou e governa. Descobrem, já radicados numa terra a sério, qualquer coisa importante; nem que remonte à décima geração, se lá houver um Fonseca, na aldeia são ídolos. Um arlequim amorfo, de competência nula e ideologia tão tétrica quanto a das múmias condecorantes e condecoráveis que por cá vão sorrindo, após anos de cumplicidade no maior desastre migratório de que há registo,vai agora ao trono da mais vácua organização no planeta. Ídolo. A idolatria está entranhada no tutano do saloio luso, e até nisso ele ergue para os céus o focinho prognata: em vez de pugnar pelo dia em que, ainda a cheirar a imperial e bifanas, consiga entrar no WC e admirar a imagem no espelho, o singularis porcus portucalense mendiga ao destino a emergência de heróis, mesmo sabendo que lá de onde orbitam, os receptáculos da sua adoração não poderiam borrifar-se mais para o lugarejo seminal. Quanto mais depressa desaparecer Portugal, melhor.