Mês: Julho 2015 (Page 1 of 6)

Adriano Moreira na SIC N

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 Numa entrevista transmitida pela SIC N, o Prof. Adriano Moreira referiu-se a temas da actualidade, entre estes a questão premente do vazio absoluto quanto à falta de estadistas, pecha que infelizmente tomou conta de todos os sistemas representativos, desde Lisboa a Varsóvia e de Londres a Sofia e porque não ousar dizê-lo?, a Atenas. De uma forma sumamente elegante, A.M.  arrasou o Sr. Hollande e a sua estapafúrdia pequena ideia brilhante de isolar a Alemanha, para isso recorrendo ao directório dos fundadores da CEE. Estejamos desde este momento descansados, a Alemanha não o permitirá. Se é disso mesmo que deveremos falar como incontornável manifestação da reserva mental do presidente francês, o que mais nos importa tratar é aquele horizonte próximo, o de 4 de Outubro e os dias que se lhe seguirão. A isto se limita a estreiteza de visão de quem alternadamente tem comandado este país.

Na situação em que a Europa se encontra, dois meses são uma eternidade, havendo obrigatoriamente a considerar algumas hipóteses que decerto todos conhecemos. Pouco interessará agora discutir ou não o caminho único ditado pelas evidências de uma conjuntura difícil. Num momento em que os acontecimentos no Médio Oriente vão acumulando atrocidades sobre a péssima política que a NATO insiste em impor nos últimos anos – Síria, Iraque, Líbia, Ucrânia, Cáucaso -, o Mediterrâneo surge como segunda frente, não podendo a Europa insistir em ignorar os boat people que quotidianamente chegam às praias do flanco sul da União Europeia. Isto, quando muito mais a norte, as entradas do túnel da Mancha já se encontram sob insuportável pressão de migrantes em busca daquilo que, gostem ou não os situacionistas de encarar como realidade, é o Estado Social. Bem vistos os factos, tudo se resume a este factor: o Estado Social, ou por palavras internacionalmente reconhecidas, o Welfare State.

Entretanto, em Portugal estamos entregues a esterilidades eleiçoeiras, como se os nossos problemas fossem imunes à situação geral que sem convite nos entra pela sala em cada telejornal. Segundo declara A. M., tanto Pedro Passos Coelho como António Costa estarão então na iminência da suprema prova de fogo que segundo todas as sondagens têm indicado, chegará na própria noite eleitoral. É a sua reacção perante os resultados, que informará o país – e a Europa – se temos ou não temos estadistas. A eles caberá a ingrata tarefa da conciliação do aparentemente inconciliável, de dar remédio a tudo o que neste preciso momento parece ser irremediável. Manifesto o meu profundo cepticismo, este regime é – como desde a sua génese sempre foi –  uma fedorenta mixórdia de interesses entrecruzados de ganância e total inépcia ditada por larvar ignorância. 

Adriano Moreira voltou a referir aquela evidência que todos conhecemos, embora alguns insistam fingir ignorar: desde a fatídica tarde do 1º de Fevereiro de 1908, o país que ainda conhecemos por Portugal, deixou de poder contar com o decisivo Poder Moderador que a Carta atribuía ao Chefe do Estado, o Rei. Sublinhando ainda mais a mensagem, o antigo presidente do CDS mencionou o papel desempenhado por Isabel II, que teoricamente sem poderes reais, merece sempre aquele bem conhecido ...listen the Queen.

Infelizmente não podemos aconselhar os nossos sofríveis políticos a fazerem o mesmo, neste momento entretendo-se com mais um afiar de facas para mais um agora é que é!, difundindo esperanças sobre gente a quem falta qualquer padrão de idoneidade, quanto mais de representação de uma história quase milenar. Lembram-se dos excitados de há dez anos, quando enchiam resmas e resmas de páginas com sonhos de uma 4ª república, a presidencialista do Sr. Cavaco Silva? Onde isso já vai…

* Adriano Moreira conta com 93 anos de idade e apesar de repetir-se numa meia dúzia de temas, há que colocar a questão: quando Salazar deixou S. Bento (1968), o que teria sucedido a Portugal se em vez do indeciso Marcelo, Américo Tomás tivesse escolhido A.M.?

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vilanela para a assembleia destituinte

mais um dia neste hemisferio oeste
nao ha ca nada que eu nao deteste
livros escritos por ladroes eleitos
numa praia urbana de lares desfeitos

 

outro round de calor insano está garantido
mães solteiras do cacém com o miolo ardido
e empresárias que só se vêm com marroquinos
mais um dia nesta terra de perfeitos suínos

 

mais um dia no calabouço inane do socialismo
a europa paga, o tuga gasta e reina o autismo
sucedem-se as selfies vãs por elogios baratos
os jornalistas cumprem o seu dever de mainatos

 

o messias a cavalo nos comodismos da cidade
conquista votos entronizando a mediocridade
o erário assegura o conforto mental de abortar
mais um dia neste limbo entre morrer ou matar

 

mais um dia na incerteza da hora H
a chuva, se existe, não anda por cá
os anestesistas de serviço acreditam
nas frases loucas dos idiotas que citam

 

ninguém nos inspira um sorriso
outro sinal claro de saturação
a manada segue tilintando o guizo
mais um dia à espera da destruição.

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O fim da linha (graças a Deus)

Na Grécia já se vive em regime de economia mercantil, óleo por sementes, peças por combustível, leite por batatas. 

 

Em Portugal só existem a praia, o bronze, as tão almejadas férias que levam o utente contribuinte para longe da canga que o subjuga às quatro horas de trabalho diário, as selfies, ai estás tão querida, gatona, os anos não passam por ti, que belos!, fofos saudades!!, kakakaka tive aí mais de três semanas já só kero voltar!!! e o resto da merda que jorra em gorgolejos, hora a hora, por todos os orifícios do sistemazinho. 

 

A comprovar a feliz irreversibilidade do descalabro, em plenas segundas núpcias europeias, temos mais um acto de dedicação ao Bem Público de umas quantas famílias.

 

Encostem-se bem que a partir daqui é sempre a descer até ao encontro com o espelho. 

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Santa Marta, Santa Marta!…

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Dia de Santa Marta! E de lá bem fundo da memória saltam imagens, muito vagas, indefinidas, de uma romaria, aqui, na Falperra, talvez a única a que me levaram ainda com algumas características da pitoresca romaria minhota de que falam os livros, e que Pedro Homem de Mello como ninguém cantou. Teria quatro, cinco anos (?), e recordo uma roda de raparigas e rapazes a cantar, acompanhados por garridas pandeiretas. Mais precisas são as memórias de minha mãe, ela sim que ainda viveu esses tempos de festança pegada. E conta: de como todos, homens e mulheres, vestiam as roupas domingueiras, graciosas, de cores alegres, a preceito, não faltando sequer o raminho de alfádega na orelha, a espalhar o seu fresco aroma. Uns e outros a serem transportados em festivos carros de bois. Era só o tempo para deles descer, e o folguedo começava. Então, as concertinas e cavaquinhos não descansavam, até que o sol se pusesse! Num dia de calor assim, a cada canto se ouvia apregoar a limonada fresca, muitas das vezes por vozes infantis, pois que a criançada aproveitava para arrecadar alguns tostões, logo trocados por rosquilhos e cavacas. E quantos namoros não começaram sob a protecção da Santa!… Cansados, mas felizes, iniciavam então o regresso a casa, com algumas promessas de novos encontros para breve, noutra romaria, que não haveria de tardar.

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Viagens na minha Terra

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Estávamos na Província da Beira Baixa, distrito de Castelo Branco. Assentáramos arraiais em Penha Garcia, bem perto de Monsanto, que em 1938 fora considerada ‘ a aldeia mais portuguesa de Portugal ‘, mas agora era outra a aldeia histórica que visitávamos. “Na época da ocupação romana [ Idanha-a-Velha ] era a chamada Civitas Aegitidanorum. Durante o confuso período da migração dos povos bárbaros sofreu diversas demolições, sendo restaurada pelos visigodos e convertida em sede de uma grande diocese. Entre os bispos comprovadamente da Egitania conta-se Adório, que compareceu no 2* concílio bracarense ( 572 ). […] A invasão islamita destruiu-a profundamente no século VIII, e só muito depois, no começo da monarquia portuguesa, Sancho I intentou repovoá-la, concedendo-a aos Templários. A diocese egitaniense foi por esse monarca restaurada na Guarda. ” ( Hipólito Raposo in Guia de Portugal edição da Biblioteca Nacional de Lisboa ) Logo à entrada da aldeia, sobre o rio Ponsul, afluente do Tejo, e outrora integrando a via que ligava Mérida a Braga, deparámos com a Ponte Velha, de origem romana. Mais à frente, um largo, onde sobressaem o pelourinho manuelino, provalmente erigido em 1510, aquando da atribuição do foral, e a Igreja Matriz, de estilo renascentista, antiga Misericórdia.

Depois de percorrermos as várias ruas, de traço medieval, terminámos a visita na Igreja de Santa Maria, a Sé Catedral, cuja configuração actual data do século XVI, mas que tem sido objecto de escavações várias, de que são testemunho as ruínas hoje visíveis e as muitas pedras com inscrições, algumas ainda por decifrar. Também os belíssimos frescos das paredes remontam a tempos indeterminados. Idanha-A-Velha, uma aldeia que já foi sede de concelho e hoje, unida à de Monsanto, íntegra o de Idanha-Nova.

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Front Rouge-Alentejain (2)

Em que é que uma casa de praia herdada em Aegina (Grécia) difere de uma casa com terreno (oh yes) herdada em Montemor (Portugal), e como pretende Helena Tecedeiro – companheira de Leonídio Paulo Ferreira, o mesmo que foi promovido a sub-director do DN na sequência do caso das escutas à Presidência da República e do email sonegado a Luciano Alvarez –  no seu artigo, publicado no dito pasquim de hoje, demonizar Danae Stratou, mulher de Varoufakis, por esse crime de lesa-socialidade ao não ser tão pobre como os menos ricos do que os ricos do patamar imediatamente abaixo, cuja miséria alimenta Helena Tecedeiro e os demais urdidores de indignações? 

 

É sempre a mesma merda. Viajam, enfartam-se, gastam mais num dia do que os verdadeiros pobres amealham num mês, e bradam em nome de um povo que nunca sequer lhes pediria, em seu bom juízo, que falasse por si, arvorando-se em campeões de uma turba mensurável em likes, shares, retweets e onanismos autistas. 

 

Entre os dois posts, a pachorra perdeu a guerra.

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Front Rouge-Alentejain

Este artigo, publicado hoje num dos órgãos de propaganda do meta-Estado, e assinado por uma articulista que ainda não era nascida em 1974, é um tratado incontornável sobre a fisiologia dos sistemas sociais.

 

Cristalizados no âmbar do provincianismo aldeão e impantes do seu progressismo de sofá, são estes arúspices da esquerda-sushi que me fazem lembrar o Eça: 

 

O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia.

 

e ponderar, nos meus raros momentos de introspecção, acerca da bondade que poderia haver em introduzir um sistema de pontos – como para a carta de condução – aplicável a uma espécie de pena de morte profissional.

 

Parece paradoxal sendo eu por princípio contra a pena de morte biológica? Não é. Explico. Sendo qualquer sistema judicial, e em particular o de Portugal com as suas bizarrias endémicas sobre as quais não importa agora recalcitrar, uma coisa falível; e sendo o acto da execução tão irreversível como um aborto – que é a mesma coisa, sendo ambos pagos pelo erário e decididos por alguém que na maior parte do tempo não tem a menor noção do que é a vida – faz sentido acautelar o eventual ressarcimento do condenado em caso de manifesta e comprovada falha do sistema. 

 

Contudo, perante o exercício público, voluntário e reincidente, desta maldade insidiosa que visa disseminar um ideário sinistro e desequilibrar a pouca saúde nervosa que ainda resta ao país, pergunto-me se não seria profiláctico remodelar a Carteira de Jornalista por forma a incluir, como os cartões de consumo nos tugúrios urbanos que esta gente – que nunca é rica, ou se é não faz mal porque pugna pela abolição dos ricos que se encontram uns furos acima – frequenta, o tal sistema de pontos, a cujo auge corresponderia a cassação imediata e tão definitiva como uma depilação a laser, do documento em causa. 

 

É que a não ser assim, hesito em especular sobre aquilo que ocorrerá primeiro: a falência do pasquim, ou a falência da pachorra. 

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