Mês: Setembro 2016 (Page 1 of 5)

Granizo, Saraiva e os Trópicos de Câncio

Vol-5 large-nudes (8).jpg

 

 

Não existe uma época em particular para falências éticas. A sazonalidade da mediocridade é coisa que não existe. Deve ter sido o efeito de estufa, o ozono, ou coisa que o valha a causar este estado de arte. Mas aqui a coisa está nivelada. O grau de toxicidade é equivalente. Estão ambos na mesma latitude – nos trópicos de Câncio. E chove. Saraiva, dizem uns. Granizo, dirão outros. A Fernanda não soube aproveitar a deixa erótica para se declamar como emancipada sexualmente. Ao fim e ao cabo, parecem todos padecer da mesma falta – falta de. Essa “falta de” é um perigo. Escorre e contamina as indústrias livres. Coloca a canzoada a latir em torno do mesmo canil de ofensas de partes baixas. E a fotográfia é uma disciplina maior. Não se pode admitir esta forma de auto-flagelo, estas sevícias no pudor útil. O corpo é essa maldita caixa de ressonância que vibra – qual fogo que queima sem se ver. O amor não abunda nos dias de hoje. Eu e os políticos. Belo título.

Nota final sobre os Prémios Blogs do Ano da TVI/Media Capital

No seguimento da nossa decisão de retirar o Estado Sentido do concurso Blogs do Ano, fomos contactados pela presidente do júri, Helena Forjaz.

 

Para além de ter ficado esclarecida a situação que relatámos sobre as entrevistas concedidas ontem num evento promocional da Media Capital/TVI, que terá ficado a dever-se a um mal-entendido, a presidente do júri explicou-nos também a dificuldade que os jurados tiveram no que diz respeito à decisão de incluir o blog Poupadinhos e com Vales na categoria de Política, Economia e Negócios.

 

Tendo-nos sido pedido para reflectirmos sobre a nossa decisão, decidimos mantê-la, essencialmente porque, como escrevemos no nosso primeiro post a este respeito, Não entendemos e não nos conformamos com a inclusão, nesta categoria, de um blog que não se consubstancia numa identidade crítica e intelectual, que nem sequer cultiva o primado da narrativa escrita, que não cria conteúdos próprios e que apenas se restringe à promoção da sua actividade mercantil. Sem desprimor pelas virtudes do blog Poupadinhos e com Vales, que exulta virtudes próprias, não nos parece equitativo que um blog desta natureza possa estar presente nesta categoria. Tratar-se-á de um blog que é um negócio e não um blog sobre negócios. São dimensões distintas que não foram levadas em conta e que ferem o esforço intelectual e literário de tantos blogs de índole política ou económica.

 

Para finalizar, permitam-nos registar publicamente o nosso agradecimento ao júri por nos ter nomeado e à presidente do júri pela simpatia e amabilidade que teve para connosco. Gostaríamos ainda de afirmar que nada nos move contra a Media Capital/TVI, com quem cultivamos as mais cordiais relações, não sendo despiciendo referir a nossa participação no saudoso Combate de Blogs, programa emitido há alguns anos pela TVI24 e cujo eventual regresso seria saudado pela blogosfera lusa, em especial a que trata de temas ligados à política e à economia.

Publicado em Sem categoria | Tags , , ,

A intelectual pornográfica

Nos últimos dias, como forma de anunciar o Salão Erótico de Barcelona, foi posto a circular um vídeo que, neste momento, conta com mais de um milhão de visualizações e partilhas pelas redes sociais e pelos órgãos de comunicação social de vários países.

A RTP (que, não vá alguém esquecer-se, todos pagamos) partilhou o vídeo na rede e, através de um texto da jornalista Joana Martins, esclareceu que «num vídeo com 1:30 são referidas todas as incongruências do povo espanhol».

Curioso, fui ver o tal vídeo à espera de ficar pasmado com a coragem de quem denunciava «um País hipócrita». Ao longo dos tais noventa segundos, uma actriz pornográfica dá-nos a conhecer o País que temos aqui ao lado e que, não fosse ela, continuaríamos a desconhecer por completo. O texto é o seguinte: «Chamo-me Amarna Millner. Sou actriz pornográfica e nasci num País hipócrita, em que os que me chamam puta são os mesmo que se masturbam com os meus vídeos. Um país que ama a vida mas que permite que se mate em nome da arte. Um país indignado com a corrupção, mas que continua a votar em ladrões. Um país em que se salvam os mesmos bancos que desalojam milhares de famílias. Um país que se diz laico, mas que oferece medalhas a virgens. Um país que trata os que emigram como heróis e os imigrantes como lixo. Um país em que os que se supõem guardiães da moral podem ser os mais perigosos. Um país onde a prostituição não é legal, mas em que anualmente cresce o número de clientes. Um país que se crê aberto e tolerante, mas um árbitro recebe ameaças de morte por ser gay. Sim, vivemos num país asquerosamente hipócrita, mas não nos rendemos».

Como não ficar estarrecido? Não se pode afundar já Espanha? Como é que um País hipócrita ainda existe? Como é que o Boaventura Sousa Santos nunca se deu ao trabalho de resumir num vídeo tão curto as nossas hipocrisias, que são tão parecidas? Por que é que podíamos ter vídeos tão simples em que os intelectuais porno se manifestavam e andamos a ouvi-los diariamente nas televisões, a lê-los nos jornais e a estudá-los nas universidades? Por que é que a Armarna está vestida? Talvez porque a hipocrisia de Espanha, denunciada de forma tão corajosa por Armarna Miller (ou por quem a pôs a falar), não seja assim tão grande. Vejamos:

  1. «Nasci num País hipócrita, em que os que me chamam puta são os mesmos que se masturbam com os meus vídeos.» Nós também vivemos num País hipócrita. Querem ver? Os que chamam ‘atrasado mental’ a um concorrente da Casa dos Segredos são os mesmos que veem o programa. Os que chamam ‘cabrão’ a um incendiário são os mesmos que passam horas a assistir a incêndios em directo na televisão. Claro que é errado chamar nomes a uma actriz pornográfica. Mas a verdade é que os que se masturbam com os vídeos dela são quem, na verdade, lhe paga o salário. Que lhe chamem nomes é feio, sim. Mas se compararmos a quantidade de gente que chama ‘puta’ a actrizes porno com a que chama ‘mentirosos’ a advogados, percebemos que eu estou claramente em vantagem. E com o meu trabalho ninguém se masturba – julgo eu. Isto não é um País hipócrita, Armarna. É a vida. As pessoas chamam nomes umas às outras. É por isso que precisamos de leis. E de guardiães da moral, já agora.
  2. «Um país que ama a vida mas que permite que se mate em nome da arte.» A intelectualidade pornográfica acha hipócrita que as pessoas tenham mais apreço pela vida de um ser humano recém-nascido que pela de um touro. Não chego mesmo a perceber, pelo texto, se há algum problema em amar a vida ou se o problema é só com matar em nome da arte. A propósito, Armarna, sabes como se chama aquela enfermeira que teve ébola e que viu o Excalibur ser abatido?
  3. «Um país indignado com a corrupção, mas que continua a votar em ladrões.» É uma chatice, eu percebo. Mas o voto livre não é sinal de hipocrisia, Armarna. No limite, é sinal de ignorância ou de comodismo.
  4. «Um país que se diz laico, mas que oferece medalhas a virgens.» Eu contextualizo: Carolina Marín foi a primeira não-asiática a ganhar uma medalha de ouro em badminton. A proeza deu-se este ano, no Rio de Janeiro, e, no regresso a Espanha, a atleta foi a um Santuário, em Almonte, e ofereceu a medalha que tinha ganho à Virgem do Rocio. Armarna não gostou, porque Espanha é laica. Em primeiro lugar, é o Estado espanhol que é laico. Isto significa que o Estado e a Igreja são coisas diferentes, que não se confundem. Não significa que as pessoas que vivem nesse Estado tenham de ser ateias. Hipocrisia é dizer que um Estado é laico quando o que se quer dizer é que todos os religiosos (excepto, julgo eu, os muçulmanos) deviam estar pendurados com uma corda ao pescoço.
  5. «Um país que trata os que emigram como heróis e os imigrantes como lixo.» Vejamos a dimensão da hipocrisia espanhola: segundo o MIPEX de 2015 (o Índex de Políticas de Integração de Migrantes), Espanha é o 10.º melhor País a acolher imigrantes, à frente de países como a Holanda, o Luxemburgo, a Dinamarca, a Itália, o Reino Unido, a França, a Irlanda, a Áustria, a Grécia, a Suíça ou o Japão. Se isto é tratar os imigrantes como lixo, imagine-se a dimensão da hipocrisia na ancestral Holanda.
  6. «Um país em que os que se supõem guardiães da moral podem ser os mais perigosos.» A mensagem aqui é clara e não visa alertar para qualquer alegada hipocrisia: o que interessa é fazer passar a ideia de que os padres da Igreja Católica são pedófilos. Não é por acaso que é filmado um actor a abanar uma batina com as cuecas à mostra. Não se denuncia hipocrisia nenhuma. O que se faz é condenar uma religião pelos seus abusos, depois de o próprio Papa já ter lamentado os casos de pedofilia que ocorreram com membros da Igreja.
  7. «Um país que se crê aberto e tolerante, mas um árbitro recebe ameaças de morte por ser gay.» É verdade que um árbitro espanhol recebeu ameaças de morte por causa da sua homossexualidade. Também é verdade que a sociedade espanhola e estrangeira se uniu para defender o tal árbitro. O comportamento de uns é usado para fundamentar uma alegada hipocrisia de um país com mais de 46 milhões de habitantes.

Na verdade, o vídeo de Armarna Millner é mais que publicidade ao Salão Erótico. É campanha ideológica de relativismo moral e cultural, de ateísmo militante, de progressismo totalitário. A revista Sábado diz que a actriz porno «arrasou a hipocrisia da sociedade espanhola». Em Espanha já ninguém deve dormir, tal foi a dimensão do arraso.

Publicado em Uncategorized

Estado Sentido retira-se do Concurso Blogs do Ano da Media Capital/TVI

No seguimento do nosso último post a este respeito, bem como de um evento promocional do concurso Blogs do Ano, que teve lugar ontem no CCB, decidimos retirar-nos desta competição. Aqui fica a cópia do e-mail que enviámos à Media Capital:

 

Exmos(as). Senhores(as),

 

Vimos pela presente solicitar a imediata remoção do blog Estado Sentido da 1ª Edição do concurso Prémios Blogs do Ano TVI/Media Capital.

 

Não podemos pactuar com um conjunto de factos que ferem a idoneidade deste certame. A saber:

 

1. A inclusão do blog Poupadinhos e com Vales na categoria Política, Economia e Negócios quando o mesmo não é um blog sobre negócios mas um blog que é um negócio com uma base de seguidores/consumidores não equiparável ao número de leitores/visitantes de um blog convencional como o nosso ou o dos nossos outros colegas a concurso na mesma categoria – assunto que já abordámos há dias num outro post.

 

2. O tratamento preferencial em sede de comunicação social concedido ao blog Poupadinhos e com Vales, assim como a outros blogs “escolhidos”, que foram entrevistados no contexto de um evento promocional do concurso que teve lugar no dia 28 de Setembro no CCB, tendo os representantes do Estado Sentido sido informados que não seriam entrevistados outros blogs para além dos incluídos numa lista estabelecida pela TVI.

 

3. A não acreditação dos bloggers no acima referido evento por forma a que pudessem ser identificados, o que conduziu a que apenas os já conhecidos pela TVI fossem abordados e entrevistados.

 

4. A asserção clara e inequívoca de que uma série de juízos e preconceitos estarão a condicionar o processo electivo deste concurso.

 

Assim sendo, e em nome da transparência, da equidade, do mérito e da objectividade crítica e intelectual que seria expectável numa competição de blogs, o Estado Sentido pretende distanciar-se dos valores em causa neste concurso, pelo que nos retiramos do mesmo.

Publicado em Sem categoria | Tags , , ,

Penúria endémica

Foto: urubu de cabeça vermelha, a ave totem do português médio que se alimenta da carniça deixada ao calhar por predadores que ocupam degraus cimeiros na pirâmide do proxenetismo de Estado

 

Durante alguns anos frequentei cafés, bares, transportes públicos e outros lupanares do vernáculo onde é possível coligir, por simples manutenção higiénica do funcionamento auricular, um tratado completo da identidade lusa. 

 

Se há constelação de sintomas que possa valer ao diagnóstico diferencial da portugalidade, com pê pequeno, a listinha seguinte ilustrá-la-á com rigor:

 

– cegueira bucólica crónica. para o português, o país pode ter a mais baixa taxa de fertilidade da OCDE, corrupção rampante a céu aberto, anacronismos de vária sorte próprios do Terceiro Mundo, mas tem sol; e como sabemos desde a aura Abrilina, o sol brilhará para todos nós, porque tal como a água, a educação e o direito a casas mobiladas, o sol é de todos e o que é de todos não pode ser denegrido, que é como quem diz privatizado (a não ser pelo Estado, por grémios progressistas, ou por um comentador-presidente que esgrime com afectos pelo Bem Comum)

 

– anorexia piramidal inversa.  mesmo sabendo que ocupa, na cadeia alimentar do esbulho ao dinheiro dos outros (seja por via fiscal directa, alocação de fundos europeus ou levando para casa uma resma A4 sacada ao economato da repartição) o lugar equiparado ao dos vermes anelídeos oligoquetas e poliquetas (Brusca, Richard (2007); Invertebrados – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan) o português contenta-se com os restos esmigalhados que sobram da parasitose social

 

– paralaxe multipolar, ou efeito “sardinha-para-três”. a gasolina custa dois euros por litro? não faz mal, imaginem se custasse três. surge uma coima de dez mil euro devido a erro judiciário? vocês não sabem como aquela gente vive na Somália, que nem casas de banho tem. arderam mil hectares de floresta? na Austrália é que foi queimar, queixais-vos de barriga cheia. as reformas aumentaram trinta cêntimos* em dois anos? no tempo dos meus avós andávamos descalços.

 

Será então de espantar que na iconografia do português pequeno-mundista mais valha um cupão de desconto, atribuindo, digamos, um euro na compra da décima grade de cervejas, do que uma crítica ao Ministro da Educação? Não, não é de espantar. E a fixação voyeurista em espectáculos pornosociais como a Casa dos Segredos, o jogo particular entre Arouca e Leixões, ou as tiradas inanes do teatro de revista agora acessível a qualquer cretino, ou cretina, com facebook? No pasa nada. 

 

Enfim, é esperar. E enquanto esperamos nesta aldeia mágica, não esquecer, o tempo não passa, o mundo não gira, o dinheiro não acaba. 

 

 

 

 

 *por obra e graça do Senhor Santo Sócrates

Publicado em Uncategorized

E se Marcelo fosse primeiro-ministro?

PR-MRS-FotografiaOficial-250.jpg

 

E se Marcelo Rebelo de Sousa fosse primeiro-ministro por um dia? O exercício é interessante. Nessas 24 horas teríamos de encontrar uma actividade de tempos livres para António Costa. Adiante. O que o Presidente da República afirma deve ser levado à letra. Fala de Sócrates e desse ano fatídico de 2011, do microfone na lapela, e o “estou bem assim? ou assim, mais para a esquerda?” – resgate à vista. Marcelo, que está uns furos intelectuais acima de Costa ou Mortágua, não está a ver as coisas de uma torre de marfim. Ele sabe que um país não pode desenrascar-se à pala do turismo. A cerimónia ejaculatória sobre o crescimento do sector assenta nalgumas contradições monetário-ideológicas. Se esses estrangeiros que andam a estragar a calçada portuguesa não tivessem acumulado riqueza não estariam aqui a gastar as suas poupanças. Se esses bifes ou boches tivessem vergonha na cara deixavam-se ficar por Bradford ou Dusseldorf. Mas esse estado de arte de passeio dos alegres pode acabar bruscamente. Basta uma crise Deutsche Bank, bastam sanções a Portugal, basta um ataque terrorista. E de repente teremos uma mercado de tuk-tuks usados interessante. Marcelo sabe, talvez melhor do que os associados em governo, que as vistas não podem ser sazonais. Parece ser um facto histórico inegável desde o tempo dos Descobrimentos existir uma certa predisposição comportamental. A riqueza nacional afinal não é nacional. Não tem cidadania. É refugiada. Vem de fora. Ora são especiarias, ora é o ouro. E mudam-se os tempos, mas o “chip” parece ser semelhante. A ver se cai algo lá de fora. Chamam-lhe turismo.

Mais vale só que blog acompanhado

A 19 de Setembro foram anunciados os finalistas nomeados para os Prémios Blogs do Ano, iniciativa promovida pela TVI e Media Capital.

 

O Estado Sentido foi um dos escolhidos para integrar o lote restrito de apenas 4 blogs, de entre milhares, na categoria de Política, Economia e Negócios, onde se encontram também o Aventar, o Lewis e o Poupadinhos e com vales.

 

Segundo o que os Prémios Blogs do Ano publicaram no seu site, a categoria em causa “engloba os blogs que falem/comentem assuntos ligados a política, economia ou mundo dos negócios e empresas”. Naturalmente, compreende-se a inclusão do Aventar e do Estado Sentido, porquanto são, efectivamente, blogs que discorrem sobre assuntos ligados à política e à economia. Compreende-se também a inclusão do Lewis, um blog que, dedicando-se ao marketing, à comunicação e às relações públicas, acaba por estar relacionado com o mundo dos negócios e das empresas.

 

Mas é, de facto, incompreensível a inclusão nesta categoria de um blog como o Poupadinhos e com vales, que se limita essencialmente a fazer publicidade a vales de desconto e promoções, sem qualquer esforço intelectual para comentar assuntos ligados à política, economia, negócios e empresas.

 

Não podemos deixar de manifestar algum espanto e indignação pelo critério adoptado pelo júri. Não entendemos e não nos conformamos com a inclusão, nesta categoria, de um blog que não se consubstancia numa identidade crítica e intelectual, que nem sequer cultiva o primado da narrativa escrita, que não cria conteúdos próprios e que apenas se restringe à promoção da sua actividade mercantil. Sem desprimor pelas virtudes do blog Poupadinhos e com Vales, que exulta virtudes próprias, não nos parece equitativo que um blog desta natureza possa estar presente nesta categoria. Tratar-se-á de um blog que é um negócio e não um blog sobre negócios. São dimensões distintas que não foram levadas em conta e que ferem o esforço intelectual e literário de tantos blogs de índole política ou económica.

 

O Tony Carreira é bom, mas não pode estar em competição com Plácido Domingo. Não se misturam alhos com bugalhos, ou melhor, não se deveriam misturar. É que o público alvo dos blogs que efectivamente tratam de temas relacionados com política, economia e negócios é visceralmente diferente daquele que procura obter vales de desconto e promoções, sendo ambos igualmente meritórios. Mas o que é certo é que são diferentes, brutalmente diferentes. Diferentes ao ponto de os blogs de política, economia e negócios mais célebres em Portugal terem, no seu auge, visitas diárias na ordem dos 1.000 a 5.000 visitantes e, por exemplo, blogs como o Poupadinhos e com vales ou A Pipoca Mais Doce ou, ainda, Visão de Mercado, terem, no mesmo período, mais de 10.000 visitas diárias.

 

Assim, lamentavelmente, o Estado Sentido, bem como outros parceiros de competição, encontra-se numa situação de clara desvantagem perante um blog que, tendo o seu mérito, em nada se enquadra numa categoria que pretende premiar os blogs que comentem assuntos ligados à política, economia, negócios e empresas.

 

Se o objectivo da TVI e da Media Capital consistia em promover e premiar blogs que são em si um negócio e que não contribuem para o debate político, poderia ter sido criada uma categoria para o efeito, ou uma categoria denominada “Outros”, onde pudessem estar blogs que não se enquadravam em nenhuma das categorias a concurso.

 

Somos uma entidade sem fins lucrativos, a não ser que consideremos as mais-valias que advêm do grande debate a que nos propomos em nome do desenvolvimento de Portugal. Somos contribuintes líquidos para o processo de pensamento a que este país está obrigado. Não somos mercadores de opiniões alheias nem temos lucros a reportar. O desnível dos números que se regista é avassalador e provoca a diluição da relação competitiva que se desejava saudável e justa. A autenticidade, a dimensão de um blog, as referências e a sua relevância são critérios válidos desde que a disciplina conceptual seja observada. Ora nesta competição que ainda corre, os desequilíbrios formais e substantivos não passam despercebidos pondo em causa a idoneidade dos organizadores, dos jurados e dos próprios blogs a concurso.

Publicado em Sem categoria | Tags , , ,
« Older posts

© 2026 Estado Sentido

Theme by Anders Noren — Up ↑