Bernardo Pires de Lima, Um “furo” na agenda:
É sempre lesta a reunir aos domingos sobre a moeda única, fomentar maratonas negociais para vergar parceiros ou ter governantes a fazer figuras tristes no Twitter, mas não consegue arranjar umas horas para, em conjunto, discutir medidas urgentes que salvem vidas e salvaguardem Schengen. É triste, mas não surpreendente, assistir ao desaparecimento em combate do senhor Juncker, ouvir o Durão Barroso-analista fingir que o Durão Barroso-político nunca existiu, ver alguns países de Leste comportarem-se com a amnésia própria dos ingratos da história, ter políticos moderados com medo das franjas, hoje residuais, amanhã maciças, e um Parlamento Europeu com força prática inversa à que lhe atribuem os tratados. E é angustiante, mas também não surpreendente, ver cair a mitologia da UE como “potência normativa” ou “exemplar” para terceiros.
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