(escrito num telemóvel que deve décadas à cova, desculpem lá qualquer falta de modernismo)
o prós e contras de ontem nao foi sobre lisboa nem sobre a soma das quatro castas apáticas – gente que compra jornais, jornalistas, patrocinadores de jornalistas e seus patrocinadores corporativos. foi acerca da populaça, da ralé cujos votos contam o mesmo que os das pessoas normais, e cuja fatia maior já é composta daquilo que a guterrização do ensino produziu: os nababos ensimesmados, social-onanistas, deslumbrados com o gás que trepa do fundo do copo, a cavalo em carruagens de papel brilhante, nas missangas de uma europa unicórnica, cinderelizados até à inanidade. a merdificação da identidade nacional. quem me dera que houvesse mais turismo, daquele que cá fica e produz expatriados. quem me dera, a mim, expatriar-me e acovilhar-me (isto pode parecer queirosiano da minha parte, não é por ser pedante mas era a única palavra que cabia aqui) num ermo esloveno a mijar-me para sempre de uma altura de dois mil metros sobre estes grunhos que por cá vicejam. somente o fim do euro, da união europeia e da miragem que tem alimentado esta tribo sem descrição podem devolver a Portugal alguma esperança de voltar ao último ponto onde as coisas funcionavam com base em preceitos minimamente reais.
acovilhar
isso 🙂