Chove dez minutos. Pagamos impostos. O da frente trava a fundo, a três metros da omnipresente rotunda, mesmo sem que haja viv’alma à vista num raio, que o parta, de cem metros.

Eu, a quarenta, travo. Os nossos impostos inconseguiram pagar a devida manutenção da estrada sobre a qual rolo, derrapa-se, há um momento de injustiça gravítica. Para não bater no idiota que me precede, desvio, e arruíno de uma só trancada um pneu, a saia dianteira esquerda, oitenta centímetros cúbicos de lancil e boa fracção dos nervos que me restam.

O pior não são os danos. É eu ter estado a trocar uma roda manualmente, à chuva, sem que alguém – travador impulsivo incluso – se dignasse a dar-me as boas tardes.

Se ser humano no meio desta gente já custa, mais valor dou ainda à minha fardinha.