Ide

1. Claro que não confundo o terrorismo com o Islão. Não precisam de mo dizer. Eu sei. Sei que nem todos os muçulmanos são terroristas – como sei que nem todos os terroristas são muçulmanos. Mas não deixa de ser curioso que a brigada do politicamente correcto seja composta pelas mesmas pessoas que se dispuseram a apontar o dedo à Igreja Católica, tomando o todo pela parte, quando se começaram a descobrir casos de pedofilia no sacerdócio. Ide, pois, bardamerda.

 

2. Claro que não acho que os refugiados são terroristas que nos vêm invadir, que nos vêm roubar trabalho e dormir com as nossas mulheres. Não precisam de mo dizer. Eu sei. Sei que a grande maioria dos refugiados foge da guerra e do terrorismo como nós fugiríamos se vivessemos num clima desse género diariamente. Sou solidário e compreensivo. Mas não deixa de ser curioso que a brigada do politicamente correcto seja composta pelas mesmas pessoas que se dispõem a apontar o dedo, com o racismo e a xenofobia na boca, a quem manifesta reservas quanto ao tipo de refugiados que acolhemos e ao controlo que devemos levar a cabo. Ide, pois, bardamerda.

 

3. Claro que não deixo de ser solidário com as vítimas do Quénia, do Líbano ou do Iraque. Não precisam de me vir perguntar se só me chocam os atentados de Paris. Chocam-me todos. Acontece que eu sou português, europeu e ocidental. Vivo numa sociedade livre – e que desejo mais livre -, sou adepto da mobilidade, do respeito pela diferença e da democracia, sou um profundo adepto da economia de mercado, do livre comércio, do capitalismo. Gosto de sair à noite, gosto de viver em paz, gosto de não desconfiar do vizinho do lado, gosto de ir ver concertos, gosto de me divertir sossegado. E os atentados de Paris afectam-me na medida em que destroem o modelo que eu tenho de sociedade e de vida. Os atentados em países que não os ocidentais chocam-me, claro, pela perda de vidas humanas, pela barbárie, sim. Mas choca-me mais que incomodem o meu sossego, a minha democracia, o meu capitalismo, a minha liberdade. Ide, pois, bardamerda.

 

4. Também não preciso que me venham dizer que há um problema nas grandes cidades europeias e nos seus subúrbios que servem de adubo ao terrorismo. A brigada do politicamente correcto que andou – e anda – há anos a exigir que o Estado meta o bedelho na minha vida, que decida que escola devo frequentar, que médico devo ter, que segurança social devo pagar, é o mesmo Estado que não conseguiu construir uma cidade que favorecesse o espaço e as relações comunitárias. Que enfiou a classe média em viveiros de betão, que deixou construir sem escrúpulo, que favoreceu a guetização e a marginalidade, que matou o sentimento de pertença. E que, a par disso, fez sempre por confundir nacionalismo com xenofobia. É fácil falar dos subúrbios do alto de um T5 no Restelo ou no Chiado. Enfiem as cabecinhas politicamente correctas num T2 em Massamá ou no Seixal, criem lá os vossos filhos e depois conversamos sobre isto. Ide, enfim, bardamerda.

3 Comments

  1. gato

    Nuno Gonçalo Poças,
    Por 4 — quatro — 4 vezes, Vexa faz votos de mandar a esquerdalhada ao bar-da-
    Concordo plenamente. Contudo acho que 4 — quatro — 4 vezes são poucochinhas.
    Opino que a esquerdalhada tem de ser aconselhada, de viva voz, a frequentar o dito bar em regime full time.

    Aliás, a minha eterna dúvida para com esta gentalha é como a da fétida matéria gasosa (o traque) que andava para baixo e para cima, pois não sabia por onde era a saída.

    A esquerdalhada é abonada. Os pobres, os que nada (ou quase nada) têm, não são de esquerda. Excepto se forem invejosos. São pessoas que querem andar de burro para cavalo: conheço muitas dezenas. Os invejosos não são pessoas: são mamíferos.

  2. Rodolfo

    Não sei como explicar essa mentalidade. Parece que são mais contra a própria cultura, do que as culturas que são hostis às deles. Aceitam sem questionar uma série de pessoas que não partilham as ideias de respeito pela liberdade dos outros (pelo menos na nossa concepção) e mandam os de ‘direita’ emigrar, porque se emigrassem, isto ficava o paraíso que a esquerda sempre quis e não pôde ter. Os culpados são os de direita claro.

  3. José Domingos

    Excelente.
    Os católicos, são mortos á pazada, por esse mundo fora, e o jornalixo nacional, nem uma palavra. BARDAMERDA

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