Um mês depois das eleições legislativas, ainda não há um único pedaço de papel que materialize o “acordo das esquerdas”. A singularidade das reuniões devia ter servido para que fosse evidente que o entendimento com o BE e o PCP não é só contra natura – é perigoso e pouco confiável. Se não bastasse a ignorância histórica (ou a má fé) deste PS, com os seus jovens turcos à cabeça (ler, por favor, a tonta entrevista do líder do gang, no Público de hoje), era tempo de olharmos para o percurso político de António Costa e alcançar a real dimensão desse perigo. Do golpe a Seguro a esta farsa negocial e à mais recente cobardia com Assis, aquilo a que temos assistido é a uma actuação que pode ser equiparada à de um reles dirigente associativo ou à de um incompetente – e de futuro pouco auspicioso – líder concelhio de uma jota qualquer. Com duas agravantes: já conheci jovens dirigentes mais capazes e mais sérios que António Costa; e nenhum deles quis ser Primeiro-ministro de um país. Que má sorte a nossa se António Costa sobreviver a isto.