Da crítica comunitarista ao liberalismo

William M. Curtis (tradução minha de um excerto retirado da Encyclopedia of Political Theory editada por Mark Bevir e publicada pela Sage em 2010):

A teoria liberal parece esquecer-se do facto de que somos membros de famílias e comunidades antes de nos identificarmos como indivíduos com interesses e direitos distintos. Os comunitaristas argumentam que a ênfase liberal nos esquemas de direitos é problemática porque reduz as pessoas a átomos auto-interessados, portadores de direitos que exigem apenas a liberdade negativa para prosseguir objectivos individualistas. O prosseguimento do bem, argumentam eles, não é uma actividade radicalmente individualista, mas apenas tem significado no contexto de uma comunidade com tradições éticas historicamente desenvolvidas. É porque somos socializados nestas tradições éticas herdadas que podemos começar a formular a nossa concepção do bem. As pessoas não são “seres livres” metafísicos que podem desligar-se de todos os seus valores herdados e ligações comunais e escolher “livremente” os seus fins como os liberais supõem (“escolher na base do quê?” perguntam os comunitaristas). As crenças, desejos e relações que compõem o eu são irredutivelmente sociais e históricos: Quem nós somos e que objectivos prosseguimos são uma função das relações historicamente condicionadas que temos com aqueles entre quem vivemos.

2 Comments

  1. Rodolfo

    Concorda com esta visão?

  2. J. M.

    Sempre ouvi dizer que para sermos membros de uma comunidade primeiro temos de ser indivíduos. 
    Reconher o carácter individualista e aceitá-lo é o passo primordial para ser parte de uma comunidade, como situação na qual as relações se desenvolvem na conjugação e respeito dos diversos interesses individuais.
    Se os indivíduos se deixam absorver de tal modo que negam absolutamente o seu carácter individualista, então não estamos a falar de uma comunidade, mas de uma massa. A comunidade conta com as participações individuais e a massa carateriza-se por uma homogeneidade.

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