Lembram-se quando Ricardo Araújo Pereira, com quem partilho o dia do nosso nascimento – embora Deus me tenha dado três anos de ar puro antes daquele malfadado Abril, facto pelo qual me comisero com o Ricardo – esboçou uma rábula genial (sem ironia!) caricaturando o Professor Marcelo a propósito do referendo sobre o aborto?

 

Nela, intuía RAP, não faria sentido o aborto ser proibido sem que houvesse sanções punitivas sobre a sua prática.

 

Então e o acordo ortográfico? Já faz sentido?

 

Sejamos coerentes: admita-se de uma vez por todas que a nação vai nua e que a concupiscência do eleitorado gerou uma coisa que é impossível de controlar, a qual só vai deter-se quando todos aqueles que construíram este país tiverem emigrado, desistido, falecido ou abraçado o lado negro.