Mês: Junho 2016 (Page 1 of 4)

EU Leave Commissioner

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A União Europeia (UE), como tem sido o seu apanágio, não tem sido capaz de acompanhar os tempos em que vivemos. E estou a ser simpático. Ao longo das últimas décadas não soube edificar os pilares da Política Externa e de Segurança Comum ou tender para uma verdadeira União Fiscal. O esforço mercantil e económico não bastou para contagiar as demais dimensões. Os fundos estruturais pareciam ser a panaceia inédita. Pensaram eles que a religião dos mercados seria suficiente, que atirar dinheiro aos desafios serviria para dissipar o fosso económico e social entre os mais ricos e pobres. À época não havia desentendimentos. Não havia neo-liberais e menos neo-liberais. Não havia uma Esquerda ou uma Direita demarcada por regiões. Não havia uma zona Euro nem uma zona Deutsche Mark. Não havia grande diferença entre o político doméstico e o político de Bruxelas. Mas lentamente, sem grande alarido, o interesse nacional de cada Estado-membro foi subvertendo o idealismo de Monnet ou Schuman. Os países, Estados-membros, ou outros a caminho desse estatuto, foram alavancando o seu caderno de encargos, o seu rol de exigências, até desvirtuar a possibilidade de uma verdadeira união política, uma federação. E os anos da UE que foram passando serviram de pastagem para a expressão de um conjunto de reinvindicações económicas e sociais da parte daqueles que não foram capazes de reorganizar os seus modelos societários. Sempre que as dimensões económicas não encontraram resposta, a ideologia foi sendo arremessada para justificar quer as faltas quer os excessos. Se existiu um Estado-membro que melhor soube tirar partido das fraquezas congénitas da UE, esse parceiro foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que buscou tratamento diferenciado dentro da continentalidade europeia, esse colega foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que nunca abdicou da sua irmandade transatlântica com os EUA, esse camarada foi o Reino Unido. Enfim, podemos afirmar, de um modo equilibrado e desprovido de paixão, que o Reino Unido talvez não tenha feito a sua quota-parte para aprofundar o processo de integração. Na hora do divórcio e da penosa separação de águas, todos estes elementos de sentimentalidade nacional e europeísta serão colocados em cima da mesa para o estabelecimento de novos acordos de associação. Embora seja uma contradição suicida, resta exigir o seguinte à UE por forma a atenuar as dores de separação: onde está o Comissário das Saídas da UE? Será de prever que semelhantes casos de despedidas venham a ocorrer. E seria bonito, que na sua hora final, a UE demonstrasse algum decoro, alguma competência.

Bomben Auf Engeland

 

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Quando pensamos que descer mais é impossível, eis que somos surpreendidos por aqueles que em princípio mais moderação e distância deveriam mostrar. Está-lhes no adn apontar o dedo a todo o tipo de extremistas, desde os recauchutados ex-maoístas agora impantes de bazófia e que chegam a Lisboa para debitar mais umas tantas lições que apenas eles próprios escutam, até aos outros, aqueles geralmente anónimos à imensa maioria que distraidamente vai clicando o zapping à cata da bola do momento. 

O que hoje se passou no areópago europeu, foi bem a prova final daquilo que há muito todos suspeitávamos. Um Juncker enigmaticamente sóbrio, desferiu todo o tipo de impropérios em direcção a N. Farage, o eterno risonho que tem a certeza de que todas as suas provocações cairão infalivelmente no saco profundo de entes tão bestiais como o desaparecido van Rompuy e aquele outro belga de nome impronunciável, aspecto duvidosamente gelatinoso e melena longa artificialmente colorida.  Tudo isto muito divertido e que afinal preenche o tempo de um “parlamento” que nada propõe nem decide a não ser aquilo que lhe chega de outros gabinetes. Para além das missas de corpo presente, conferências abastecidas de gordos pastéis, chorudos salários e subsídios pessoais para as mais inimagináveis coisas, para pouco mais tem servido. 

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, inesperada e subitamente foi transformado numa espécie de Líbia dos tempos de Kadhafi, ou na gémea europeia da Coreia do Norte, à falta do Uganda de Idi Amin. Tornou-se num Estado pária.

Chovem os insultos, rosnam irritações e querem rapidamente expulsar o país que inventou a democracia da qual beneficiam todos eles. Afinal de contas, tooa este desabar de frustrada raiva não passa de um rápido encontrar de medidas preventivas que evitem a descoberta da lixeira que guardam sob a faustosa carpete estrelada.

A votação foi clara e entre os nacionais, cobriram-nos de vergonha a tríade PSD, PS e CDS com a sua exigência lesa-tratados que eles próprios fizeram aprovar sem dar cavaco ao seu próprio constituinte, neste caso, o povo português. Correm com os britânicos a pontapé, eis o que fizeram. Estão loucos e agem como tal.

Não sabem nem agora querem saber o que é e o que significa para a Europa o Reino Unido, refugiando-se numa campanha onde o mais infecto racismo é apresentado como rápida consequência do resultado referendário que não lhes agradou. Não se ralam minimamente com a mais descarada censura desde há muitos meses prodigamente ministrada a centenas de milhão de europeus que ao alcance de um computador, são informados de inconvenientes realidades que a todo o transe os nossos donos procuram mediaticamente ocultar. Eles sabem que nós, todos nós, sabemos. Sabemos e pior ainda, tememos e não queremos. Aqui está a razão bem escondida do resultado do recente referendo.

Só lhes falta rapidamente aproveitarem o buraco britânico e preencherem-no com a Turquia, essa lídima representante do desaparecido Império Romano do Oriente, como há algum tempo o cada vez mais suspeito quase-ditador Erdogan teve o descaramento de invocar como argumento. 

Entram em contradição, apresentando as suas televisões um chocante episódio há pouco ocorrido em Manchester, onde três miudosques ladrando um inglês indecifrável, agrediram verbalmente alguém que porventura vive naquele país muito antes deles próprios terem nascido. Isso mesmo, os tais miúdos que o repelente Barroso esta tarde fartamente suando diante dos holofotes, ousou distinguir como civilizados entes a proteger, apontando assim o futuro que espera este cada vez mais evidente recanto do grande continente asiático. 

No estado de histeria colectiva em que o parlamento europeu está, apenas faltará um deputado alemão propor a substituição daquela ode-coisa composta por Beethoven, por isto: Bomben auf Engeland. 

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Artigo 49 do Tratado de Lisboa

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Deviam ter tido mais juízo. Um referendo é um assunto sério e não deveria ter sido menosprezado. Jogaram? Perderam? Ganharam? Agora é um pouco tarde para chorar sobre leite derramado. Venha de lá esse artigo 50 que tem estado a acumular pó no Tratado de Lisboa. A petição para um Rereferendo já conta com 3 milhões de assinaturas? Lamento muito, mas apostaram no cavalo “errado”. Paciência. Tiveram décadas e mais décadas de pertença ao projecto europeu, para agora se porem a invocar o desconforto da situação e reclamarem mais concessões. Sim, saída célere para colocar do lado de fora do idealismo europeu indivíduos com ideias diversas. Keep your friends close, but your enemies closer? (don´t know). Daqui por uns tempos podem sempre recandidatar-se a membro da União Europeia, se esta ainda existir. O artigo 49 também lá está para alguma coisa. Passemos à frente, mas receio que o desafio político que a Europa enfrenta não merecerá a resposta adequada. Os comunitários têm uma tendência inata para tratar das maleitas com as receitas erradas. Daqui a nada vão atirar com ainda mais dinheiro ficcionado pelo Banco Central Europeu aos mutilados pelo referendo. Existe muita roupa suja que irá ser atirada ao ar. O Parlamento Europeu parece ser o local apropriado para a baixeza de nível. Le Pen ou Farage foram criados nesse aviário. São filhos de Monnet e Schuman, e dos corredores infinítos de redundâncias da União Europeia. Fruta normalizada. É o que me ocorre.

Vidas difíceis

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– Mummy, porque razão vocês, os velhos, estão a roubar-me o futuro? 

– Roubar-vos o futuro? Já te digo quem teve o futuro roubado.

– O teu trisavô Randolph que morreu com vinte e dois anos em Ypres, desfeito por uma granada alemã. O teu trisavô Andy que passou por Arras, por Paschendale e esteve enterrado na lama da Flandres durante três anos até ser internado devido a gases, ficando cego de um olho. É aquele senhor da pala que está em várias fotos a sépia, aquelas que há uns dias disseste “bem podias vendê-las!” O teu trisavô Robert que veio da Austrália e ficou sem uma perna em Gallipoli e depois foi evacuado para Inglaterra, ali se casando com a tua trisavó Maggie, a enfermeira que conheceu e dele tratou no hospital. Viveram todos eles os difíceis anos vinte e passaram pela crise de 1929 e as suas filas de desempregados.

– Yes, but…

– Quanto aos teus quatro bisavós, também te posso dizer qualquer coisa. O teu bisavô Peter foi evacuado em Dunquerque e depois teve de servir na DCA que defendeu Londres durante o Blitz de 1940. Daí seguiu para o norte de África e fez toda a campanha da Líbia, passou por El Alamein, foi capturado na Itália e passou dois anos na Silésia, Alemanha, como prisioneiro de guerra. Sabes onde fica a Silésia? Pela tua cara, claro que não…
O teu bisavô John serviu na RAF, fez a Batalha de Inglaterra e foi depois destacado para servir no porta-aviões Ark Royal no Mediterrâneo, aí tendo perdido a vida quando o navio foi torpedeado. É aquele senhor da foto sobre o sideboard, o da Victoria Cross.

O teu bisavô Tony foi embarcado na defesa da marinha mercante que fazia a ligação do Reino Unido ao Canadá e EUA, correu enormes perigos devido à campanha submarina da Kriegsmarine e acabaria por ser destacado para o exército e participar no D Day, na Operação Market Garden, acabando a guerra como um dos motoristas de Montgomery e assistindo à rendição dos nazis na charneca de Luneburg. Dali seguiu para Berlim, para servir nas forças britânicas de ocupação, uma cidade em escombros onde conheceu a tua bisavó Elke com quem tanto te pareces e que como refugiada, miraculosamente sobrevivera à evacuação da Prússia Oriental, vendo o resto da família morrer esmagada sob o dilúvio de bombas e granadas soviéticas. Lembras-te de quando em pequeno foste connosco num cruzeiro no Báltico e com ela desembarcámos em Kalininegrado e pela última vez ela viu a fachada da sua casa? Nunca esquecerei aquela visita a uma aldeia do interior, abandonada e em ruínas… o desespero dela para ali sentada durante horas, olhando para o vazio. Morreu pouco depois, claro que já não te recordas.
O teu bisavô James serviu durante anos como descodificador da Enigma em Bletchley Park, enquanto todas as outras tuas bisavós, ou ficavam em casa a tomar conta dos teus avós, ou prestavam serviço nas fábricas, na Home Guard, na Cruz Vermelha, na Intendência das Forças Armadas ou nas nurseries do Estado. Passaram pela fase da reconstrução, num horizonte infinito de fome, ruínas e penúria que durou mais de vinte anos. Mesmo assim, meteram mãos à obra e juntamente com os franceses, alemães, belgas, holandeses e tantos outros, construíram essa Europa que agora vês. Todos eles votaram yes em 1975.

– Yes, fine, but…

– But, nada! Quanto aos teus dois avós, também tenho algo para te contar. Enquanto o teu avô Tim participou na Campanha do Suez e daí foi depois destacado para a Malásia e Hong Kong onde conheceu a tua avó Anne, o teu avô Tom mentiu na idade e enfrentou os Mau Mau no Quénia, ali sendo ferido e acabando por morrer num hospital militar em Nairobi, cidade onde eu e os teus tios nascemos.

– I know all that but I…

– Espera, ainda não terminei, shut up!
Quanto a mim e ao teu pai, também tenho algo para te dizer. Quando da independência do Quénia, fui evacuada com a tua avó que já estava viúva, juntamente com teus tios que mal sabiam andar. Viemos para Londres onde acabei por conhecer o teu pai uns anos mais tarde. Ele estava então destacado na Royal Navy e fez a Campanha das Falklands como piloto de helicópteros, transportando grandes placas de metal que atraíam os mísseis argentinos, os Exocet vendidos e fornecidos pelos nossos aliados franceses. Foi condecorado pela própria Rainha!

– Estou farto de ouvir essa história de pedaços de lata brilhante no casaco, mas, mummy, o que são mísseis Exocet?

– Se não sabes vai à Wikipedia, deve existir uma página sobre isso.

– Fiz horas extraordinárias para te dar tudo aquilo que a sociedade da tecnologia proporcionou: para não te sentires diminuído em relação aos teus amigos mais ricos, ofereci-te sempre os mais avançados telemóveis, enquanto ias colocando os outros naquela gaveta onde ainda estão. Comprei-te os IPAD, os Iphone que perdeste, os computadores de mesa sempre em actualização e todos os gadget e tablets quando te via e ainda vejo a olhar intensamente para uma montra. Comprei-te sempre as roupas que querias. Paguei-te as férias em vários resorts do Mediterrâneo e sempre com sucesso apaziguei o teu pai furibundo e farto das tuas bebedeiras, raves abroad, festas trance e pedinchices quanto a todas as play-stations & games que agora tens para ali atiradas e esquecidas no armário do teu quarto. Com grande sacrifício comprámos aquela pequena flat em Albufeira, no Algarve onde passas for free fins de semana com os teus amigos da bola e da cerveja. A propósito, porque te recusas a ir connosco? Fechámos os olhos às dúzias de viagens de um dia na Ryan Air para ires assistir aos jogos do Manchester United em toda, toda a Europa e várias vezes por ano. Olha, nunca te dissemos, mas quase morremos de vergonha por nós, pelos teus avós e pelo teu país quando foste preso no sul de Espanha por hooliganismo. No meu trabalho nunca souberam. O teu pai meteu-se num avião, pagou a um advogado espanhol e foi resgatar-te, estavas todo esmurrado, lembras-te? 

Depois, decidimos fazer mais um empréstimo ao Barcklay’s para que pudesses aproveitar o Erasmus na Polónia. No serviço as minhas colegas gozavam comigo a propósito desse programa, fazendo trocadilhos com outra palavra que decerto conheces. Aproveitaste? Vida difícil a tua…

– Fuck off!, I hate all of you!, you cannot understand young people! (sob)

– Yeah, yeah, toma lá 30 Libras para ires com os teus amigos ao pub ver o jogo Inglaterra-Islândia…

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Dos mercados

Dragão, Dominó, Chain reaction, Whatever!…:

Todavia, não deixa de ser bizarro… Os mercados fustigaram a Grécia porque ficou, fustigaram Portugal porque nem à chapada e a chicote de lá saíria, fustigaram a Rússia, a China e a República Centro Africana (todos os meses) porque não pertencem; fustigaram até o Estados Unidos sabe Deus porquê, e agora vão fustigar também os Britânicos porque saem? A verdade é que saiam, fiquem, ou nem por isso, são fustigados. Na medida em que os tais mercados se converteram num flagelo já não valem como argumento. É irrelevante o que um país faça em termos de acordos internacionais perante um flagelo. Esteja o céu para aí virado, apanha com ele e pronto. É como os furações, os terramotos ou as enxurradas.Ou seja, os Mercados já pertencem mais ao domínio da metereologia do que da economia. Digo da metereologia porque estou a ser simpático: o termo rigoroso é astrologia (bruxaria e candomblé se estivermos com exactidões).

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“Forget about it!”

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Nos últimos dias tudo tem servido para o normal parlapatório televisivo dos nossos comentadores políticos, desde o Dies Irae que se aproxima não se sabe como nem quando, até ao rebolar de desejo pelo rápido desaparecimento do Reino Unido. Apostam na total independência da Escócia e imediata integração do país na U.E. Em suma, uma das faces da vingança,  o argumento dos fracos e desesperados. Desunham-se por novas ideias, mas… 

…aqui estão dois pequenos detalhes:

1. Há que atender aos Tratados e por mais voltas que os nababos de Bruxelas lhes tentem dar, a conclusão é a mesma: qualquer adesão deverá ser sufragada pela unanimidade dos Estados, ou seja, pelos 27 remanescentes. Para agradar aos supracitados parlapatões que debitam sentenças em inglês, tal como os Tratados estão, “it’s very unlikely”.

2. A Espanha nunca o permitirá e a razão é conhecida. Quanto muito procurarão os espanhóis obter qualquer coisa a respeito de Gibraltar. Aceitar o ingresso de uma Escócia independente? Jamás, never! Ponto final.

Será mais fácil a 1º ministro escocesa pescar um cardume de esturjões à linha no Loch Ness, do que ver Madrid aquiescer aos seus apetites políticos. Contente-se então com as ovas. 

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Brexit at Tiffany´s

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Vou juntar-me à claque de especialistas e vaticinadores que já sabem o que advirá do Brexit. De repente os britânicos não passam de reles procriadores, de brexistas que se colocam de joelhos quando se lhes convém, ou de senhores do civismo sobranceiro – os tais donos do império que civilizou o resto do mundo. Mas deixemo-nos dos castigos e das sevícias administrativas de Donald Tusk ou Jean Claude Juncker. De nada importa reescrever a história e distribuir culpas e desleixos. A coisa está feita, feia. E os britânicos sabem, melhor que tantos, o que hão-de fazer à sua vida. Por um lado reforçarão a sua tradição transatlântica, esteja quem estiver na Casa Branca, e por outro lado poderão reavivar a sua commonwealth, mas de acordo com uma visão pragmática e económica –  penso sem grande esforço em diversos acordos de “substituição”: com os Estados Unidos (EUA) ou com a Austrália. O impacto económico de curto prazo até lhes pode ser favorável – uma libra fraquita ajuda as exportações. Contudo, a separação da União Europeia vai ser um processo mais moroso do que julgam em Bruxelas. Já tivemos um referendo na União Europeia que não deu em nada. Os gregos votaram contra as medidas adicionais de austeridade, mas isso não demoveu o governo helénico de aplicar as mesmas. Nessa mesma senda de regimes e excepções, seria possível invocar esse precedente de contradição eleitoral, mas Cameron, ao contrário de arrivistas como António Costa, não está está interessado no poder pelo poder. O magistério da tradição política britânica fala mais alto. Os súbditos de sua majestade disseram de sua justiça e esse património de vontade não pode ser desfalcado. Bem sabemos que Juncker quer dar uma lição a outros candidatos “exitistas” da União Europeia, aplicando um modelo disciplinar agudo ao Reino Unido, mas eu teria algum cuidado. Os movimentos “independentistas” são de diversa ordem e provêm de famílias políticas distintas por essa Europa fora. As extremas têm cada vez mais em comum no que diz respeito aos seus intentos de emancipação e os russos estão a extrair dividendos do grande conflito interno que cada vez mais parece ganhar forma naquilo que resta da União Europeia. Os EUA vão sair a ganhar. Não apenas com o reforço do dólar americano, mas por poderem encontrar um parceiro ideal na Europa não continental. Quanto a Marcelo e Costa, vão levar ainda mais marteladas.

Artigo 50º de um “pedaço de papel”

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Sucedem-se as mais desmioladas e histéricas reacções, nem sequer os autores e esperados vigilantes da segurança do Tratado de Lisboa consideram minimamente aquilo que assinaram, para eles um pedaço de papel sem qualquer valor. Isto sem sequer contarmos com mais um bullying desta vez direccionado à “peste grisalha” britânica que para azar da própria, teve o privilégio de assistir durante décadas à evolução daquilo que hoje é a U.E. Recordemos então o que por cá se disse quando um governo foi acusado de provocar um conflito inter-geracional. Quem mais berrou foi o sector que agora e de forma nada surpreendente se escama todo pela decisão manifestada por sectores que evidentemente há muito deveriam ter deixado de viver, o tal “lastro social”. 

Por aquilo que o cada vez mais patético senhor Juncker vai zurrando, trata-se agora de obter a miserável vingançazinha e expulsar os britânicos no mais breve espaço de tempo possível. Ora, isso não está previsto naquilo que o artigo 50º do tratado de Lisboa expressamente declara, ou seja: 

1.
Todo Estado membro poderá decidir deixar a União de acordo com as suas leis.
2.
Um Estado membro que decida deixar a UE deverá notificar a organização da sua intenção. De acordo com o que foi definido pelo Conselho Europeu, a UE devera chegar a um acordo com esse Estado, preparando a sua saída e tendo em conta o futuro da relação entre a União e esse mesmo Estado. O acordo deverá ser negociado tendo em conta o artigo 218(3) do Tratado de Lisboa sobre o funcionamento da UE. Deverá ser concluído em nome da União pelo Conselho Europeu, por maioria qualificada, depois de obtida a autorização do Parlamento Europeu.
3.
O Tratado deixará de estar em vigor para o Estado em questão a partir da data acordada no acordo ou, caso não seja possível, dois anos depois da notificação referida no parágrafo dois, a não ser que o Conselho Europeu, depois de chegar a acordo com o Estado em causa, decida estender esse período.
4.
Relativamente ao disposto nos parágrafos segundo e terceiro, o membro do Conselho Europeu que representa o Estado que abandona a União não participará nas discussões do Conselho Europeu que lhe digam respeito. Deverá ser acordada uma maioria qualificada de acordo com o artigo 238(3)(b) do Tratado, sobre o funcionamento da UE.
5.
Todo Estado que tenha abandonado a UE e queira voltar à mesma, terá de se sujeitar ao processo disposto no artigo 49.

No mínimo e se o governo britânico assim o entender, o Politburo do Soviete Supremo terá de esperar mais dois anos e neste período muitos eventos poderão ou não ocorrer. Popularmente falando, aguentem-se. 

Definitivamente urge substituir rapidamente este esquentador irreversivelmente avariado e sem conserto. 

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Reacções ibéricas

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Se excluirmos a sugestiva mensagem que as autoridades nacionais enviaram aos nossos concidadãos estabelecidos no Reino Unido e aqui postada pelo John, o que hoje se ouviu corresponde exactamente a um país que é aliado da Inglaterra desde o século XIV:

!. A reacção de Costa, logo, do governo: boa

2 A reacção de Passos Coelho, o chefe da oposição: boa

3. A reacção de Assunção Cristas: satisfatória

O resto não risca nem conta.

Passemos então a fronteira e atendamos apenas aos dois principais partidos que se têm revezado no exercício do poder a partir da Moncloa:

1. A reacção de Rajoy: boa

2. A reacção do antigo chefe do PSOE, ex-1º ministro – em Espanha designa-se Presidente do Conselho – que do poder saiu acumulando escândalos sobre escândalos:

– vergonhosa, péssima, radical e escumando ódio, dir-se-ia uma tirada que nem sequer o franquismo mais militante alguma vez terá ousado exprimir, apenas faltando a imediata reivindicação de Gibraltar. O apelo à mais descabelada revanche, a uma desforra que segundo o valetudinário político, não se compadece com “paninhos quentes”. Em suma e sem tardança o saberemos, o que já se espera de toda a turbamulta de anafadíssimos  mangas de alpaca repimpados em Bruxelas. 

Bestial, este Felipe González. Perdoa-se-lhe, desde que se desculpe com a idade. 

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