Mês: Setembro 2015 (Page 1 of 5)

VW

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Para além da irritante forma como dizem erradamente o nome da marca VW , “Volksvagen” em vez de “Folksvagen” (em alemão V lê-se F) estou estupefacto. O ódio  a Alemanha e aos produtos alemães pode provocar o colapso de um gigante e a consequente massa de trabalhadores , falamos de centenas de milhares, a ir directamente para o desemprego sem passar pela casa da saída.

Jornalismo e politiquice de terceira categoria.  Que estúpidos. 

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Outra conclusão

A que também cheguei no decurso da investigação que tenho vindo a conduzir, é a de que muitas das discordâncias ideológicas com amigos e conhecidos resultam de andar algures entre o liberalismo clássico, não libertário nem igualitário, e o conservadorismo secular, ancorando o meu pensamento no tradicionalismo, acreditando que o indivíduo é um artefacto social cuja identidade e liberdade decorrem da participação nas tradições da comunidade em que é socializado e sendo agnóstico no que concerne a crenças religiosas. Sou, portanto, uma espécie exótica entre tantos libertários fundamentalistas do mercado livre, socialistas, comunistas, sociais-democratas e conservadores religiosos.

Como é fácil ser de esquerda ou libertário

Uma das conclusões não oficiais a que cheguei no decurso da investigação no âmbito da minha tese de doutoramento, em que tenho estudado o liberalismo, o conservadorismo e o comunitarismo e as suas interpretações da relação entre razão, tradição e mudança, é a de que, no que concerne aos valores basilares que fundamentam as opções ideológicas, é muito mais fácil ser de esquerda ou libertário do que de direita, isto é, liberal clássico ou conservador. À direita, vemo-nos na contigência de defender os preconceitos, as tradições, as convenções sociais, as mudanças gradualistas e em que o ónus de provar a necessidade de inovação recai sobre o inovador, a evolução social como decorrente da interacção livre de várias mentes numa matriz de crenças e valores, a necessidade de compromissos em política. À esquerda e para o libertarianismo, basta rejeitar tudo isto, acreditar que a realidade humana é uma construção social passível de ser alterada de acordo com desígnios de um qualquer racionalismo – o que Oakeshott chama de “política do livro” – e, no fundo, ter um preconceito contra todos ou quase todos os preconceitos e deixar a evolução social ao critério exclusivo do Estado, para o esquerdista, ou do mercado, para o libertário. Não por acaso, para o esquerdista, o Estado é o principal instrumento a utilizar e o mercado é o principal inimigo a abater, enquanto para o libertário é precisamente o contrário. Um pensador conservador pensa a partir do real, das circunstâncias práticas, sem deixar de criticar a sociedade em que vive, encontrando no Estado e no mercado diferentes esferas da vida humana, ambas necessárias a uma sociedade livre e próspera; um pensador esquerdista ou um libertário pensam a partir de um qualquer ideal e clamam contra tudo o que não se conforma a esse ideal. O racionalismo dogmático ou construtivista do esquerdista ou do libertário que defendem um valor acima de todos os outros em qualquer tempo e lugar, independentemente das circunstâncias práticas, consubstancia a política dos mentalmente preguiçosos.

A ditadura da relatividade eleitoral

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Ponham de lado as sondagens. Esqueçam os estatísticos da praça. Façam-se de surdos e não escutem o ruído dos comentadores de sempre. Olvidem a ideologia que vos doutrinou sem que dessem por isso. Distraiam-se dos partidos e concentrem-se no essencial. O que aconteceu a Portugal nos últimos 4 anos poderia ter acontecido a qualquer governo. Se estivesse lá um outro grémio de poder, de outra cor política, o resultado seria o mesmo. Em 2011 Portugal rebentou pelas costuras e a responsabilidade desse facto recai sobre todos os portugueses sem excepção. Desde o 25 de Abril que os cidadãos deste país tiveram oportunidades e mais oportunidades para experimentalismos doutrinários na escolha dos seus magnos representantes. Puderam colocar estes ou aqueles no poder, puderam cultivar a sua discórdia, puderam fazer parte da construção política do país. Em ambiente de escolha livre e democrática, puderam colocar quem bem entenderam nas diferentes cadeiras do poder. Portugal e o seu parlamento espelham essa diversidade de posições. Em suma, sempre houve sabores para todos os gostos. Mas essa oferta variada não se traduziu necessariamente na ideia de prossecução do bem colectivo. Houve quem se apropriasse da titularidade do cargo para avançar interesses parcelares. Quando no dia 4 de Outubro os portugueses forem chamados à liça, mais uma vez poderão exercer o magistério desse direito inalienável. Se não votarem, perdem, na minha opinião, a chance de contribuir para o desenvolvimento nacional. Se faltarem a esse chamamento deixam de poder vaticinar sobre o que poderia ter sido ou o que deveria ter sido. E este apelo à missão cívica também diz respeito aos visados no processo electivo, mas de um modo particular e no que diz respeito a princípios de exequibilidade governativa. Temo  que uma derrota socialista se traduza noutro prolongamento de rancores e bloqueios, atrasos e intransigências. O aviso foi feito por António Costa no que diz respeito ao Orçamento de Estado e deve ser levado à letra como se fosse uma séria ameaça. Se eu fosse integralmente prático, e concebesse um cenário de mal menor, a solução de maioria absoluta seria a exclusiva, a melhor. Se por hipótese o Partido Socialista assumisse essa vitória esmagadora, mais rapidamente as fragilidades da sua utopia governativa conheceriam a luz do dia e morderiam a própria cauda. Ou seja, um governo socialista extinguia-se no auge da contradição e  da quebra de promessas eleitorais. Por outro lado, se a coligação se afirmar novamente enquanto governo de maioria, poderá mais rapidamente fechar um ciclo de medidas penosas que foi obrigado a implementar para salvar um país à beira da catástrofe. Em suma, o resultado que melhor serve Portugal deve ser inequívoco. Um desfecho que não seria peixe nem carne. Votem bem que eu fico a ver. E esperemos que Portugal não fique refém da ditadura da relatividade eleitoral.

Dos representantes da cultura

Sobre os alegados representantes da cultura – especialmente aqueles para quem a cultura “é o apoio do Estado” – que apoiam António Costa, relembro um post do Maradona:

“Todo o merdas que em Portugal culturaliza para viver só é habitado por motivos estratósféricos, quase assistencialistas para com Portugal e os portugueses (…)

As pessoas da cultura parecem estar isentas do imposto social que é o pudor, o decoro e a vergonha; mas se o não têm, ou se por elitismo (em cujo valor e importância, adiante-se, acredito, e defendo) não acham possível ser hipócrita ao ponto de os simular e exteriorizar, porque é que, ao menos, não estão calados, caralhos ma’fodam? Porque é que não deixam ser quem ambiciona poder consumir cultura em Portugal a mover-se para extrair do Estado os recursos que alimentem o que consideram essencial para si? Que sejam discretos, ao menos, é impossível? Que se defendam, inclusivamente, que nos defendam, mas sem nos esfregar nas trombas a auto-importância que se atribuem. Será pedir muito?”

É hora da cidadania!

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Foram 40 anos de voto rotativo PS – PSD – CDS.  Foi demasiado tempo. Foi toda uma vida. 4 décadas de esperança, de promessas, de sofrimento, quarenta anos em que se elegeram sempre os mesmos. Fundamentalmente por culpa de quem os elegeu, como é evidente. Agora, 40 anos depois, é altura de mudar. É hora de terminar com a rotação e de dar lugar a outros, que não são necessariamente piores (muito pelo contrário) mas que apenas não tiveram, nem lhe são ainda dadas, as mesmas oportunidades. 

40 anos depois, contra as sondagens, contra os fazedores de opinião, contra os lobbies, o próximo dia 4 de Outubro marcará, estou certo, o ponto de viragem. A partir daí nada será como dantes. Três anos depois das grandes manifestações populares de Setembro de 2012, chegou a hora da “revolução cidadã”!

 

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28 de Setembro 1974

Passavam 5 meses do 25 de Abril.

O pais vivia dias de incerteza e o comunismo crescia dia a dia.

Para nós, as crianças da revolução a vida corria alegremente. A escola terminara em Maio fruto do PREC (processo revolucionário em curso) e este seria o maior verão das nossas vidas. Para mim particularmente grande porque Álvaro Cunhal meteu uma cunha ao Mário Soares para colocar a filha no Liceu Camões e azar dos Távoras, foi logo no meu lugar e assim estive de ferias desde Maio até Fevereiro ou Março de 1975, mas isso foi outra história. (Mário Soares revelou este episodio numa entrevista televisiva, há alguns anos, quando ainda estava lúcido)

O verão foi agitado, a minha família saiu para Espanha lá para Agosto, para ver o que se iria passar. A saída foi atribulada , a Policia das fronteiras, já não controlava os postos de fronteira, tinha sido substituída por barbaças enviados pelos partidos revolucionários sob o comado do PC e era em sobressalto que se saia de Portugal .

Em Setembro resolveu o meu pai voltar por Trás-os-montes, para evitar as fronteiras mais agitadas do Alentejo . Dia 12 a minha avó fez 80 anos e a família próxima deslocou-se do Douro e do Porto para Trás-os-Montes e numa pequena Aldeia preparou-se um jantar.

Os homens passavam os serões a ouvir a BBC e a Radio DW em ondas curtas , para terem uma ideia do que se ia passando. Nos os miúdos divertia mo-nos como sempre, entre ir aos figos ou tomar banho no rio. Nessa noite a meio do jantar barulho de vozes no silêncio da noite. Pareciam cânticos. Mulheres e crianças para dentro de casa rapidamente, os candeeiros de petróleo apagados e os cães foram soltos . Armas de caça distribuídas, homens barricados por detrás de mesas . Falso alarme era o Padre Belarmino , tinha organizado uma festa para  homenagear a minha avó. Ligou-se a grafonola e ao som do Gardel dançou-se.

No resto do pais os confrontos e assassinatos eram frequentes dando origem a frase que os franceses espalharam num delírio poético ” A revolução dos Cravos” 

Dia 28 de manhã a Ponte Salazar é cortada pelo controlo revolucionário e todos os carros que pretendem entrar em Lisboa vindos de Sul são revistados por camaradas que prendem qualquer cidadão que se faça acompanhar de uma navalha ou canivete suíço. 

O comunismo é formalmente o nome do regime. Vasco Gonçalves comanda. 

Passamos de um regime autoritário de direita para uma ditadura pró-soviética. 

Foi o principio de um pesadelo que só terminou 14 meses depois no dia 25 de Novembro. 

Estas são as minhas memórias . Tinha 12 anos.

É importante, para que os mais novos, não comam tudo o que lhes tentam impingir. 

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Da série “o PS merece perder as eleições e a coligação Portugal à Frente merece vencê-las”

Paulo Pinto Mascarenhas:

Nos tempos revolucionários de 1974 falou-se da existência de uma “maioria silenciosa”. Hoje, 41 anos depois, existe uma nova maioria silenciosa, que não tem acesso a colunas de opinião nem milita em partidos. Esta maioria silenciosa sofreu na pele as medidas de austeridade dos últimos quatro anos, mas sabe que foram necessárias para tirar o País do buraco em que se encontrava, porque já começa a sentir alguns dos efeitos da recuperação económica. Esta maioria, revelada nos números das sondagens, teme que Portugal volte para trás, para os anos de chumbo do PS no poder. Teme ainda mais um governo socialista aliado ao PCP ou ao BE. Esta maioria silenciosa recusa que Portugal se torne numa nova Grécia.

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