Cada vez há mais pessoas interessantes e cada dia que passa, sinto-me mais só.
Pode ser por estar a ficar velho. Menos tolerante. Mais ansioso. Não sei.
Nunca como hoje, a comunicação fluiu de forma mais fácil. Mas eu também nunca me senti tão vazio. A questão pode ser sobre o que se fala. Na verdade já não há conversadores, contadores de historias, pessoas que perpetuam memórias e cultura com relatos espantosos, cativantes ,cheios de cores, como livros orais onde nos revemos e nos quais sentimos aquela maravilhosa sensação de pertença.
De igual forma, os comunicadores que vou conhecendo são pessoas muito interessantes, comunicam bem, mas não sabem conversar. Chega a ser assustador. Tudo é politicamente correcto, a homossexualidade é normalíssima, ter filhos está ultrapassado, ir jantar com a cara metade e passar o jantar nas redes sociais é excitante. Blind dates é divertido, ter convicções é retrogrado e para tudo se toma um medicamento.
Não sei. Não entendo. Será que são mais frágeis?
Cada vez me vejo mais sozinho no meio da multidão. Mas a solidão é cada vez maior no meio da multidão.
olha, este rima com o meu.