No espaço de alguns dias, li um cronista do Público e um blogger do Blasfémias a classificarem como conservadora a extrema-esquerda portuguesa. Se se dessem ao trabalho de ler qualquer coisinha sobre o conservadorismo, poupavam-se e poupavam-nos ao disparate e erro banal de confundir o conservadorismo com o imobilismo. Ademais, ficariam a saber que os partidos políticos conservadores, onde existem, se situam à direita do espectro partidário e defendem, na maior parte dos casos, o diametralmente oposto ao defendido pela esquerda. Oakeshott, por exemplo, em “Rationalism in Politics”, explica facilmente que, na verdade, é a política ideológica do racionalismo construtivista, característica da esquerda, que se caracteriza pela inflexibilidade ao passo que o pensamento conservador se pauta precisamente pela flexibilidade, como Kekes demonstra em A Case for Conservatism. Há quem diga que é difícil ser liberal em Portugal, mas o que é mesmo complicado é ser conservador, porque a maior parte da intelectualidade indígena desconhece minimamente o que seja o conservadorismo.