Mês: Outubro 2016 (Page 1 of 6)

Manual para uma Promoção Social sadia

Vem ainda a propósito de uma farsa sob a guisa de concurso a blog do ano na categoria de política, economia, negócios e porque não prostituição à laia de quem lava uma escada para não ficar ao relento.

 

Como é que a esquerda, ou seja os media, o povaléu das idas ao pão em fato de treino num dia selecto pela colmeia, e a casta rançosa de Abril quer o eleitorado? Sentido? Aventando? Limpo, vestido, barbeado, escorreito?

 

Não, poupadinho e com vales, que é como quem diz sedento de senhas, do estipêndio discricionário, da trela mirífica ancorada no caralho que foda os Governos todos, exclusivamente compostos de labregos como Ferro, Costa, Freitas, Jerónimo, e monhés diversos desde 1974, altura em que os paizinhos salteadores das Mortáguas começavam a cogitar largar a ganza e o bacamarte para pô-las sobre o mundo.

 

Nunca odiei nada, activamente, nesta vida; até agora. O meu desejo neste início de quadra Natalícia para Portugal é que se foda todo, expluda, desintegre e num eco de 1755 faça afundar nos quintos da litosfera toda a herança dos últimos 200 anos. Bem hajam.

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In memoriam – Bernardino Gomes

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O fim-de-semana que se findou fica marcado pela triste notícia da morte de Bernardino Gomes. Como relembraram os vários jornais, foi uma figura incontornável da história do PS, de que foi fundador, e do vector atlântico da política externa portuguesa na III República, ao qual acabou por dedicar boa parte da sua vida após o 25 de Abril de 1974, sendo de destacar o desempenho de funções enquanto chefe de gabinete de Mário Soares em São Bento, director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, administrador da FLAD e Presidente da Comissão Portuguesa do Atlântico.

 

Foi, aliás, no âmbito desta última que tive oportunidade de o conhecer e de com ele colaborar na promoção do seu braço para a juventude, a Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, junto das associações internacionais de que fazem parte, a Atlantic Treaty Association e a Youth Atlantic Treaty Association, organizações ligadas à Divisão de Diplomacia Pública da NATO. 

 

Bernardino Gomes foi uma das pessoas mais cordiais e agradáveis que conheci até hoje, ficando facilmente na memória de todos quantos o conheceram o seu sentido de humor, a sua inteligência, o tacto diplomático com que tratava todos os assuntos e o sentido de Estado que imprimia em todas as suas intervenções ou iniciativas públicas. Que descanse em paz.

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Educação Low-Cost

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A geringonça está totalmente certa no juízo que faz e na decisão que toma. Para quê investir mais na educação se a moda é falsear currículos? Um corte de 169.5 milhões de euros na Educação é o que está em causa. Não vemos o chefe da FENPROF há séculos, mas agora teria uma boa oportunidade para aparecer de um modo indignado. O que se passa em Portugal? É impressão minha ou a Esquerda já não é o que era? O silêncio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português merecem preocupações da nossa parte. Afinal não é apenas a Austeridade que está a ser branqueada. Os partidos da libertação do jugo opressor de Bruxelas parecem ter respondido ao chamamento de uma qualquer igreja, de um outro quadrante ideológico. Já viram o que aconteceu no Brasil? O Marcelo Crivella pegou na fivela e deu umas cinturadas na Esquerda brasileira. Devemos temer o efeito de chicote. Quando o povão percebe que não estão a chamar as coisas pelos nomes, rapidamente vira o prego e torce por outra equipa. A Esquerda portuguesa arrisca perder a soma das partes que hoje a define, se continuar a falsear as promessas que faz. E essa noção é básica e transversal a qualquer campo ideológico. É a Democracia, estúpido – aqui, acolá ou nos Estados Unidos. O dito por não dito não resulta. Tem a ver com a licença concedida a um governo para avançar causas que afirmava lhe serem queridas, mas que aparentemente não são. Se eu fosse educador respondia à letra. Contudo, as águas estão paradas. Não sei com que divisa se compra a vacuidade.

Licenciados da tanga

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Há cinquenta anos Portugal estava pejado de analfabetos. Eram mais do que as mães. Eram mais do que 70% da população (oficialmente perto dos 30%, segundo a Pordata). Depois veio a revolução e o acesso à educação terá sido uma das conquistas democráticas. Mas essa prerrogativa não bastou. Não bastava estudar muito, ter boas notas e receber um diploma. Era preciso algo mais. Para ter sucesso ou enriquecer era obrigatório ter ligações. Era condição sine qua non conhecer gente nos mais variados meios sociais ou profissionais. Uma cunha aqui, um tio acolá, e lentamente, aquilo que seria considerado convencional – o reconhecimento pelo mérito -, foi sendo corroído de um modo incontornável pelo desvio ético, pela ganância. Contudo a licenciatura continuava a ser o requisito mínimo para a aceitação social acontecer, para a escalada profissional ser possível. O Dr. Português (único no mundo académico! – trata-se apenas de um B.A….Bachelor of Arts) passou a conferir uma acreditação atípica. Emprestava a falsa aura de vantagem intelectual, de competências acrescidas. Enfim, a ilusão de que se seria melhor do que o par contemplado com uma mera educação secundária de liceu com nome de fadista. Essa licenciatura tornou-se valiosa ao ponto de ser assaltada a qualquer preço. Rapidamente essa patologia das aparências minou outras categorias. Os engenheiros passaram também a reclamar um tratamento diferenciado – também queriam ser doutores. E nessa cavalgada de pretensões, as competências, se alguma vez existiram, foram pelo cano. Portugal padece, cronicamente, de um qualquer complexo de inferioridade. Mas essa síndrome não obedece a um quadro típico. É endémico, miseravelmente consanguíneo. É uma competição de faianças de ostentação, sem que uma vez a qualidade intrínseca seja evocada. Basta o prefixo. Que se lixe o sufixo. Estou há mais de 30 anos em Portugal, e a cura não aparece. Um país ainda versado na arte do apelido e título académico não pode ir longe. A descoberta e demissão dos dois falseadores dos diplomas perdidos não nos deve surpreender. Esses dois são iguais a tantos outros. A única diferença é que estes queriam mandar. Estes faziam parte de um governo. E em vez de lá ficarem foram para o olho da rua. Adiante. Venham de lá os próximos. Estes são bem piores do que os analfabetos de há meio século atrás.

Marcelo Castrol

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No meu entender, mesmo num sistema político não presidencial, um chefe de Estado deve (acima de tudo) defender o interesse nacional. Não consigo perceber o que Marcelo Rebelo de Sousa anda a fazer posando para a fotografia com Fidel Castro (?). Nem sei se existe algum valor simbólico que se possa extrair deste investimento mediático. Será que o presidente da república portuguesa tem uma dívida pendente para com Otelo? Marcelo esbanja Castrol num motor avariado. E o aparelho cubano de inspiração fidelista já era uma máquina questionável. Dar um abraço ao enigmático lider não é muito diferente do que dar um encosto fraterno a Mobutu ou Lenine – ambos (incluindo o remanescente Castro) avançaram as causas da miséria humana, da pobreza e da opressão. Não fica bem a Portugal usar recursos para fins altamente duvidosos. Cuba ainda não realizou a transição para a Democracia e o estender da mão de Obama deve ser interpretado no contexto de outras emergências geopolíticas. A única coincidência linguística-ideológica que se pode espremer deste preparado tem a ver com a ideia de embargo. Quem diz embargo diz sanções. Nessa medida, Marcelo alinha-se com aqueles que sofrem os efeitos de sanções, sejam sevícias da União Europeia, sejam admoestações impostas pela administração norte-americana. Marcelo deve ter algum cuidado para não fazer a figura de urso de Marinho gaivota. Soares fartou-se de viajar à pala não se sabe bem de que ideal. E até se fez transportar de tartaruga numa qualquer ilha perdida.

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Revisitar Sarajevo

 

Serei o único a achar, com toda a seriedade, que Portugal corre o risco (calculado com toda a intenção pelos socialistas desde que Guterres, essa bola amorfa e inútil, partiu) de desintegrar-se numa guerra civil – no sentido mais literal do termo, com vizinhos aos tiros uns aos outros – como aconteceu na ex-Jugoslávia?

As diferenças étnicas que opuseram Sérvios a Croatas são pouco ou nada mais biológicas, logo irreconciliáveis, daquelas que opõem a matilha da esquerda Abrilina (que começa no estivador, passa pela funcionária pública prima do primo que valida ultrajes financeiros no Compete e nos concursos públicos, pelas redacções sibilinas repletas de imberbes histéricos, e desemboca onde se acoita a fina flor das serpentes encabeçadas por Soares) às pessoas normais, ou seja da não-esquerda.

Ontem, o espectáculo mais grotesco e pavoroso não foi o frete de Judite de Sousa, ainda de luto cerrado, a lamber em directo o esfíncter mental do maior mitómano de que há memória nesta aldeia infecta: foi ter caído a noite, passado a madrugada, nascido o novo dia e em toda a manada de labregos não ter havido um que escrevesse na rua, à bala ou com fogo ou até somente com tinta preta sobre uma repartição qualquer das Finanças, aquilo que eu estou a escrever aqui. 

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“É possível, ó Sancho, que haja em todo o orbe alguma pessoa que diga que não és um tolo chapado, com mescla de malícia e de velhacaria?”

Não importa que os socialistas tenham governado como governaram entre 2005 e 2011. Porque a esse argumento responde-se não com factos, mas com Durão Barroso e Santana Lopes. Não importa que os socialistas tenham governado como governaram, apesar dos tempos favoráveis, entre 1995 e 2001. A essa evidência responde-se com o fantasma de Cavaco Silva e com a psicologia do “pai do monstro”. Não importa que José Sócrates tenha chamado a troika, que tenha negociado (mal) o memorando, que tenha sido o seu Governo a inaugurar a “austeridade” ou que se tenha demitido para não ter de governar em condições que não lhe permitiriam a manipulação psicológica dos portugueses. Porque a esse facto responde-se com a “austeridade má”, com os “incentivos à emigração”, com o retrato de um País em ruínas. Não importa que o Primeiro-ministro, os membros do Governo e os Deputados da maioria que o suporta mintam todos os dias. Várias vezes, para que ninguém consiga ter tempo de as fazer evidenciar. Não importa que António Costa governe como quem lidera uma associação de estudantes. Nada importa, na verdade. Porque resulta. A psicologia da crise só pesa nos ombros da direita. Houve gente que nunca teve cortes nas pensões ou nos salários que berrou contra a austeridade da direita, passe o pleonasmo, e do “neoliberalismo”. Há um mar de gente que não paga IRS que lamenta ter de pagar a crise. Há quem se queixe com razão, claro. Mas hoje queixamo-nos menos. Estamos a ressacar. Não se destrói a narrativa da da “reposição de rendimentos” com factos. Mesmo que as estatísticas, os dados, os números, não batam certo. Nada importa, na verdade. Nós não queremos sair do Euro, mas também fugimos a sete pés das “reformas estruturais”. Queremos estar assim, que estamos bem. Não queremos que se combatam os interesses instalados, as corporações, os que vivem encostados à enorme sombra do Estado, porque todos nós somos interesses instalados, todos somos corporações, todos vivemos à sombra do Estado. Não somos um País de comércio – somos um País que, por acaso, também tem comércio. Não somos um País de livre iniciativa – somos um País em que, por mera sorte, existe gente que tem iniciativa e que não espera nada do Estado a não ser que não chateie. Não queremos programas liberais. Queremos que nos deixem sossegados. Do povo às elites lisboetas, só queremos que nos deixem sossegados. A nós e às nossas negociatas. Aos nossos direitos. Não importa perguntar por Arménio Carlos, por Mário Nogueira, por Bagão Félix, por Manuela Ferreira Leite. Eles não voltam tão cedo. Estamos sossegados, a recuperar rendimentos, a gozar a paz social. Não, ninguém quer saber que custos tem essa paz social. Ninguém quer saber se o Metro não anda, se os autocarros da Carris não cumprem horários. Estamos em paz social. Não queremos sequer ouvir falar no que aí pode vir. Novo resgate? O caraças, pá. Logo se vê. Deixa andar, que assim está bom. Se não estiver, olha, logo se vê. Eles é que sabem. O remédio que têm aqueles que, como eu, olham para tudo isto com olhos de bicho assustado e incrédulo, é também deixar andar. Ir dizendo, por descargo de consciência, que o Rei vai nu. Protestar, e tal, sim. Alertar para as incoerências, para as mentiras, sim. Mas que tenhamos a certeza de que grande parte do País não quer saber disso para nada. Não há programa reformista que consiga convencer eleitores. E logo agora, que se percebeu que a direita só volta a governar se tiver maioria absoluta. O que há a fazer é esperar. E poupar. Deixar uns dinheiros de lado, não vá isto dar para o torto. E ir “fazendo oposição” – aquela coisa que, à direita, se assemelha a dar murros nas ondas. Não vale a pena continuarmos a achar que vivemos noutro País. Não vivemos.

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Ruiu o Roque

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A Confederação de Licenciados de Portugal (CLF) vem agora exigir que o governo da República Portuguesa submeta todos os seus membros ao escrutínio de um polígrafo académico. A CLF, numa nota de imprensa tornada pública, vai mais longe e sugere que todos os titulares de cargos públicos do presente e passado sejam sujeitos a um processo de autenticação de diplomas. Por outro lado, a Intersindical de Não Licenciados de Portugal (INLP) reclama idênticas condições no acesso a cargos públicos. Numa nota conjunta reiteram que não se pode continuar a pactuar com uma situação de “nem rei nem Roque” no que diz respeito às burlas agravadas a que são sujeitas tantas portuguesas e muitos portugueses. Já bastava Bob Dylan ter ganho o Nobel sem o merecer, como afirmou a catedrática Alice Vieira, para agora sermos confrontados com esta pouca vergonha. Daqui a nada temos um padeiro-presidente que nunca viu mais gorda ou mais magra uma carcaça. O que podemos concluir, sem prejuízo de outras casas partidárias, é que o Partido Socialista tem um certo fetiche por engenheiros da tanga.

O lápis azul do Orçamento de Estado

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Desde quando é que o Partido Socialista decide o que é útil e o que é fútil? Os alegados pais da democracia libertária de Abril não querem mostrar as cartas do seu jogo. Recusam mostrar as estimativas de execução orçamental por entenderem que estas podem denunciar de morte as suas opções administrativas. Não era este o governo-maravilha que tinha um plano quinquenal ao quadrado, uma visão para a década? O checks and balances na sua plenitude também implica a total transparência dos números do Estado. O modesto cidadão comum não tem o direito de saber de que modo o seu dinheiro é gerido? Será que Portugal está a inverter a sua abertura de espírito e a tender para regimes políticos questionáveis? Mas esta história leva água no bico. Se a geringonça pretende esconder um mais que provável descalabro, não tem nada a temer. A Grécia acaba de ver aprovado mais um pacote adocicado de ajuda. Mas Ilusão e decepção parece ser o modo operativo. Querem convencer-me que não fizeram o due diligence  adequado (expressão cara, esta) em relação ao adjunto de António Costa. A saga dos engenheiros da tanga parece não ter fim para os lados do Rato. Mas não nos afastemos do essencial. O Orçamento de Estado, na versão lápis azul da geringonça, pretende escamotear a verdade. E a verdade é a seguinte: os impostos sobem em toda a linha. Mas não convém que se saiba.

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